JotaPêAh!

Leão tetraplégico Ariel morre em SP

Veja o texto original aqui.

 

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O leão tetraplégico Ariel, de 3 anos, que mobilizou uma corrente de solidariedade na internet, morreu na tarde desta quarta-feira (27). Ele sofria de uma doença degenerativa autoimune não identificada e passava por acompanhamento médico em São Paulo.

Segundo Raquel Ferreira Borges da Silva, sua proprietária, "foi feito tudo por ele". Chorando, ela diz que "ele nunca mais vai sofrer". "Fará muita falta, mas vai viver sempre em nossos corações."

O felino sofreu uma crise convulsiva nesta terça e apresentou acumulo de líquido ao redor do pulmão.

A plasmaférese, método terapêutico que permite separar elementos do sangue, como o plasma, que contém os anticorpos produzidos pelas doenças autoimunes, começou a ser ministrada por veterinários na semana passada. O material era proveniente de doações de sangue de leões do Parque Ecológico da Americana e do Zoológico de Piracicaba, ambos no interior de São Paulo.

Desde a semana passada, o leão foi submetido a três sessões, o que o desgastou.

Agora, o corpo do animal será levado para a Universidade de São Paulo (USP), onde passará por necrópsia. Depois, será levado para Maringá (PR), para ser enterrado. Ainda não há data para que isso aconteça.

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Erro de continuidade em Nárnia 1: A Táhbatah pessoa

Lendo os erros do filme As Crônicas de Nárnia: O leão, a feiticieria e o guarda-roupa (aqui), e vendo o filme, para comprovar se é erro mesmo ou não.

Estou escrevendo uma mensagem para o site com minhas observações, quando me deparo com a seguinte situação:

 

36. Durante a brincadeira de esconde-esconde, a personagem Susan está com um vestido comprido e se esconde dentro de um baú. Na seqüência, aparecem Lucy e Edmund correndo para lá e para cá tentando se esconder. Contudo, apesar de Susan já estar escondida dentro do baú, aparecem os pés e a barra do vestido dela ainda correndo, buscando um lugar para se esconder. (Contribuição de Thais – SP – Fã de Carteirinha)

Ao ver a cena, percebo que há muito mais entre o céu e a terra…..

Então, prestem atenção nestas imagens:

lúcia

Essa é Lúcia, com seu vestido marrom.

 

susana

Essa é Susana, com sua saia quadriculada.

 

tahbatah pessoa

E essa é a pessoa que aparece correndo para se esconder, logo após a cena da Susana entrando no bau.

 

Não é a Lúcia, nem a Susana.

 

ONFS.

 

É a táhbatah pessoa, então.

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Aslan’s Meditation (2/11): Rocha Sólida

Autora: Hannah Dokupil

Textos Bíblicos conforme Nova Tradução na Linguagem de Hoje

 

Esta é a segunda parte, de onze, da nossa série sobre 2 Pedro 1:5-8.

Por isso mesmo façam todo o [esforço] possível para juntar a bondade à fé que vocês têm. À bondade juntem o conhecimento e ao conhecimento, o domínio próprio. Ao domínio próprio juntem a perseverança e à perseverança, a devoção a Deus. A essa devoção juntem a amizade cristã e à amizade cristã juntem o amor. Pois são essas as qualidades que vocês precisam ter. Se vocês as tiverem e fizerem com que elas aumentem, serão cada vez mais ativos e produzirão muita coisa boa como resultado do conhecimento que vocês têm do nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Nesta parte, vamos olhar para a primeira qualidade listada: a fé.

Há uma razão para a fé estar em primeiro lugar na lista. Em Hebreus diz que sem fé ninguém pode agradar a Deus, porque quem vai a ele precisa crer que ele existe e que recompensa os que procuram conhecê-lo melhor. Hebreus 11:6.

Isso é muito poderoso. Esse versículo diz que sem fé é impossível agradar a Deus. IMPOSSÍVEL.

Fé é a nossa fundação, é o que permanece verdadeiro, quando nada mais é. Você pode olhar para todas as outras qualidades listadas – a bondade, o conhecimento, o domínio próprio, a perseverança, a devoção a Deus – todas são grandes qualidades, mas você não pode reter nenhuma delas.

Fé… fé é fácil quando você sente. É fácil ter fé em Deus quando você o vê agindo. Mas o que não é tão fácil é ter fé quando você não a sente – mesmo sendo o centro da fé – acreditar, mesmo quando você não vê.

Eu já passei por momento na minha vida quando não senti Deus. Eu não o vejo agindo e não sinto que esteja adorando, e não importa o que eu faça, é como se eu estive fazendo sozinha.

De fato, a semana passada esteve provavelmente na lista das semanas mais “pela fé” que eu experimentei.

Lembro de uma frase de Elizabeth Elliot que diz: “Fé nao é um sentimento. É uma ação, uma escolha voluntária.”

Só porque eu não sinto Deus, não quer dizer que ele não esteja comigo. Mas ele está,  e é por isso que eu coloquei minha fé nele, dizendo: “Deus, eu não sinto sua presença agora, mas eu te vi agindo no passado, e eu sei que você está comigo.”

Um sermão na minha igreja foi particularmente inpactante, e eu nunca esqueci. A premissa era “não se esqueça, na escuridão, que você viu a luz”.

Quando a sua fé é abalada, quando você não pode ver, a coisa mais importante é se lembrar como Deus falou com você na luz. Nunca, jamais esqueça uma circunstância em que você viu Deus.

Mesmo em Hebreus 11:1, por definição, a fé é a “certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.”

Esperança é uma palavra maravilhosa, não acha? É uma palavra cheia de… bem, esperança. É incrível o que a pesperctiva de esperança fará até mesmo com a mais terrível das circunstâncias, e este verso diz que a fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos.

Mas, o que é esperança, mesmo?

Romanos 8:25 diz: “Pois foi por meio da esperança que fomos salvos. Mas, se já estamos vendo aquilo que esperamos, então isso não é mais uma esperança. Pois quem é que fica esperando por alguma coisa que está vendo? Porém, se estamos esperando alguma coisa que ainda não podemos ver, então esperamos com paciência.”

Uau! Isso é poderoso – para mim, é um lembrete constante de esperar com alegria em Cristo, quando eu não entendo, por causa da esperança que eu tenho em meu Senhor e Salvador.

Essa é a nossa fundação, o alicerce para tudo em nossa vida cristã.

Lúcia sempre foi uma das minhas personagens favoritas na série de Nárnia, por várias razões – uma delas é a fé. De todos os Pevensie, Lúcia é a que mantém uma fé inabalável em Aslan, de que ele é Todo-Poderoso e que virá sempre.

À medida que crescemos, a fé se torna cada vez mais difícil – porque quanto mais aprendemos sobre o mundo, mais ele tenta nos distrair de Cristo. Eu vejo isso acontecendo com a Lúcia, a mais notável nos filmes.

Em LFG, é fácil para Lúcia ter fé em Aslan. Ele é grande, forte, poderoso, e ela está vivendo em uma espécie de mundo de sonho. Nárnia foi uma nova descoberta,  ela era uma pequena criança, e esse foi apenas o começo de suas aventuras lá. Eu vejo muita da minha infância na Lúcia de LFG. Despreocupada, feliz, mas forte, fiel – que caracteriza muito da infância de crianças que cresceram na proteção de lares cristãos. Sem saber muito sobre o mundo, mas vivendo a fé simples, infantil.

Em Príncipe Caspian, ela está um pouco mais velha. E embora ela não tenha dúvidas sobre Aslan e sua fé não vacile, ela está relutante em abandonar os outros e seguir Aslan. Ela acredita que ele está lá, mas estava com muito medo de segui-lo sozinha. Eu vejo isso em mim mesma quando eu estava no ensino médio: tentando me ajustar, mas ainda tentando agarrar minha fé e aquilo em que acredito. Conhecendo um pouco mais do mundo, e de repetente, hesitante ou não, você quer que o mundo saiba sobre sua fé.

E finalmente, em Peregrino da Alvorada, vemos Lúcia tendo oportunidade de colocar em prática aquilo em que ela depositou sua fé. Ela tentou duramente com as tentações para se tornar bonita, ainda acreditando em Aslan com toda sua força, mas lutando para equilibrar sua crença com como exatamente deve viver as etapas de sua vida.

Que tipo de fé somos chamados a ter?

Mateus 10:16 diz: “Escutem! Eu estou mandando vocês como ovelhas para o meio de lobos. Sejam espertos como as cobras e sem maldade como as pombas.”

Somos chamados a ter uma fé simples, infantil, mas com a sabedoria de quem é mais velho e mais sábio.

Mas nós não podemos passar todo esse texto falando sobre fé sem falar sobre o objeto de nossa fé. Até agora falamos sobre ter fé em Jesus Cristo – mas eu acho beleza no fato de que nossa fé é somente em Jesus Cristo.

Cristo é nosso rei. É neste Rei que colocamos nossa fé. É dele que nossa esperança vem. Não é apenas um pensamento mesquinho, ideia, ou algo que uma vez ouvimos falar. O Deus do universo, o criador de tudo, te abraça com ternura na palma de Sua mão – é o único em quem depositamos essa confiança.

O meu desejo para você essa semana é que você dê aquele salto de fé. Mantenha as preciosas verdades que você sabe, que você viu na luz. Nós acreditamos em um Salvador que é muito mais bonito, poderoso e amoroso que qualquer coisa neste mundo. Ele é o objeto de nossa fé, a certeza da nossa esperança, aquele em quem podemos confiar totalmente, em cada aspecto de nosso vida.

Fonte: http://www.aslanscountry.com/2011/01/aslans-meditations-solid-rock/

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O Leão e o dragão – VPA

Olhei e vi a última coisa que esperava ver: um enorme leão avançando para mim. E era estranho porque, apesar de não haver lua, por onde o leão passava havia luar.

Foi chegando, chegando. E eu, apavorado. Você talvez pense que eu, sendo um dragão, poderia derrubar a fera com a maior facilidade. Mas não era esse tipo de medo. Não temia que me comesse, mas tinha medo dele… não sei se está entendendo o que quero dizer… Chegou pertinho de mim e me olhou nos olhos. Fechei os meus, mas não adiantou nada, porque ele me disse que o seguisse…

– Falava?

– Agora que você está me perguntando, não sei mais. Mas, de qualquer maneira, dizia coisas. E eu sabia que tinha de fazer o que me dizia, porque me levantei e o segui. Levou-me por um caminho muito comprido, para o interior das montanhas. E o halo sempre lá envolvendo-o. Finalmente chegamos ao alto de uma montanha que eu nunca vira antes, no cimo da qual havia um jardim. No meio do jardim havia uma nascente de água. Vi que era uma nascente porque a água brotava do fundo, mas era muito maior do que a maioria das nascentes – parecia uma grande piscina redonda, para a qual se descia em degraus de mármore.

Nunca tinha visto água tão clara e achei que se me banhasse ali talvez passasse a dor na pata. Mas o leão me disse para tirar a roupa primeiro. Para dizer a verdade, não sei se falou em voz alta ou não. Ia responder que não tinha roupa, quando me lembrei que os dragões são, de certo modo, parecidos com as serpentes, e estas largam a pele. “Sem dúvida alguma é o que ele quer”, pensei.

Assim, comecei a esfregar-me, e as escamas começaram a cair de todos os lados. Raspei ainda mais fundo e, em vez de caírem as escamas, começou a cair a pele toda, inteirinha, como depois de uma doença ou como a casca de uma banana. Num minuto, ou dois, fiquei sem pele. Estava lá no chão, meio repugnante. Era uma sensação maravilhosa. Comecei a descer à fonte para o banho. Quando ia enfiando os pés na água, vi que estavam rugosos e cheios de escamas como antes.
“Está bem”, pensei, “estou vendo que tenho outra camada debaixo da primeira e também tenho de tirá-la”. Esfreguei-me de novo no chão e mais uma vez a pele se descolou e saiu; deixei-a então ao lado da outra e desci de novo para o banho. E aí aconteceu exatamente a mesma coisa. Pensava: “Deus do céu! Quantas peles terei de despir?” Como estava louco para molhar a pata, esfreguei-me pela terceira vez e tirei uma terceira pele. Mas ao olhar-me na água vi que estava na mesma.

Então o leão disse (mas não sei se falou): “Eu tiro a sua pele”. Tinha muito medo daquelas garras, mas, ao mesmo tempo, estava louco para ver-me livre daquilo. Por isso me deitei de costas e deixei que ele tirasse a minha pele. A primeira unhada que me deu foi tão funda que julguei ter me atingido o coração. E quando começou a tirar-me a pele senti a pior dor da minha vida. A única coisa que me fazia agüentar era o prazer de sentir que me tirava a pele. É como quem tira um espinho de um lugar dolorido. Dói pra valer, mas é bom ver o espinho sair.

– Estou entendendo – disse Edmundo.

– Tirou-me aquela coisa horrível, como eu achava que tinha feito das outras vezes, e lá estava ela sobre a relva, muito mais dura e escura do que as outras. E ali estava eu também, macio e delicado como um frango depenado e muito menor do que antes. Nessa altura agarrou-me – não gostei muito, pois estava todo sensível sem a pele – e atirou-me dentro da água. A princípio ardeu muito, mas em seguida foi uma delícia. Quando comecei a nadar, reparei que a dor do braço havia desaparecido completamente. Compreendi a razão. Tinha voltado a ser gente. Você vai me achar um cretino se disser o que senti quando vi os meus braços. Não são mais musculosos do que os de Caspian, eu sei que não são muito musculosos, nem se podem comparar com os de Caspian, mas morri de alegria ao vê-los. Depois de certo tempo, o leão me tirou da água e vestiu-me.

– Como?… Com as patas?

– Não me lembro muito bem. Sei lá, mas me vestiu com uma roupa nova, esta aqui. É por isso que eu digo: acho que foi um sonho.

– Não, não foi sonho, não – disse Edmundo.

– Por quê?

– Primeiro: a roupa nova serve de prova. Segundo: você deixou de ser dragão… Acho que você viu Aslam.

– Aslam! – exclamou Eustáquio. -Já ouvi falar nesse nome uma porção de vezes, desde que estou no Peregrino. Tinha a impressão – não sei por quê – de que o odiava. Mas eu odiava tudo. Aliás, quero pedir-lhe desculpas. Acho que me comportei muito mal.

– Não tem a menor importância. Cá para nós, você foi menos chato do que eu na minha primeira viagem a Nárnia. Você apenas foi um pouco boboca, mas eu banquei o traidor.

– Bem, então não se fala mais nisso. Mas… quem é Aslam? Você o conhece?

– Ele, pelo menos, me conhece. É o grande Leão, filho do Imperador de Além-mar. Salvou a mim e a Nárnia. Nós todos o vimos. Lúcia sempre o vê. Pode ser que tenhamos chegado ao país de Aslam.

Nenhum dos dois falou durante algum tempo. Desaparecera a última estrela. Não viam o sol, mas sabiam que este surgia, pois tanto o céu quanto a baía em frente se tingiam de cor-de-rosa.

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A vitória da Feiticeira

Logo que acabaram de amarrar Aslam à Mesa de Pedra (mas tão amarrado que mais parecia um novelo), fez-se silêncio. Quatro bruxas, aos quatro cantos da mesa, erguiam seus fachos. A feiticeira desnudou os braços, como fizera na noite anterior com Edmundo. Depois, começou a afiar o facão. Quando o brilho do facho caiu sobre ele, Susana e Lúcia acharam que o facão era de pedra e não de aço, e tinha uma forma esquisita e nada agradável.

Por fim a feiticeira aproximou-se. Parou junto da cabeça do Leão. Seu rosto vibrava e contorcia-se de ódio. O dele, sempre calmo, olhava para o céu, com uma expressão que não era nem de ira, nem de medo, um pouco triste apenas. Um momento antes de desferir o golpe, a feiticeira inclinou-se e disse, vibrando com a voz:

– Quem venceu, afinal? Louco! Pensava com isso poder redimir a traição da criatura humana?!

Vou matá-lo, no lugar do humano, como combinamos, para sossegar a Magia Profunda. Mas, quando estiver morto, poderei matá-lo também.

Quem me impedirá? Quem poderá arrancá-lo de minhas mãos? Compreenda que você me entregou Nárnia para sempre, que perdeu a própria vida sem ter salvo a vida da criatura humana. Consciente disso, desespere e morra.

As meninas não chegaram a ver exatamente este último momento. Tinham tapado os olhos.

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A bondade dourada – SM

De repente (nunca souberam como aconteceu), foi como se a face de Aslam se tornasse um mar de ouro no qual flutuavam; inexprimível força e ternura passavam por eles e por dentro deles; e sentiram que jamais na vida haviam sido realmente felizes, bons ou sábios, nem mesmo vivos e despertos, até aquele momento. A lembrança desse instante permaneceu com eles para sempre; enquanto viveram, se alguma vez se sentiam tristes, amedrontados ou irados, a lembrança daquela bondade dourada retornava, dando-lhes a certeza de que tudo estava bem. E sabiam que podiam encontrá-la ali perto, numa esquina ou atrás de uma porta.

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A lágrima do Leão

Até aquele instante, só olhara para as patas do Leão; agora, com o desespero, olhou-o nos olhos. O que viu o surpreendeu mais do que qualquer outra coisa. Pois a face castanha estava inclinada perto do seu próprio rosto e (maravilha das maravilhas) grandes lágrimas brilhavam nos olhos do Leão. Eram lágrimas tão grandes e tão brilhantes, comparadas às de Digory, que por um instante sentiu que o Leão sofria por sua mãe mais do que ele próprio.

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O leão

– Silêncio! – bradou o cocheiro.

No escuro, finalmente, alguma coisa começava a acontecer. Uma voz cantava. Muito longe. Nem mesmo era possível precisar a direção de onde vinha. Parecia vir de todas as direções, e Digory chegou a pensar que vinha do fundo da terra. Certas notas pareciam a voz da própria terra. O canto não tinha palavras. Nem chegava a ser um canto. De qualquer forma, era o mais belo som que ele já ouvira. Tão bonito que chegava a ser quase insuportável.

– Meu Deus! – exclamou o cocheiro. – Não é uma beleza?

E duas coisas maravilhosas aconteceram ao mesmo tempo.

Uma: outras vozes reuniram-se à primeira, e era impossível contá-las. Vozes harmonizadas à primeira, mais agudas, vibrantes, argênteas.

Outra: a escuridão em cima cintilava de estrelas. Elas não chegaram devagar, uma por uma, como fazem nas noites de verão. Um momento antes, nada havia lá em cima, só a escuridão; num segundo, milhares e milhares de pontos de luz saltaram, estrelas isoladas, constelações, planetas, muito mais reluzentes e maiores do que em nosso mundo. Não havia nuvens. As novas estrelas e as novas vozes surgiram exatamente ao mesmo tempo. Se você tivesse visto e ouvido aquilo, tal como Digory, teria tido a certeza de que eram as estrelas que estavam cantando e que fora a Primeira Voz, a voz profunda, que as fizera aparecer e cantar.

– Louvado seja! – disse o cocheiro. – Se eu soubesse que existiam coisas assim, teria sido um homem muito melhor.

A Voz na terra estava agora mais alta e triunfante, mas as vozes no céu, depois de entoar com ela por algum tempo, tornaram-se mais suaves.

Longe, perto da linha do horizonte, o céu se acinzentava. Movia-se uma aragem leve e refrescante. O céu naquele ponto tornava-se gradualmente mais pálido. Já se viam formas de colinas recortadas contra ele. E a Voz continuava a cantar.

A luminosidade agora já era suficiente para que se vissem. O cocheiro e as crianças estavam de boca aberta e olhos acesos: bebiam o som, o som que parecia lembrar-lhes alguma coisa. Mas a feiticeira olhava como se, de algum modo, entendesse mais daquela música do que ninguém. De boca fechada, lábios contraídos, punhos cerrados, desde que a canção começara, sentia que aquele mundo se enchia de uma magia diferente da sua, e mais forte. E ela a detestava. Teria, se pudesse, esmagado aquele mundo, todos os mundos, só para interromper o canto.

O céu do oriente passou de branco para rosa, e de rosa para dourado. A voz subiu, subiu, até que todo o ar vibrou com ela. E quando atingiu o mais potente e glorioso som que já havia produzido, o sol nasceu.

A terra tinha muitas cores – cores novas, quentes e brilhantes, que faziam a gente exaltar… Até que se visse o próprio Cantor. Então, todo o resto seria esquecido.

Era um Leão. Enorme, peludo e luminoso, ele estava de frente para o sol que nascia. Com a boca aberta em pleno canto, ali estava ele, a menos de trezentos metros de distância.

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O início

O que aqui se conta aconteceu há muitos anos, quando vovô ainda era menino. É uma história da maior importância, pois explica como começaram as idas e vindas entre o nosso mundo e a terra de Nárnia.

Naqueles tempos, Sherlock Holmes ainda vivia em Londres e as escolas eram ainda piores que as de hoje. Mas os doces e os salgadinhos eram muito melhores e mais baratos; só não conto para não dar água na boca de ninguém.

…………….

O Leão abriu a boca, mas não produziu nenhum som: estava soprando, um sopro prolongado e cálido. O sopro parecia balançar os animais todos, como o vento balança uma fileira de árvores. Lá em cima, além do véu de céu azul que as esconde, as estrelas cantaram novamente: uma música pura, gelada, difícil. Depois, vindo do céu ou do próprio Leão, surgiu um clarão feito fogo (mas que não queimou nada). As duas crianças sentiram o sangue gelar-lhes nas veias. A voz mais profunda e selvagem que jamais haviam escutado estava dizendo:

– Nárnia, Nárnia, desperte! Ame! Pense! Fale! Que as árvores caminhem! Que os animais falem! Que as águas sejam divinas!

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