Aslan’s Meditations (4/11): A Máscara que usamos

Autora: Hannah Dokupil

 

Bem vindos à nossa quarte parte da série Construindo sobre a Rocha, de 2 Pedro 1:5-8. Para ver os artigos anteriores, clique aqui.

Por isso mesmo façam todo o [esforço] possível para juntar a bondade à que vocês têm. À bondade [virtude] juntem o conhecimento e ao conhecimento, o domínio próprio. Ao domínio próprio juntem a perseverança e à perseverança, a devoção a Deus. A essa devoção juntem a amizade cristã e à amizade cristã juntem o amor. Pois são essas as qualidades que vocês precisam ter. Se vocês as tiverem e fizerem com que elas aumentem, serão cada vez mais ativos e produzirão muita coisa boa como resultado do conhecimento que vocês têm do nosso Senhor Jesus Cristo.

A devoção dessa semana é sobre a palavra virtude.

Estava pensando sobre isso algumas semanas atrás, e tentando decidir o que iria falar sobre ela. Quer dizer, você realmente não pode expandir mais que “virtude”, pode? Todos os outros componentes deste versículo se encaixam como “virtudes” – conhecimento, domínio-próprio, perseverança, devoção a Deus. então, porque adicionar “virtude”, se é justamente isso que as outras palavras são?

Aqui está uma rápida definição de virtude: a qualidade de fazer o que é certo e evitar o que é errado, excelência moral.

O que eu posso tirar da palavra “virtude”?  Eu acho que nesse verso, a palavra não está aplicada no sentido definido acima. Mas aqui está o que Deus tem trabalhado na minha vida na última semana, e isso pode ir contra a definição acima da palavra virtude, mas talvez Deus faça uma conexão na sua mente como fez comigo.

Virtude é, como eu disse, uma palavra bastante ampla. Mas eu acho que é exatamente por isso que vem depois da fé. Fé , como vimos, é a nossa fundação. É sobre ela que construimos. Mas a virtude está logo depois da fé. Porque? Virtude é uma espécie de parente.

Dependendo da sua visão de mundo, religião ou fé, a virtude terá um significado diferente para você. Para muitas religiões, a virtude é um trabalho piedoso do ritual sagrado, ou até mesmo a moral elevada pela qual você deve viver.

Como cristão, no entanto, a virtude é algo bom que Deus trabalha em nós que se torna uma base para a maneira como vemos o mundo. Sem fé é impossível agradar a Deus, mas Jesus também diz que você vai conhecer os cristãos pelos seus frutos. (Mateus 7:20)

Uma coisa em que meditei bastante semana passada foi sobre ídolos, as coisas que se colocam entre nós e Cristo.

Ao longo dos anos, tive vários entendimentos diferentes do que são ídolos. Quando eu era pequena, todos os ídolos eram coisas como Buda, ou o homem algre gordo que estava sentado de pernas cruzadas no chão, com velas em frente a ele em todos os restaurantes chineses que fomos.  Basicamente, era um “deus mal”, ou um “deus falso”.

Quando fiquei mais velha, aprendi que deuses são qualquer coisas que você coloca acima de Deus. Este não era um conceito difícil de entender, e na minha mente de dez anos de idade, não havia muito que eu poderia colocar acima de Deus. Deus era…apenas…isso.

Quanto mais eu amadureci e quanto mais eu aprendia sobre o mundo, mais ídolos eu encontrava competindo por minha adoração. Não eram apenas algo pelo qual se ficava obcecado. Não tem que ser algo que você colocou descaradamente na frente de Deus. De fato, os ídolos que eu encontrei na minha vida eram coisas que se tornaram inconscientemente à frente de Deus. Coisas que eu não reparei que tinham tomado o lugar de Deus – como amigos, família, e até mesmo a igreja.

Igreja? Fiquei horrorizada quando Deus mostrou isso em minha vida. Como poderia a igreja se tornar um ídolo? Mas Deus me mostrou que eu tinha colocado o “serví-lo” acima dele mesmo.

Oswald Chambers escreveu: cuidado com qualquer coisa que concorra com a sua fidelidade à Deus. O maior concorrente da verdadeira devoção a Jesus é o serviço que fazemos por ele. É mais fácil servir que entregar nossas vidas inteiramente a ele. Nós não somos enviados para fazer batalhas para Deus, mas sim para ser usados por Deus em suas batalhas. Será que estamos mais voltados para o serviço que para o próprio Deus?

Urgh. Essas são palavras incríveis…

Sexta-feira passada fui apresentada a um tipo diferente de ídolo. Ou melhor, uma outra maneira de ver os ídolos.

A mãe de um amigo meu estava lendo uma citação de um livro para mim. Eu não me lembro exatamente, mas aqui está um pouco do que consegui entender:

Coloque a mão no rosto e olhe através dos dedos. Agora vire a cabeça para ver o que está ao seu redor. Não importa o quanto você se vire, sua vista será sempre distorcida pelos seus dedos ficando no caminho.

O mesmo acontece com os ídolos. Tudo o que idolatramos se torna a máscara através da qual vemos o mundo. Aquilo que distorce nossa visão para ver as coisas de uma certa maneira.

Eu acho isso particularmente proeminente nos meus meios de comunição social / vida on line. Enquanto eu faço minhas tarefas diárias, algumas coisas que eu gosto uou acho interessante, eu imediantamento escrevo isso como um status no Facebook ou blog – porque o Facebook se tornou uma máscara através da qual eu vejo tudo.

Eu faço o mesmo com as pessoas. Às vezes eu penso em certas pessoas de quem eu gosto como se elas estivessem ao meu lado, ou imagino como reagiriam a uma determinada situação. Em vez de ver uma situação através dos olhos de Deus, eu passo a ver tudo através deles.

Esses são os ídolos.

imageEu estava conversando com um amigo algumas noites atrás, e surgiu o tema de querer que seja seja real para nós.  Querendo ouvir de Deus, para ouvi-lo falar conosco e nos mostrar sua vontade. Mas o que me impressionou foi … se eu tenho todas essas máscaras pelas quais vejo o mundo, como posso ouvir claramente o chamado de Deus? Ele não pode falar comigo quando estou filtrando tudo através das visões distorcidas que possuo. Uma vez ele disse que é preciso ver o mundo através de lentes cor-de-deus.

E é por isso que a virtude é depois da fé.

Fé é um salto enorme, mas depois que você pulou, é muito fácil voltar para trás, para se ter dúvidas. É por isso que a virtude é a próxima da lista.

Mike Donehey, o vocalista da Tenth Avenue North ( quem citarei uma vez ou outra nessa série), diz que seu verso favorito é Salmo 34:8 “Procure descobrir, por você mesmo, como Deus é bom.” Porque se você não fizer isso, nenhuma outra coisa fará sentido.

E no começo eu pensei que era um pouco estranho. Quer dizer, não há realmente versículos importantes como João 3:16 e Romanos 5:8? Mas o que ele disse é que, se não provar e ver que o Senhor é bom, nada do resto faz sentido.  Uma de suas frases mais famosas é “Nós não podemos aprender a viver para Deus, até que aprendamos a viver por causa de Deus”.

O que me impressionou foi a forma incrível como isso se relaciona com a imagem da máscara / ídolo borrando minha visão. Porque eu não posso fazer nada para Deus até que meu ídolo – minha máscara pela qual filtro tudo – seja o próprio Deus. Eu não posso viver para Deus, até que eu aprenda a viver por causa dele. Eu não posso entender qualquer coisa que Deus tenha feito por mim até que eu possa ter um vislumbre de quão poderoso e terrível e maravilhoso Deus é. Quão bom é um Deus que nos ama a menos que Ele seja um Deus bom? Eu não adoro a graça salvadora de Deus, eu adoro o Deus que me deu a graça salvadora.

imageEdmundo, em LFG, foi o que teve a visão distorcida pela Feiticeira Branca. É tão fácil perceber que Edmundo estava indo para o caminho do mal. Mas para Edmundo, não era bem assim. Ele tinha acabado de conhecer uma bonita rainha que lhe dava sua comida favorita, que o aquecia, e fez com que ele se sentisse bem consigo mesmo. E, é claro, dá pra ver claramente isso traduzido na forma como ele tratava seus irmãos. Ele estava ácido com Lúcia quando voltaram de Nárnia, e ainda traiu seus irmãos depois que retornaram para lá. 

imagePedro e Susana também tiveram visões de mundo e ideias que foram frustradas – frustrados por suas supostas ideias de realidade, do que foi possível e real.

Não foi até que todos entraram em Nárnia e começaram sua jornada à procura de Aslan, olhando para aquele cuja visão do mundo era verdade, que eles viram a luz.

E assim é a virtude. É uma qualidade ampla, mas que é tão importante por ser através dela que vemos o mundo. Nossas virtudes devem ser moldada por uma e apenas uma pessoa – que é Jesus Cristo. Meu desafio para você essa semana é olhar para a sua vida. Através de que coisas você vê o mundo. Facebook? Música? Entes queridos? Nárnia, mesmo? Somos chamados a colocar essas coisas para a morte.

 

Que tipo de máscara você usa?

 

Fonte: http://www.aslanscountry.com/2011/02/aslans-meditations-the-mask-we-wear/

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Os que ficaram em nosso mundo

A família Pevensie

Lúcia, Edmundo, Susana e Pedro aparecem no livro O Leão, a Feiticeira e
o Guarda-roupa sem um sobrenome. Somente depois de se passarem dois
livros, em A Viagem do Peregrino da Alvorada é que aparece o sobrenome
Pevensie.

Pevensey é o nome de um local na costa sudoeste da Inglaterra, com
um castelo medieval por onde passaram importantes personagens da
história inglesa.

Em A Viagem do Peregrino da Alvorada o Sr. Pevensie, pai de nossos
heróis, havia conseguido uma vaga como professor nos Estados Unidos,
durante quatro meses, e levou a esposa e a filha Susana. Pedro estava
com o professor Kirke. Lúcia e Edmundo ficam hospedados na casa dos
tios.

Susana Pevensie é a segunda filha da família Pevensie. É
apenas citada em A Viagem do Peregrino da Alvorada. Ela viveu com seus
irmãos duas aventuras em Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa
e Príncipe Caspian, e, por causa da idade, não voltaria a Nárnia com
seu irmão Pedro.

Pedro Pevensie é o irmão mais velho. Assim como Susana,
Pedro é apenas citado em A Viagem do Peregrino da Alvorada e não
participa da aventura com seus irmãos. Estava se preparando para um
exame e tendo aulas particulares com o professor Kirke.

Professor Kirke

Foi o primeiro humano, junto com a garota Polly Plummer, a chegar em
Nárnia. Digory Kirke aparece na história da criação de Nárnia, em O
Sobrinho do Mago, e depois de adulto é quem acolhe os irmãos Pevensie
durante a Guerra. Um guarda-roupa que fez com o tronco de uma macieira
nascida de uma semente das terras de Nárnia foi o portal de entrada
para Lúcia, Edmundo, Susana e Pedro na aventura de O Leão, a Feiticeira
e o Guarda-roupa. Em A Viagem do Peregrino da Alvorada é apenas citado,
não mora mais em uma mansão no interior, mas em um chalé, e auxilia
Pedro como professor particular.

O nome do personagem e algumas de suas características foram montados
em homenagem ao professor particular de Lewis na adolescência, William
Kirkpatrick.

Tios Alberta e Arnaldo

Pais de Eustáquio Mísero e tios dos irmãos Pevensie. São apenas citados
em A Viagem do Peregrino da Alvorada. Descritos como pessoas modernas,
de ideias abertas e vegetarianos.

Margarida e Ana

Amigas de Lúcia que foram visualizadas por ela enquanto folheava o livro de mágicas de Coriakin.

Visite MundoNarnia.com em: http://meu.mundonarnia.com/?xg_source=msg_mes_network
 

Magia ainda mais profunda

O sol dera a tudo uma aparência tão diferente, alterando de tal maneira as cores e as sombras, que por um momento não repararam na coisa de fato importante. Até que viram. A Mesa de Pedra estava partida em duas por uma grande fenda, que ia de lado a lado. E de Aslam, nem sombra.

– Oh! Oh! Oh! – gritaram as meninas, correndo para a mesa.

– Isso é demais! Podiam ao menos ter deixado o corpo em paz.

– Mas que coisa é essa? Ainda será magia?

– Magia, sim! – disse uma voz forte, pertinho delas. – Ainda é magia.

Olharam. Iluminado pelo sol nascente, maior do que antes, Aslam sacudia a juba (pelo visto, tinha voltado a crescer).

– Aslam! Aslam! – exclamaram as meninas, espantadas, olhando para ele, ao mesmo tempo as sustadas e felizes.

– Você não está morto?

– Agora, não.

– Mas você não é… um… um…? – Susana, trêmula, não teve a coragem de usar a palavra “fantasma”.

Aslam abaixou a cabeça dourada e lambeu-lhe a testa. O calor de seu bafo era de criatura viva.

– Pareço um fantasma?

– Não! Você está vivo! Oh, Aslam! – gritou Lúcia, e as duas meninas atiraram-se sobre ele com mil beijos.

– Mas explique tudo isso, por favor – disse Susana, ao recuperar um pouco da calma.

– Explico: a feiticeira pode conhecer a Magia Profunda, mas não sabe que há outra magia ainda mais profunda. O que ela sabe não vai além da aurora do tempo. Mas, se tivesse sido capaz de ver um pouco mais longe, de penetrar na escuridão e no silêncio que reinam antes da aurora do tempo, teria aprendido outro sortilégio. Saberia que, se uma vítima voluntária, inocente de traição, fosse executada no lugar de um traidor, a mesa estalaria e a própria morte começaria a andar para trás…

A vitória da Feiticeira

Logo que acabaram de amarrar Aslam à Mesa de Pedra (mas tão amarrado que mais parecia um novelo), fez-se silêncio. Quatro bruxas, aos quatro cantos da mesa, erguiam seus fachos. A feiticeira desnudou os braços, como fizera na noite anterior com Edmundo. Depois, começou a afiar o facão. Quando o brilho do facho caiu sobre ele, Susana e Lúcia acharam que o facão era de pedra e não de aço, e tinha uma forma esquisita e nada agradável.

Por fim a feiticeira aproximou-se. Parou junto da cabeça do Leão. Seu rosto vibrava e contorcia-se de ódio. O dele, sempre calmo, olhava para o céu, com uma expressão que não era nem de ira, nem de medo, um pouco triste apenas. Um momento antes de desferir o golpe, a feiticeira inclinou-se e disse, vibrando com a voz:

– Quem venceu, afinal? Louco! Pensava com isso poder redimir a traição da criatura humana?!

Vou matá-lo, no lugar do humano, como combinamos, para sossegar a Magia Profunda. Mas, quando estiver morto, poderei matá-lo também.

Quem me impedirá? Quem poderá arrancá-lo de minhas mãos? Compreenda que você me entregou Nárnia para sempre, que perdeu a própria vida sem ter salvo a vida da criatura humana. Consciente disso, desespere e morra.

As meninas não chegaram a ver exatamente este último momento. Tinham tapado os olhos.

Quem é Aslam? – LFG

– Aslam?! – exclamou o Sr. Castor. – Então não sabem? Aslam é o rei. É o verdadeiro Senhor dos Bosques, embora já há muito esteja ausente. Desde o tempo do meu pai e do meu avô. Agora chegou a notícia de que vai voltar. Neste momento mesmo está em Nárnia. Ele dará um jeito na Feiticeira Branca, não se preocupem. Ele, e não vocês, meus filhos, há de salvar o Sr. Tumnus.

– E se ela transformar também ele numa estátua de pedra? – perguntou Edmundo.

– Deixe com ele, Filho de Adão. Não é tão fácil assim! – respondeu o Sr. Castor, caindo na gargalhada. – Transformar ASLAM em pedra? Se ela conseguir manter-se em pé diante dele, olhá-lo cara a cara, já é caso para dar-lhe os parabéns. Não, não. Ele vem botar tudo nos eixos. Assim diz um velho poema que costumamos cantar:

O mal será bem quando Aslam chegar,

Ao seu rugido, a dor fugirá,

Nos seus dentes, o inverno morrerá,

Na sua juba, a flor há de voltar.

– Quando vocês virem Aslam, hão de entender tudo.

– E chegaremos a vê-lo, um dia? – perguntou Susana.

– Mas é claro, Filha de Eva; foi para isso que eu os trouxe até aqui. Vou guiá-los até ele.

– E ele é um homem? – perguntou Lúcia.

– Aslam, um homem! – disse o Sr. Castor, muito sério. – Não, não. Não lhes disse eu que ele é o Rei dos Bosques, filho do grande Imperador de Além-Mar? Então não sabem quem é o rei dos animais? Aslam é um leão… o Leão, o grande Leão!

– Ah! – exclamou Susana. – Estava achando que era um homem. E ele… é de confiança? Vou morrer de medo de ser apresentada a um leão.

– Ah, isso vai, meu anjo, sem dúvida – disse a Sra. Castor. – Porque, se alguém chegar na frente de Aslam sem sentir medo, ou é o mais valente de todos ou então é um completo tolo.

– Mas ele é tão perigoso assim? – perguntou Lúcia.

– Perigoso? – disse o Sr. Castor. – Então não ou viu o que Sra. Castor acabou de dizer? Quem foi que disse que ele não era perigoso? Claro que é, perigosíssimo. Mas acontece que é bom. Ele é REI, disse e repito.

A chegada de Aslam – LFG

– Dizem que Aslam está a caminho; talvez até já tenha chegado.

E aí aconteceu uma coisa muito engraçada. As crianças ainda não tinham ouvido falar de Aslam, mas no momento em que o castor pronunciou esse nome, todos se sentiram diferentes. Talvez isso já tenha acontecido a você em sonho, quando alguém lhe diz qualquer coisa que você não entende mas que, no sonho, parece ter um profundo significado – o qual pode transformar o sonho em pesadelo ou em algo maravilhoso, tão maravilhoso que você gostaria de sonhar sempre o mesmo sonho.

Foi o que aconteceu. Ao ouvirem o nome de Aslam, os meninos sentiram que dentro deles algo vibrava intensamente. Para Edmundo, foi uma sensação de horror e mistério. Pedro sentiu-se de repente cheio de coragem. Para Susana foi como se um aroma delicioso ou uma linda ária musical pairasse no ar. Lúcia sentiu-se como quem acorda na primeira manhã de férias ou no princípio da primavera.

Entrando no armário – LFG

Pouco depois, espiavam uma sala onde só existia um imenso guarda-roupa, daqueles que têm um espelho na porta. Nada mais na sala, a não ser uma mosca morta no peitoril da janela.

– Aqui não tem nada! – disse Pedro, e saíram todos da sala.

Todos menos Lúcia. Para ela, valia a pena tentar abrir a porta do guarda-roupa, mesmo tendo quase certeza de que estava fechada à chave. Ficou assim muito admirada ao ver que se abriu facilmente, deixando cair duas bolinhas de naftalina.

“Deve ser um guarda-roupa colossal!”, pensou Lúcia, avançando ainda mais. De repente notou que estava pisando qualquer coisa que se desfazia debaixo de seus pés. Seriam outras bolinhas de naftalina? Abaixou-se para examinar com as mãos. Em vez de achar o fundo liso e duro do guarda-roupa, encontrou uma coisa macia e fria, que se esfarelava nos dedos. “É muito estranho”, pensou, e deu mais um ou dois passos.

O que agora lhe roçava o rosto e as mãos não eram mais as peles macias, mas algo duro, áspero e que espetava.

– Ora essa! Parecem ramos de árvores!

Só então viu que havia uma luz em frente, não a dois palmos do nariz, onde deveria estar o fundo do guarda-roupa, mas lá longe. Caía-lhe em cima uma coisa leve e macia. Um minuto depois, percebeu que estava num bosque, à noite, e que havia neve sob os seus pés, enquanto outros flocos tombavam do ar.