JotaPêAh!

Do Querido Leitor: Ah, você quer minha opinião? Pois não. Opinarei.

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/2011/09/29/ah-voce-quer-minha-opiniao-pois-nao-opinarei/

 

Eu acho o brasileiro médio muito machista. Eu acho a mulher brasileira bem machista também. Por ‘machista’ eu quero dizer uma pessoa que, no fundo, acredita que o homem é superior à mulher e que tem mais direitos do que ela apenas por ser homem. Que tem a última palavra, o poder de decisão. Um homem machista é aquele que acha que pode  ‘deixar’ ou ‘não deixar’ que uma mulher faça coisas, como se ele fosse dono dela, seja a mãe, a mulher, filha. A culpa deve ser de todos nós, que perpetuamos esse machismo através das gerações, da mãe que sonha que o filho encontre uma boa moça que o obedeça (?) até a mulher que briga com os filhos para que deixem o melhor bife para o papai. Fazer isso por AMOR é legal. Fazer isso por submissão e medo, não. O papai trabalha, a mamãe trabalha e todos merecem bons bifes.

Na minha opinião todos os seres humanos têm os mesmos direitos, independente de sua orientação sexual, por exemplo.

A orientação sexual (bem como a prática do sexo) também é de foro íntimo. Não é da conta de ninguém e nem deveria interferir em nada, nem interessar a ninguém que não os envolvidos e beneficiados diretos.

Se você está morrendo e um médico vai atender você para salvar sua vida tenho CERTEZA que você não vai se importar se ele é gay, por exemplo. Assim como tenho certeza que se a vida do seu filho depender de uma pediatra você não vai se importar se ela for lésbica. Ou judia. Ou umbandista. Ou arremessadora de martelo e albina. Uso esses exemplos extremos apenas para chamar sua atenção, porque a orientação sexual de qualquer pessoa não deveria importar em nenhum momento social, seja na padaria comprando seu pão, tendo aulas de ikebana ou na reunião com seu colega de trabalho, uma vez que ela não INTERFERE na sua vida social ou profissional.

Mesmo porque, ninguém SABE NADA sobre a vida íntima de ninguém. E nem tem que saber. Essa tela onde você lê esse texto agora. Quem fez a tela? Foi um jamaicano hetero? Um chinês bi? Uma brasileira virgem? Dá pra ler o texto? Então pronto. Se a pessoa trabalhou e produziu, não foi escravizada, não cometeu nenhum crime, você comprou o aparelho e está lendo, beleza.

Essa curiosidade patológica que temos pela vida sexual dos artistas, por exemplo, mostra apenas como somos analfabetos sexuais. É como se não conhecêssemos todas as possibilidades e nuances e, a cada nova letra descoberta, fizéssemos um desnecessário auê. Como? Fulano é G? A outra é L? Ele é B? Brincou que aquela pessoa é T? Se essas novidades servirem para ampliar seu leque de possibilidade, perfeito. Caso contrário, deixe a vida do outro pra lá. Eventualmente posso até ouvir e pensar, ah, que surpresa, não sabia que ele é gay. Então ele é gay, ok. Próximo assunto.

Lembro de uma palestra que dei num hotel, num encontro de fim de semana para empresários. Falei uma hora sobre minha carreira em mídia. Na hora de abrir para perguntas, todo mundo só queria saber se a apresentadora com quem trabalhei era gay ou não. Broxante. Eu queria muito saber o que eles fariam com esse tipo de informação. Provavelmente usariam-na para sentirem-se superiores. Ou ‘normais’.

Outro assunto que não tem relação com nada e não deveria ser de interesse social é a vida sexual das pessoas. De onde foi que o povo brasieiro tirou essa associação de que toda mulher politizada, que briga por seus direitos é mal comida? Que feminista não transa? Primeiro que no tempo da faculdade quando a gente fazia movimento político, todo mundo comia todo mundo. Eu diria até que as mulheres mais politizadas têm uma vida sexual muito mais intensa do que as que não tem ideologia nenhuma, só pra chocar. #prontochoquei.

Também não entendo esse conceito totalmente sem noção de que mulher feia não faz sexo. Faz e com homens de todos os tipos, inclusive os feios. E chatos. E carecas. E lindos. Tem que ser muito limitado pra ligar beleza com prática sexual. O sexo existe e se manifesta em quase todos os seres vivos e, embora para muitos o estímulo visual seja um fator importante, ele não é de-ter-mi-nan-te.  Ou você acha que todas as pessoas que se masturbam nesse mundo acham que suas mãos são lindas?

Aqui vou parar e opinar também sobre a beleza e aproveitar pra voltar ao machismo. Todo mundo quer ser bonito ou melhorar o visual. Porque a imagem corresponde a uma parcela importante do ‘julgamento do primeiro encontro’, por exemplo. A imagem faz parte do processo seletivo de escolha de parceiros em ambientes sociais. Mas é UM dos muitos elementos, que inclui afinidades, texturas, ideologias, etc. etc. etc.

Eu acho bacana a gente investir na beleza, mas acho TERRÍVEL e MACHISTA a atitude de buscar essa beleza APENAS para atender a um MERCADO de consumo machista. Se a mulher quer botar silicone, fazer lipo, botar botox e tudo mais, que o faça porque ela quer e não pra ‘segurar o marido’, ‘impedir que o parceiro tenha amante’ ou para ‘competir com a amiga de vestiário da academia’. Seria mais bacana se ela fizesse isso por si mesma. E se ela quiser fazer por seu macho também, que faça, eu só estou dando A MINHA OPINIÃO, LEMBRA? Que também é mutante e influenciada por vivências.

Opinião é como casa, de vez em quanto tem que mudar pra outra.

Agora vou falar da campanha da Hope com a Gisele.

A Gisele é linda. É brasileira. Gostosa, rica, perfeita. E a Hope faz calcinhas. E, como todo cliente, contrata uma agência de propaganda para fazer campanhas que vendam esses produtos. A propaganda tem muito dinheiro e pouco tempo. Então ela tem que comunicar cortando caminhos. A gente clica Alt+Tab no telcado, a propaganda usa clichês. O clichê da sogra. O clichê da mulher que bate o carro do marido. O clichê da mulher que gasta todo o cartão de crédito dele. Enfim, a propaganda RETRATA a sociedade, reduzindo tipos verdadeiros. A mulher que bota a lingerie pra contar pro marido que fez merda existe assim como existe a mãe que faz o bolo pro filho antes de pedir pra ele visitar a vó. Existe tanto quanto o funcionário que traz uma lembrancinha pro chefe quando volta da viagem. TUDO ISSO EXISTE. Se você acha isso errado e machista, então temos que consertar nossa sociedade, para que a publicidade tenha outros valores para retratar.

Pra encerrar esse tratado, quero dizer que aprendi uma coisa hoje. Um erro que todos nós cometemos quando opinamos ou criticamos. Nós nos ISENTAMOS nessa hora. Apontamos o dedo e nos DELETAMOS, como se não fossemos corresponsáveis, como se não fossemos nós os autores de tudo isso. Mas somos nós que votamos nos corruptos. Somos nós que sustentamos a corrupção. Somos nós que pagamos suborno pro guarda. Somos nós que promovemos o preconceito e perpetuamos a incompreensão. Nós que fechamos os olhos para a injustiça, nós que ao mesmo tempo RIMOS DA PIADA E DIZEMOS QUE ELA É ERRADA. Você RI da piada e depois aponta o dedo pra quem acha graça. Nós somos total e completamente loucos como sociedade. Seria sensacional se pudéssemos dar uma controlada nessa doideira. Só um pouquinho.

O Brasil sempre foi muito novinho, um país de crianças.

Mas agora o tempo passou e já temos mais de 500 anos.

Está na hora de largar a chupeta, a fralda e aprender a compartilhar os brinquedos e respeitar o coleguinha. E se transformar num adulto bacana.

Bom dia.

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Do Querido Leitor – Só o tosco salva

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/2011/09/05/so-o-tosco-salva/

 

A palavra tosco teria sua origem no latim, tuscus, que significa “de baixa qualidade”. Esse significado teria vindo de Vicus Tuscus, vila etrusca de má reputação na antiga Roma. Acho que é isso. E, aproveitando a viagem à Toscana, Se non è vero, è ben trovato.

De qualquer forma, todos concordamos, tosco é uma coisa sem qualidade nenhuma, mal acabada, mal feita. Se sabemos disso, por que então o tosco está tão na moda?

Fácil. Porque o tosco faz todo mundo se sentir superior. A fulana é burra? Ela fala errado no vídeo? Eu falo certo, PORTANTO, sou inteligente. Burra é ela. A mulher é ridícula? Está fazendo papel de idiota na TV? Então eu me sinto superior, sou bacana, sou legal! O ator é ruim? Vamos promovê-lo, exibí-lo, assim eu me sinto mais!O palhaço é totalmente banguela? Que bom. Os poucos dentes que perdi já não me fazem sofrer diante daquele que não tem dente nenhum.

É a teoria do Bomchibombombombombom. O de cima sobe e o de baixo desce. Eu estou me sentindo por baixo? Pois é só achar alguém mais abaixo (inferior) a mim e botá-la mais pra baixo ainda, fingindo que estou gostando. Pronto, subi. Me sinto muito feliz agora, bem mais acima.AHAHA, como é bom rir do vídeo do Pedro cadê meu chip. Me sinto tão rica agora. Que delícia. (ironia modo ON)

Porque é pra lá que todos estamos indo, não? Pra cima? Claro que é. Queremos ascender socialmente. Todo mundo quer ser lindo e rico. Até o mais tosco dos toscos quer ser rico e lindo. Até quem diz que não. E nada melhor para inflar nosso ego do que comparar nossas poucas qualidades com alguém que tem ainda menos qualidades.

Se você é feio e anda com gente ainda mais feia, você fica bonito. Se você é baixinho e anda com gente ainda mais baixinha, você parece alto. Porque tudo é questão de comparação. Pague a rodada de pinga no boteco e sinta-se um milionário. Como é bom ser melhor.

E é por tudo isso que o tosco faz tanto sucesso. Porque ele dá um parâmetro BAIXO, sem qualidade, fácil de ser superado. A Sônia fala YouTubio errado? Vamos promovê-la!  Assim, quem fala IuTubi, que também está errado, vai se sentir BEM, vai se sentir MELHOR que ela, que fala mais errado ainda.

Só que, né, é cruel falar mal dos coitados. Vamos então criar um mecanismo de defesa, um álibi social: vamos pegar o TOSCO, esse que faz a gente se sentir superior e vamos aplaudir como se fosse a melhor coisa do mundo! Vamos dizer que é genial. Assim ninguem poderá nos culpar!Vamos brincar de faz de conta de forma coletiva, oba!

Olha que inteligência social, gente. Um povo de sábios intuitivos nesse nosso Brasil.

A gente faz assim: vamos ficar procurando no YouTube até achar alguma coisa bem tosca. Aí a gente pega e manda pra um blog ou portal com muita visibilidade. O dono vai ficar contente, porque ele ganha sem ter que produzir conteúdo e a gente ganha porque ele BOTA O NOSSO NOME  NO BLOG, iuhuuu! Sucesso. Tá famoso, hein…? Vi seu nome lá no blog!

Aí o vídeo vai ficando famoso, famoso, até aparecer na…na… bingo! Na televisão! Nossa, que glória.

Agora sim, o circo está armado. Pessoas disputando a paternidade da Edinéia Macedo no Twitter. Eu descobri primeiro! Fui eu que vi! Eu que achei! Eu já gostava dela antes de todo mundo, gritam todos.  Edineia vai tomar um banho de loja, vai ficar linda, a TV vai fazer um clip de sonho pra ela. Ela vai chorar de emoção e vamos todos ficar com o coração mole. Como somos bons! Como somos magnânimos! Ajudamos os toscos no caminho da fama, promovemos os coitados, como somos maravilhosos!

 

_________ pausa ________
pausa para reflexão

 

Somos maravilhosos? Magnânimos? Não, somos parte de uma grande cadeia de exploradores da ignorância alheia. Somos culpados de tudo isso. E ainda rimos. Somos nós que promovemos essa situação em que o Brasil se encontra. Porque hoje você finge que acha genial um vídeo sem qualidade, com uma mulher genuinamente ingênua, com desejos mas sem oportunidades que diz “as quatro estação”. E amanhã, você estará deitado na cama de um hospital sendo operado por um médico tosco, que fez uma faculdade sem qualidade, correndo o risco de ter sua perna amputada por falta de competência. Ou estará votando num idiota qualquer porque você achou que seria ‘toscamente engraçado’ ver aquela pessoa ‘no meio dos políticos’. Raciocínio tão inteligente quanto deixar uma casca de banana na própria porta pra cair depois.

Não adianta me odiar. Nem se odiar. A saída é a consciência, a mudança. É parar com essa mania de dizer AMO quando você odeia e ADORO quando você despreza. Essa excesso de cinismo e ironia que só disfarça nosso complexo de inferioridade.Ironia e cinismo deveriam ser temperos. Não é pra comer orégano de colherada. Faz mal.

Porque só a realidade nos salva, não o tosco. Só faz cirurgia pra redução de estômago quem admite que está muito acima do peso e por isso pode morrer. Se você é gordo e SE ENGANA dizendo que é magro, você morre disso.  Só melhora quem admite que está ruim. Só aprende quem admite que não sabe.Negar a realidade, fingir, ainda que coletivamente é coisa de lenda. O rei está nu. O clip da Edineia é tosco. Aos 33 segundos tem um mamilo de fora no biquíni de uma dançarina. Ela não é um talento, ela não canta bem. Vai me dizer que você não sabia disso? Claro, todo mundo sabe que o rei está nu. Ninguém aponta isso porque tem medo de parecer BURRO se disser que não vê o tecido que só os INTELIGENTES conseguem ver.

Enquanto a gente ficar aqui, coletivamente brincando desse faz-de-conta cruel, fingindo que acha a Edineia um gênio e morrendo de rir às suas custas, não vamos melhorar.Porque não vamos admitir o quanto nós todos como sociedade somos ignorantes! Quanto precisamos de ESCOLA e educação.

Porque tosco não é ter compaixão pela Edineia,  isso é humano. Tosco não é vê-la sonhando com a fama vendida pela mídia como solução para a miséria, isso é humano. O sonho dela é legítimo. E me comove. Tosco é ter casa, comida, empregada, dinheiro, emprego e usar as pessoas mais simples como parâmetro pra fazer você se  sentir culto e superior .

Tosco é você apontar o outro dizendo que ele explora a miséria humana e fazer EXATAMENTE O MESMO na Internet explorando a miséria cultural da Edineia.

Não estou dizendo que não é engraçado. É engraçado, sim, porque é tosco. É também triste e patético.

Mas, né, estou falando sozinha. Sozinha com minha rabugice envelhecida.Eu, o menino tonto que não entendeu a “brincadeira” do povo e aponta o dedinho dizendo que o rei está nu. Está, menino, mas A GENTE COMBINAMOS que ele está com finas vestes, ok? Menino tosco…

A TV vai dar a ela fama, fortuna, dentista (o que é bom), banho de loja e todos vão dizer que estou com inveja da Edinéia.

Agora, dar escola e plural ninguém vai, né?

Vamos então continuar assim; Brasil, um país de toscos.
E vamos morrer disso, da nossa tosqueira. Com políticos toscos, justiça tosca, distribuição tosca de renda, educação tosca, saúde tosca.

Ah, esses etruscos.

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A lição budista

Veja o original aqui.

 

Um monge muito sábio estava visitando um vilarejo com seus discípulos. Na praça principal ele teve a oportunidade de falar publicamente. Todos ouviam o sábio atentamente até que um homem começou a agredí-lo verbalmente, atingindo sua honra pessoal, xingando-o com palavras desagradáveis e duras. O sábio nada disse e os discípulos ficaram inquietos.

O ofensor continuou, desta vez com mais veemência, ofendendo não só a honra do monge, mas a de todos os seus discípulos também. Por isso mesmo, uma resposta parecia mais necessária. Mas o monge não disse nada.

Numa estocada final, o homem ofendeu todos os antepassados do sábio, a coisa mais desonrosa e agressiva que alguém pode proferir. Mas o monge não respondeu absolutamente nada. Apenas caminhou para longe, seguido por seus discípulos intrigados.

Já afastados da praça, os discípulos resolveram indagá-lo.

– Mestre, nós acompanhamos toda a injustiça que o senhor sofreu e não entendemos por que o senhor, tão sábio não respondeu nada ao seu ofensor.

– Isso mesmo, mestre – disse outro discípulo – ele ofendeu todos os seus antepassados e o senhor nada respondeu! Por que, mestre? Será que podemos ao menos tirar um ensinamento desse momento tão ruim?

E o mestre respondeu:

– Se eu oferecer a você um presente ruim, um rato morto e infestado de peste, você o aceita?

– Claro que não, mestre! – responderam todos em uníssono

– Então, se um homem me oferece o mal, seja materialmente ou com palavras e eu não o  aceito, quem vai embora com ele?

E assim, o mestre e seus discípulos seguiram seu caminho.

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A história da garota que roubou a personalidade da amiga

Virginia e Georgina.

Virginia era gata. Única. Tinha tudo. Peito, bunda, personalidade, talento, bons dentes, cabelo adestrado, amigos. Solta. Segura de si. E um pouco louca. Classe média tentendo à dureza.Artista. Enlouquecia os homens.

Georgina era revoltada. Sem charme, desongonçada, mimada. Inteligente, solitária. Parceiro de sexo, só bêbado. Canalizava todo seu sentimento de rejeição numa palavra: agressividade. Para compensar a imensurável falta de auto-estima simulava ser a pessoa mais autoconfiante do mundo. Elogiava-se sem parar. Elite dominante.

Goergina conheceu Virginia e apaixonou-se. Não por Virginia, mas pela mulher que ela poderia ter sido se tivesse nascido como a outra. Ficou enebriada com o talento da outra. De tanto puxar o saco, ficaram amigas.

Amigas significa que Virginia vivia sua vida e Georgina ia atras. Georgina ficou amiga de todos os amigos de Virginia. Saíam todos juntos. Depois sem Virginia.

Georgina começou a copiar as roupas de Virginia. E as atitudes. A tinta do cabelo. O anel da mão. A bolsa. O trabalho.

Virginia, totalmente desencanada, não percebia. Ou percebia e não ligava. Estava sempre muito ocupada tentando pagar as contas vencidas e gerar ideias.

Até o dia em que Georgina descobriu que podia usar sua inteligência para roubar a coisa que mais admirada na outra: a personalidade.

Começou a copiar o vocabulário de Virginia. As palavras, expressões, as gírias. As pausas dramáticas do texto. A grafia. Tudo. Absorveu o jeito de Virginia se expressar como se estudasse outra língua. Traduziu-a, captou-a. Pegou tudo para si.

Começou a escrever como se fosse a outra, ouvindo a voz da outra. O tom.

Sentiu-se mais forte, quase gata. Mesmo sem a carga erótica de Virginia, Georgina  sentia-se sedutora como a amiga. Ficou mais agressiva. E partiu para seu gran finale.

Fazendo-se de coitadinha, ligou pro namorado de Virginia. Saiu com ele para desabafar, implorando por companhia. Beberam. Muito. Ela investiu sobre ele. Beijou-o. Insinuou-se, devorou-o. Cuspiu-o. E voltou pra casa.

Passou um email e contou pra amiga o que tinha acontecido.

Georgina foi Virgínia por um dia. Mas só um.

Assim que abriu a caixa postal, Virginia foi até a casa de Georgina, com o namorado.

Georgina abriu a porta. Deu deu de cara com Virginia e o namorado.

Virginia olhou bem dentro dos olhos de Georgina e, já pronta para a cena, sacou um espelho de bom tamanho e esfregou-o na cara de Georgina.

Em vermelho, escrito com batom, Georgina leu:

FIM

 

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/2011/07/09/a-historia-da-garota-que-roubou-a-personalidade-da-amiga/

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Do Querido Leitor – Marcha contra expressões velhas

Eu odeio expressões velhas. Odeio. Odeio com todas as minhas forças. Tenho vontade de abandonar tudo e lutar por esta causa. Organizar uma marcha. Acabar com isso de uma vez. Expressões velhas e ultrapassadas, até quando?

Sem querer ofender ninguém, mas parece que toda a população é chegada numa expressão antiga, como se 200 milhões de brasileiros tivessem sido criados por seus tataravós. Vou começar por uma das mais detestáveis: tirar o pai da forca.

Forca? Há quanto não tem não se usa mais forca no Brasil? Qual foi o último pai a ser 0ficialmente enforcado? É de que século a expressão? E por que tanta gente ainda usa ‘tirar o pai da forca’ pra falar de pressa? Com toda essa vida apressada ainda não acharam OUTRA analogia?

E sangraia desatada? Essa é lusitana. Não é possível que ainda digam ‘sangria desatada’.  Tem outra que é abominável, ‘caixa prego’. Nem tenho vontade de falar. Me dá náuseas.

Vire o disco é do tempo do vinil. Ninguém mais vira o disco. Ou ‘caiu a ficha‘. É do tempo o orelhão.A fica era de metal e emperrava na canaleta. Mas acabou. Vamos abolir a ficha, por favor. Bem, a ficha ainda é recente. Suportável.

Há pouco a Carol Snowhite mencionou no Twitter que o pai dela usou a comparação  ‘mais por fora que umbigo de vedete’. Gente, isso é podre., Horrível. Não tem mais vedete. Por que a expressão ficou todos esses anos? Por queeeeeeee? Não deu pra inventar nada pra substituir em todos esses anos?

É como se o brasileiro, tão criativo, não tivesse criado mais NADA há 70, 80, 100 anos. ‘Mais perdido que cachorro que caiu do caminhão de mudança’. ‘Mais confuso que cego em tiroteio’. Sempre as mesmas.

Felizmente a Internet trouxe algumas novidades. Como o ‘aham, senta lá Cláudia’, ‘a última bolacha do pacote’, um alento de novidade nesse oceano de velhices.

Na TV, parece que todo comentarista AMA expressões obsoletas, em todas as áreas. Na economia, só dá isso. Nos esportes, idem. Hoje ouvi um comentarista de tênis que não parava de dizer que o jogador ía ‘liquidar a fatura’. Sério, que pessoa MODERNA diz ‘ele vai liquidar a fatura’?

‘Onde Judas perdeu as botas’, ‘onde o vento feaz a curava’, ele ‘dobrou o cabo da Boa Esperança’. Um saco tudo isso. Ou perguntar ‘quantas primaveras’ você está fazendo para falar quantos anos.

Aqui tem uma lista horrorosa que inclui ‘pode tirar seu cavalinho da chuva’, ‘matando cachorro a grito’.

Eu odeio, mas odeio essas expressões todas, esses clichês, esses chavões.
Se eu pudesse faria um movimento nacional pelo fim dessas velharias.
Porque, né, gente que fica usando essas coisas datadas, não rola. Só ‘dando com um gato morto na cabeça até miar’…

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/2011/07/03/marcha-contra-expressoes-velhas/

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Do Querido Leitor–Me ajudar a entender?

Um painel do Curitiba Social Media me fez pensar muito sobre o Google, a Internet, o objetivo das pessoas, o dinheiro. Explico. Alguns dos participantes estavam contando histórias interessantes sobre SEO, Search Engine Optimization. Existem formas de fazer com que seu blog, seu site, fique bem posicionado nos resultados no Google, o que gera mais cliques e, com AdSense, mais dinheiro.

A ideia é simples. Quanto mais gente clicar no seu blog, mais dinheiro você ganha. Até aí, nada de novo.

Acontece que um desses truques é pegar o internauta perdido, o enganado, o que não sabe escrever, o ignorante, o que não sabe procurar direito no Google. Isso mesmo. Existem muitas pessoas que não sabem digitar o nome do ídolo, do jogador, do artista. Esse "perdido" é chamado de paraquedista.Há especialistas em converter a ignorância em dinheiro.

Digamos que em vez de fazer um post sobre algo que eu queira, um assunto que me interessa, eu parta do final pro começo. Primeiro eu penso: "como eu posso conseguir mais hits? com que assunto? o que o povo quer?" Justin Bieber? E aí eu começo a trucagem em busca de cliques.

Primeiro eu falo mal do Bieber pra atrair ódio das fãs, de propósito. Xingar gera mais movimentação do que elogiar.  Aí eu vou numa comunidade de fãs de Bieber do Orkut, finjo que sou outra pessoa e "denuncio" meu próprio blog, para atrir ainda mais gente. E, claro, discuto comigo mesma, sempre com a intenção de gerar cliques e dinheiro pra mim.E depois posso falar mal de Luan Santana, Lady Gaga, sempre com esse mesmo expediente, de enganar os "bobos".

Da mesma forma, em função de ser o primeiro a publicar uma notícia, algumas pessoas acham que tanto faz publicar tudo errado, porque eles ganham cliques e dinheiro do mesmo jeito, estando certa ou errada a notícia. A informação não conta, conta o hit. Se estiver errada e depois você corrigir, você pode ter o dobro da audiência.

Por esse raciocício quanto mais ignorante for a massa, mais lucro terá a pessoa .
Ou seja, para aumentar o lucro, tem que aumentar a ignorância dos usuários.

Assim, se você espalhar sempre mais ignorância, mais erros, mais caos, mais ruído, mais confusão e souber capitalizar tudo para você no ranking do Google, você vai ganhar sempre mais dinheiro. E, pelo que eu soube, tem gente que ganha dezenas de milhares de reais por mês assim.

Cada um, claro, faz a opção que quiser nesse mundo, mas a ideia de lucrar com o aumento da ignorância é algo que me faz refletir. Até o ET Bilu gente, acha que devemos buscar o conhecimento, não a ignorância.

Esse modelo de exploração da ignorância, tão antigo, tão criticado, está se repetindo na Internet. A tecnologia avança, mas o ser humano é sempre o mesmo.

De qualquer forma, foi muito útil conhecer essas outras visões.

 

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/2011/07/03/me-ajuda-a-entender/

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Eu quero, eu faço, eu consigo

O mundo taí pra todo mundo, é só pegar e usar. E porque ele está disponível pra quem quiser, não vale ficar reclamando do que o outro faz para obter o que deseja. Vai lá e faça também. Do seu jeito. Estamos todos aqui, seguindo o mesmo plano, querer-fazer-conseguir, cada um com seu método e suas ferramentas.

Imagine que uma pessoa queira conseguir tudo de graça, essa é a meta que ela tem. Ela quer ser bonita, quer ser rica, quer ser famosa. Esse é o querer. O que ela faz em seguida? Ela puxa o saco de quem pode lhe dar poder, elogia as pessoas que podem oferecer bens materiais, ajuda a quem pode oferecer serviços. E com isso ela consegue tudo. Quem tem poder dá poder pra ela, quem recebe o elogio dá presentes, quem foi ajudado troca por serviços. Tudo de graça. Está certo ou errado? Ela é uma oportunista? Resposta: não tem certo ou errado, ela quis, ela fez, ela conseguiu. Ela puxou o saco de poderosos que, enfim, querem ter o saco puxado, elogiou gente que se sentiu grata e a presenteou, ajudou por interesse sem fazer mal a ninguém. Errado é você só ficar com inveja do que ela conseguiu e querer questionar os métodos que ela usou, principalmente se você não foi lesado com as atitudes da pessoa.

Outra pessoa decide que vai trocar favores sexuais por poder. Ela investe tudo no próprio corpo, na beleza física, seduz algumas pessoas e consegue benefícios materiais. Isso é certo ou errado? Nem um nem outro. Isso pode servir ou não pra você, mas se serve pra ela, o método usado não é da conta de mais ninguém.

O mundo é como ele é, funciona do jeito que está estabelecido e, sim, é possível trabalhar para mudar alguns aspectos. Mas não se muda a coletividade, a cultura. E nem faz sentido condenar as pessoas por agirem por interesses próprios. Estamos todos fazendo o mesmo, de formas diferentes.

Talvez você tenha uma bagagem moral que exclui totalmente a possibilidade de usar seu corpo para conquistar coisas. Sou da mesma natureza. Mas tem gente que pode e faz. E nem por isso deixa de ser uma boa pessoa. Minha opção como mãe também não é essa. Crio meus filhos para que eles sejam esforçados, honestos e mereçam suas conquistas. Mas isso sou eu. Outras mães procuram casamentos para suas filhas com homens ricos. Conheci uma mãe que investia todo seu dinheiro na beleza da filha, na esperança de que ela conquistasse um marido rico que ajudasse a salvar a família da pobreza. Quem vai poder dizer que a mãe estava errada? Essa era a única luz que ela via no final do túnel e ia atrás dessa luminosidade para clarear sua vida.

Já fui muito menos tolerante do que sou hoje, já condenei internamente muita gente por seus métodos, caso eu discordasse delas. Hoje vejo as coisas de outra forma. Não condeno, apenas observo, compreendo e faço opções. Eu poderia, por exemplo, raspar careca, deixar os cabelos brancos, fazer uma tatuagem na perna, como poderia botar silicone, fazer plástica, me encher de botox. Todas as opções estão no mercado, é só escolher ou não. E lembrar que tudo, mas tudo mesmo, tem um preço, uma consequência.
É só isso que existe, causas e efeitos, sementes e frutos. Simples assim. Até o que parece bom, até as dádivas têm um preço a pagar. Num exemplo bem simplório e tolo, cito meu email do gmail, que tem meu nome, rosana. Muita gente me faz a mesma pergunta, como consegui, por que tenho um email tão simples. Muita gente diz que eu tive sorte, que queria ter um assim também. Eu também achava. Até que comecei a receber centenas de emails de outras rosanas de todo o mundo que usam meu endereço como "segunda opção", listas de avisos de emails que não são meus, cadastros de pessoas que preenchem com o primeiro email que lembram (o meu), tornando minha vida com minha linda arrobinha um inferno. É a vida. Se você tem algo que todo mundo quer e nem poucos têm, seja um endereço, uma Ferrari, um programa na TV ou olhos azuis, prepare-se para a cobiça.

Hoje eu sei mais ou menos o que eu quero. Quero ver minha família toda bem, com saúde, quero viver de escrever, quero que as pessoas gostem e se beneficiem das palavras que escrevo, das palestras que dou. Quero ser compreendida, aceita, admirada e querida. E para conseguir o que quero, procuro fazer o meu melhor, cuidando dos que amo, assumindo compromissos com as pessoas a minha volta. Tento ser correta e justa, mesmo vendo tanta injustiça a minha volta. Não sou do tipo que faz tudo para conquistar o que quero, sou cheia de regras éticas e morais, não sinto prazer em ser oportunista, não tenho vocação para puxar saco e tenho muita dificuldade de fazer o jogo social de faz deconta, em que o personagem diz amar todo mundo, adorar todo mundo e não dá nem o endereço quando convida o outro pra tomar "café em sua casa". E porque não faço muitas concessões, meu caminho é sempre mais difícil, a jornada mais lenta. Mas eu me sinto bem assim, durmo bem no travesseiro, não me sinto culpada, nem arrependida, não tenho vergonha de mim.

Ontem, num daqueles momentos em que a gente fica em dúvida se está realmente agindo certo ao manter a ética, minha filha chegou pra mim depois de terminar de ler meu novo livro e disse que tinha muito orgulho de ter a mim como mãe, que tinha muita admiração por meu jeito de escrever e que era muito grata a meu marido e a mim pela forma com que ela foi criada. Choramos juntas, nos abraçamos de felicidade e eu pensei que o caminho da verdade, do coração, pode ser mais demorado, mas é o que oferece as paisagens mais deslumbrantes pra nossa alma.

 

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/2011/06/08/eu-quero-eu-faco-eu-consigo/

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Do Querido Leitor – Inocência e oportunismo

Tem dias que a gente acorda elétrica, agitada. Hoje não é esse dia pra mim. Hoje estou calma, amorosa e chorona. Não estou com vontade de brigar, nem discutir, nem nada. Deve ter sido resultado da minha terapia logo cedo, que me colocou num outro patamar de reflexão. Aliás, eu já entrei lá com vontade de refletir sobre a ingenuidade e a ética.

As pessoas são muito ingênuas. Muitas porque acreditam em qualquer coisa, muitas porque não têm as informações. Só pra citar um exemplo bem prático, entrando no âmbito da televisão. A maioria dos apresentadores, como âncoras de telejornais, não fala o texto de cor, mas lê todo o texto no Teleprompter.

O Teleprompter é muito bom, é essencial para muitos trabalhos. Não é um demérito, porque jornalista não é ator, não tem que decorar o texto pra falar no teatro. (O TP da foto é antigo)

Só que pouca gente na população que vê TV sabe que o teleprompter existe. Então, por não vê-lo e não saber que o apresentador está lendo, muita gente acha que todos os apresentadores falam tudo sem errar e que sabem de tudo.

Trabalhando há tantos anos em TV, aprendi o quanto as pessoas não sabem como funciona a ‘mágica’ da televisão. Já recebi carta de telespectadora que acha que quando um programa sai do ar, a apresentadora encontra a outra na ‘porta’ na hora de entrar. A pessoa não consegue compreender que um programa é gravado em um estúdio, outro está em outro estúdio e um nem vê o outro. A TV está mentindo? Está enganando? Não. Não está. Está fazendo seu trabalho. E as pessoas é que estão acreditando em algo que não é real.Elas acreditam no que elas SUPÕEM que seja verdadeiro. E quer acreditar que está certa.

Por que estou dizendo tudo isso? Porque as pessoas preferem a ilusão à realidade. A realidade pode ser dura, triste. Como o fato de que somos mortais. As pessoas não querem falar nisso. Não querem pensar que a vida vem e passa, a gente morre e acabou. É muito mais reconfortante pensar que a gente vai para um lugar maravilhoso.

Por que alguém acreditaria em algo ruim sobre um ídolo? Ela gosta do ídolo, ela não quer acreditar que ele faça nada de errado. Mesmo que você mostre, prove, ela não vai acreditar e ainda vai ficar com ódio de você.

A massa é muito ingênua e crédula. As pessoas são muito inocentes em sua maioria.

Mas … e aí? O que você faz DEPOIS que descobre isso?

Bem, você só tem dois caminhos. Você tenta ajudar as pessoas a serem menos ingênuas ou você se aproveita da ingenuidade delas.

Tem gente que tenta ajudar, que se dedica a ensinar, a fazer com que essas pessoas cresçam e tenham discernimento.

Tem gente que se aproveita dessa ingenuidade, seja vendendo um produto ruim, seja enganando com uma ideia, seja mentindo para ter lucro.Vai da consciência de cada um.

Vai ver a ingênua sou eu.

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/2011/05/18/inocencia-e-oportunismo/

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A ordem dos fatores característicos altera o julgamento do produto – Do Querido Leitor

Hoje eu estava lendo o post de uma garota que fez cirurgia de redução de estômago. Ela diz que engordou quase 40 quilos sem perceber. E que é bonita. Que tentou de tudo para emagrecer e, em não conseguindo, fez a cirurgia. Eu acredito, sim, que a pessoa possa engordar 40 quilos sem perceber porque eu engordei 10 sem conseguir impedir que isso acontecesse.

Cada caso é um caso, porém. No meu caso, eu quero entender o que me leva a engordar, quero compreender meu comportamento (esse que me leva a comer mais do que necessito), quero ser capaz de  revertê-lo e, futuramente, impedí-lo. Essa é a minha viagem. É meu jeito de ver as coisas. Eu tenho uma vida, vida que me foi dada pelo universo e quero viver essa vida de forma experimental, acertando e errando, mas, sobretudo, entendendo e aprendendo. É a coisa que eu mais gosto. E, por mais que eu odeie meu sobrepeso eu jamais me livraria dos dez quilos de uma vez de forma cirúrgica, nem com lipo nem com nada.  Meu desejo de ser dona de mim mesma é maior do que a vontade que tenho de dar satisfações para as cobranças do mundo em relação a mim. Eu não sou uma pessoa insegura em minha essência, eu não me sinto pressionada para ser jovem e linda. Eu estou aqui, ficando feia e velha e achando muita graça. E, na medida do possível, fazendo força para não julgar as pessoas que agem de forma diferente.

O assunto ‘sobrepeso’ me interessa muito, sempre, mesmo quando estou magra. É curioso como o mundo olha e julga quem está gordo. Digamos que a pessoa escreva muito bem e seja gorda. O pensamento médio das pessoas poderia ser:

– "Ela é uma mulher gorda. E escreve muito bem."

Mas não é isso que as pessoas pensam. No fundo, elas constroem o julgamento  assim:

-"Ela escreve bem. Mas é muito gorda…"

Ou seja, o fato dela ser gorda INVALIDA sua qualidade de boa escritora. É como se o fato dela ser gorda anulasse o fato de escrever bem. No fundo as pessoas pensam isso mesmo: "do que adianta ser culta e escrever bem se ela é gorda?" A mensagem contida é a seguinte: ser magra é o essencial, o básico, o exigido pela socieade. Escrever bem ou mal tanto faz, é só um detalhe.

Tanto é verdade que quando o público vê uma gostosa analfabeta todo mundo parte pra defesa da beleza. E daí que ela é burra? Ela é linda e isso é o que importa!

Quer dizer, a BELEZA neutraliza qualquer DEFEITO e a gordura anula qualquer QUALIDADE!

Gente, isso é muito cruel. E, convenhamos, qualquer pessoa minimamente insegura e acima do peso entra em parafuso. Não é à toa que tanta gente faz dieta louca, fuma pra tirar o apetite e outras agressões contra a própria saúde. A pessoa não aguenta o tranco de ver todas as suas virtudes anuladas por sua figura física. Pra mulher é ainda mais cruel.

Aproveitando o post, vou falar de outro assunto, a falta de raciocínio das pessoas em determinados assuntos. As pessoas não sabem mais argumentar, não sabem pensar, não conseguem montar uma ordem lógicas pras coisas que falam. É assustador. Vou dar um exemplo.

Um garoto no Twitter disse que eu não podia falar que a Suzana Vieira cantava mal porque eu não canto bem. Não posso? Por que não posso? Qual a lógica? Se eu canto mal eu apenas canto mal, não significa que eu seja surda. Eu posso cantar mal e ter bom ouvido e detectar que outra pessoa canta mal. Quer dizer que a pessoa acha que só quem canta BEM pode julgar que outro canta mal? Então um anão olha um cara de 1.50 e um de 1.90 e  ele não pode julgar que o primeiro é baixinho? Porque ele é menor? Mas ele não é cego, é anão!

É um argumento totalmente sem nexo. A pessoa acha que criticar o outro é um DIREITO ADQUIRIDO POR COMPETIÇÃO. Maria e Joana se pesam. Se Maria pesar 150 quilos e Joana pesar 200, Joana não pode dizer que Maria é gorda? Só porque ela é mais gorda que a outra? Não faz sentido. Isso só acontece na cabeça de quem julga todo mundo POR S.. Se o padrão médio de uma pessoa é 70 quilos para o fabricante do elevador, então, todo mundo que tem mais de 70 quilos está acima do peso pra aquele padrão. Não é em relação A VOCÊ.

Infelizmente é assim que a maioria pensa. Todo mundo compara tudo consigo mesmo. Isso é o princípio do egocentrismo, achar que é o ‘padrão’ comparativo do mundo inteiro.

Pronto, era só um desabafo de blog.
Já estou me sentindo até mais leve…

Muito obrigada.

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/2011/04/26/a-ordem-dos-fatores-caracteristicos-altera-o-julgamento-do-produto/

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