Os bananas e a macacada

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/o-provocador/2012/05/10/os-bananas-e-a-macacada/

Depois não digam que eu não avisei. A onda do politicamente correto vai virar um tsunami. E vai afogar a todos num oceano de bobagens. Essa turma de engomadinhos não tem limite. Abrem mão do bom senso sem nenhum pudor, em troca das mais insanas paranoias. Gente doida.

A última aparição desses bananas assassinos se deu por conta da música “Kong”,  de Alexandre Pires. No vídeo de divulgação, o cantor e convidados, entre eles Neymar, aparecem vestidos, vejam só seque coincidência, de gorilas. Kong. King. Entendeu?

Pois tem gente que não entendeu. Viram racismo onde eu só vejo bom humor e música ruim. Se o Ministério Público implicasse com a baixaria da letra, já seria coisa de primatas. Mas acusar um cantor negro de racismo é piada pior que as do Danilo Gentili.

A música não ofende ninguém, além dos que ainda cultivam alguma esperança na música popular. Fora isso, só uma mente bem pervertida para enxergar algum preconceito naquela porcaria.

Deve ser falta do que fazer. Ou vontade de fazer o que não faz falta. Caso uma única folha de papel tenha sido gasta nesse delírio já é questão de enquadrar em crime ambiental.

Se à primeira vista essa situação parece apenas esdrúxula e patética, não vamos nos iludir, logo ali na frente todos perdem o controle e entraremos num mundo de regras absurdas para situações banais.

Quanto menos o Estado (leia-se Executivo, Legislativo e Judiciário) se meter em questões subjetivas, melhor para a humanidade. Trabalho é que não falta para nossos funcionários públicos.

Essa quadrilha dos politicamente corretos precisa levar uma enquadrada. “É no pelo do macaco que o bicho vai pegar”. Tô avisando.

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É preciso tirar os criminosos da ilegalidade

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/o-provocador/2012/02/15/e-preciso-tirar-os-criminosos-da-ilegalidade/

O governo deveria criar o Vale-Bandido ou o Bolsa Roubada. Todo trabalhador honesto teria direito a um cupom mensal para entregar a um ladrão quando fosse abordado pelo meliante.

Sei lá, seriam tíquetes de R$ 50 ou R$ 80, tanto faz. Discutir valores agora é mesquinharia. O que importa é o conceito de reengenharia social por trás dessa ideia que pode diminuir e, com o tempo, talvez zerar o alto índice de roubos e assaltos a que estamos acostumados.

Sempre haverá aqueles que dirão que isso é estimular a vagabundagem. Basta lembrar como o Bolsa-Família foi criticado no começo. Os anos provaram que essa ação do Estado poupou milhões de pessoas da miséria. Pois chegou o momento histórico de tirarmos os criminosos da ilegalidade.

Eles não podem mais viver como marginais. Todos vamos ganhar com isso. É preciso colocá-los na formalidade, fazer com que recolham impostos e assumam seu papel na sociedade.

Alguns cuidados seriam necessários, óbvio, senão ia virar uma roubalheira. A gente sabe como o brasileiro sempre arruma um jeitinho de tirar proveito da situação. Por isso, é fundamental garantir que todos ajam de forma honesta com o dinheiro público.

Para adquirir o direito de roubar o benefício do trabalhador, o assaltante teria que ter ficha na polícia. É o mínimo que se pode exigir de um ladrão: que tenha antecedentes. O que transformou nossas vidas num pesadelo é essa história de qualquer um, sem o menor preparo, chegar enfiando um revólver em nossas caras. Chega de amadorismo.

Para os pés de chinelo, os iniciantes, os que ainda não têm experiência, os governos estaduais e municipais criariam cursos técnicos e oficinas que inserissem os jovens no mundo do crime, de uma forma segura e responsável. Educação é tudo. E, nessa empreitada, nossos governantes teriam muito a ensinar.

De posse de uma mínima bagagem criminal, o salafrário iria até uma delegacia para se entregar, ou melhor, entregar os documentos que comprovem sua atividade ilícita. Pagaria uma fiança condizente com as posses até então surrupiadas e estaria livre para praticar roubos literalmente qualificados.

O cidadão-vítima ficaria com um comprovante de que já foi assaltado naquele mês. Caso aparecesse outro bandido, bastaria apresentar a segunda via da pilhagem, devidamente assinada. Quanto menos burocracia, melhor. Ainda mais numa hora dessas.

Os ladrões que resistissem a cooperar com esse moderno projeto de distribuição de renda, teriam como única opção assaltar bancos, joalherias ou demais empresas com forte esquema de segurança. Sempre haverá os que não abrem mão do glamour da profissão.

Paciência. No primeiro momento, a prioridade deve ser cuidar dos mais necessitados. Seria muita ingenuidade achar que vamos melhorar esse país da noite pro dia. Só depois de muito esforço teríamos condições de implantar o Vale-Traficante ou o Auxílio-Corrupção. Além do Bolsa Político, claro.

Depois de Wando, qual o próximo velório?

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/o-provocador/2012/02/10/depois-de-wando-qual-o-proximo-velorio/

É compreensível tanta homenagem ao Wando. Ele merece todas e mais. Só não entendo onde foram parar os intelectuais, a juventude esclarecida e os formadores de opinião que durante décadas o massacraram, o fizeram motivo de piada, o humilharam e, principalmente, o ignoraram.

Eu considero o brega a alma deste país: a dor de cotovelo, o amor perdido, a mulher abandonada, o corno arrasado. Os brasileiros, nós somos tristes e melodramáticos. Nada a ver com sexo fácil ou amor de balada. Não sei em que momento nos tornamos vulgares, siliconados, enviagrados e disponíveis.

Excetuando os fãs verdadeiros, gente pobre e bem ou mal amada, Wando sempre foi citado de forma arrogante pelos que agora o tratam com o devido respeito.  Essa turma me enoja. Ele só foi primeira página no dia de sua morte.

Praticamente todos os jornais, revistas e programas de TV jamais dedicaram a ele um minuto ou centímetro de atenção verdadeira. Suas músicas eram trilha sonora de humorísticos, auditórios decadentes ou pegadinhas infames.

De repente, ao morrer, o cara virou um gênio, o fim de uma época. Ele era luz, raio, estrela e luar. Iaiá e ioiô. Li crônicas e artigos botando o defunto no lugar onde nunca jamais esteve quando vivo. É muito oportunismo, muita safadeza.

Restam poucos como ele. A maioria dos artistas respira com ajuda de aparelhos. Vou me repetir, mas repito: nossa cultura está morrendo, não temos mais aquela que foi uma das músicas mais lindas do mundo, seja Chico Buarque ou Odair José.

Os sobreviventes, eu incluído, palco ou plateia, temos pouquíssimo tempo a perder. Onde estão nossos menestréis, nossos compositores, nossos artistas? Vamos fazer em nossas mentes um show com todos eles? Ou cada um terá um rápido e espetacular velório? Eu quero aplaudir agora.

Uma espelunca chamada ONU

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/o-provocador/2012/02/07/uma-espelunca-chamada-onu/

A Organização das Nações Unidas nunca serviu pra nada. Mas a daí a se tornar abrigo para massacres e ditaduras é caso de sepultamento. Deviam entregar a sede aos sem-teto nova-iorquinos ou alugar para a Al-Qaeda, evitando intermediários.

De que adianta um Conselho de Segurança que praticamente endossa a chacina em curso na Síria? E não é o caso de atribuir exclusivamente a China e Rússia a responsabilidade pelo veto à resolução que condenava o governo genocida de Bashar Assad.

O chamado direito ao "voto negativo" dos membros permanentes do Conselho (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França) já foi usado por todos em em diversos moentos vergonhosos. E não vamos esquecer que o Brasil se absteve de votar quando de iniciativa semelhante em outubro de 2011.

Esse episódio é apenas mais uma das atrocidades chanceladas durante os piqueniques que os infames líderes mundiais promovem a cada novo encontro de desocupados.

A ONU sempre foi uma organização inútil para mediar conflitos internacionais. Quando não serviu simplesmente de base de apoio aos interesses norte-americanos, foi ridicularizada por moções recebidas com desprezo pelos países atingidos. Basta lembrar a arrogância com que Israel ignora as seguidas moções contra seus abusos contra palestinos.

Não passa de um circo inofensivo, ridículo até. Os Médicos Sem Fronteiras ou a Apae fazem mais pela humanidade do que esses embaixadores da nulidade.

A Vigilância Sanitária não vai tomar uma providência? Fechem aquela espelunca.

Vem aí mais um encontro de solitários no Campus Party

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/o-provocador/2012/01/31/vem-ai-mais-um-encontro-de-solitarios-no-campus-party/

Esse tal de Campus Party é uma das maiores provas de que a internet está transformando a humanidade num amontoado de nerds. Qual o sentido de percorrer quilômetros para se encafofar numa barraquinha apertada com a cara enfiada na tela de um lap top?

Até um acampamento de escoteiros é mais animado que esse encontro de gente estranha. Não basta o quanto já ficamos conectados (de forma doentia e preocupante, diga-se de passagem), ainda tem 7 mil indivíduos (ou “usuários”?) dispostos a ficar uma semana entocados num pavilhão? Para quê?

Bom, pelo menos assim essa turma sai de casa, né? E talvez seja a única oportunidade do ano para o acasalamento. Por esse ângulo eu posso entender tamanho entusiasmo por um programa tão chato.

E, claro, tem os viciados em games. Tarados mesmo. Eu internava todos num laboratório, para fins científicos. Ou transplante de órgãos, talvez. Eles nem dariam falta, já que só usam os dedos.

O evento entrou para o calendário oficial da cidade de São Paulo. Depois os paulistas reclamam da fama de caretas. Duvido que o Rio receberia tanto forasteiro branquelo e raquítico ao mesmo tempo.

A prefeitura poderia ao menos promover excursões da garotada por algumas das cracolândias agora espalhadas pela cidade. Teria um fundo terapêutico olhar de frente para aquilo com que se parecem.

Não é implicância minha, não. Estou preocupado, de verdade. Se pudesse, dava banho e  comprava uma dentadura para cada um. Depois mandava brincar na rua e quem sabe arrumar uns amigos. É muita solidão. Dói.

A Rita Lee não tem mais idade para ovelha negra

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/o-provocador/2012/01/30/a-rita-lee-nao-tem-mais-idade-para-ovelha-negra/

Rita Lee quis se aposentar em grande estilo, mas pagou de tia caduca. Ao xingar os PMs durante seu show em Sergipe, ela imaginava ser consagrada como a última roqueira do pacotinho. O máximo que conseguiu foi a solidariedade inútil de twitteiros insones.

Teria dado mais certo se ele fosse fazer um show gratuito para os desalojados do Pinheirinho. Muito mais gente aplaudiria seus palavrões, e talvez suas ofensas à polícia até fizessem algum sentido.

O rock morreu, bebê. E com ele, a rebeldia. Faz tempo. A idade pesa. E a galera está mais a fim de começar a dançar na balada de sábado. Nossa, nossa.

Usar um palco e um microfone como embaixada ou território livre exige muita responsabilidade. E um discurso minimamente relevante. É um ato de coragem. O que a tia Rita fez foi covardia. Chilique.

Imagina se aquela plateia não fosse composta de garotos anestesiados por substâncias soníferas? Se levassem a sério o rompante da ex-roqueira e decidissem enfrentar a sétima cavalaria? Era isso que a dona Rita almejava? Ou foi só síndrome de pânico de quem não consegue mais enfrentar multidões?

Nunca saberemos. Mas era uma grande oportunidade para a cantora se retirar em grande estilo. Deixar saudades de suas cantigas que jamais foram subversivas e, quem sabe, se  despedir na boa. Ela não tem mais idade para ser a ovelha negra da família.

Que o bom senso prevaleça e o governo arquive as acusações de desacato e apologia ao crime. Rita Lee não é uma marginal. Se for, está inimputável. Sempre pertenceu à nata da música brasileira. Não tem herdeiros. Deixem o rock brasileiro descansar em paz.

Mulher agora usa uniforme de biscate

Original: http://noticias.r7.com/blogs/o-provocador/2011/12/12/mulher-agora-usa-uniforme-de-biscate/

Estou ficando velho. Ou meu senso estético se aprimorou com o tempo. O que eu acho é que a moda para mulheres virou uma biscatice prêt-à-porter. A maioria das moçoilas cismou de usar uniforme de vadia.

Sei. Vou parecer um misógino falocrata, uma azêmola moralista, um beócio reacionário, um brucutu. Podem procurar no dicionário, estou dizendo coisas horríveis sobre mim mesmo. Admito que não foi fácil chegar a essa conclusão.

Sim, estou generalizando. Ok, me refiro àquelas produções das minas para baladas, festas e barzinhos. Nos ambientes corporativos e em alguns velórios a situação ainda não é tão crítica. Ainda. Há exceções.

Não aguento mais ver todas as moças bonitas ou feias ou medianas se vestindo como bailarinas do Faustão, marias-chuteiras, rainhas de bateria ou garotas de programa. Seja no show sertanejo, na churrascada de domingo ou no aniversário da prima. Tá dominado.

Estou falando sério. Podem me detonar. Eu adoro mulher, juro, apesar de usar piercing. E quebro o pescoço quando passa uma deusa na rua. Mas o fato é que a sensualidade feminina virou sinônimo de vulgaridade.

Prestem atenção, principalmente nas beldades mais jovens. Elas se vestem igual, parece uma clonagem, um surto coletivo, uma epidemia, uma lavagem cerebral. Ser sexy, libidinosa, visualmente disponível, agora é a regra.

A farda da mulherada tem um item inegociável: saias curtas, muito curtas, curtíssimas. Ou vestidos, shortinhos, sei lá. Pernas à mostra, com ou sem celulite. E bustos, e costas, e braços. Todas as curvas e retas precisam estar dentro do campo de visão dos transeuntes. Isso é vertigem.

Até no inverno esse padrão se impõe, graças às leggings e meias-calças de lã. “Biscate não sente frio” vai substituir “Ordem e Progresso” na bandeira nacional. Seremos a pátria das patricinhas? Ou o país das panicats?

Sim, porque o que muda é a qualidade e o preço dos poucos tecidos. Essa ascensão do corte das roupas não mais distingue classes sociais. Peruas e periguetes, tanto faz. E o governo não toma nenhuma providência!

Existe uma regra básica, meninas: mostrou uma parte do corpo, segura o resto. Não tem falha. Os marmanjos vão salivar discretamente, até por que babar é muito feio. Escancarou? O selvagem sexto sentido dos homens elimina os cinco anteriores. Nessa hora, ninguém presta.

É uma feira, uma exposição, uma gincana. Um Big Brother, uma Fazenda. Um açougue. Que a Sabrina Sato se vista do jeito dela, eu entendo, ela é paga para isso, merece cada centavo. Mulherão. Profissional.

Mas qual o cachê que as humanas mortais esperam receber ao final de um espetáculo exibicionista que se perde na multidão? Cadê plateia pra tanto show?

Foi para isso que as mulheres se rebelaram contra séculos de opressão? Rebeldia agora é ser discreta e elegante. Tem coisa mais bonita que a noiva nua e o seu véu?

Sexualidade é um diamante muito íntimo. Um corpo bonito merece ser procurado, escavado, explorado. Conquistado. Nenhum tesouro fica exposto a céu aberto.

Quer dar? Dê-se ao respeito. O primeiro beijo é na mão.