Aslan’s Meditations (5/11): Conhecer a Cristo

Autora: Hannah Dokupil

Bem vindos a parte 5 da nossa série Construindo Sobre a Rocha, baseada em 2 Pedro 1:5-8.

Para ver os artigos anteriores, clique aqui.

 

Por isso mesmo façam todo o [esforço] possível para juntar a bondade à que vocês têm. À bondade [virtude] juntem o conhecimento e ao conhecimento, o domínio próprio. Ao domínio próprio juntem a perseverança e à perseverança, a devoção a Deus. A essa devoção juntem a amizade cristã e à amizade cristã juntem o amor. Pois são essas as qualidades que vocês precisam ter. Se vocês as tiverem e fizerem com que elas aumentem, serão cada vez mais ativos e produzirão muita coisa boa como resultado do conhecimento que vocês têm do nosso Senhor Jesus Cristo.

O artigo dessa semana é mais curto, focado na palavra conhecimento. É realmente impressionante como Deus tem trabalhado coisas diferentes na minha vida como no artigo dessa semana.

Essa semana tive a oportunidade de viajar para fora do estado para competição de discursos e debates que durou quase a semana inteira.

Discursos e competições de debates são coisas estranhas. Você passa a maior parte da semana se preparando para isso – reescrevendo casos para debates, reescrevendo (ou rascunhando, mesmo) discursos, decorando discursos, e dormindo menos que as pessoas sãs. Então você é levado para dentro da algazarra de dezenas de pessoas com terno e gravata, palestras, debates, e menos tempo para dormir do que na semana anterior.

São o tipo de coisa que te colocam em interessantes estados de humor – hiper cansada, mas absolutamente maravilhada. Mas ao final de cada torneio, estou sempre em uma espécie de reverência com o quanto Deus tem trabalhado durante a semana. Neste torneio, no entanto, eu não fiz tão bem quanto eu esperava. Eu queria colocar em debate, e eu queria ficar entre os três melhores, e eu não consegui.

Mas uma coisa que me surpreendeu grandemente foi o significado do que eu estou aprendendo.  Ou seja – o conhecimento.

Como provavelmente acontece com qualquer coisa que você estude, às vezes é difícil ver “o todo” daquilo que você está estudando. …

Não fazer tão bem quanto tinha planejado me ensinou várias coisas. Primeiro, me ensinou que eu preciso trabalhar mais. Que, se eu quero mais, preciso trabalhar mais. Mas também me ensinou o valor do que estou estudando. Porque eu estou estudando isso. Eu não estou praticando discursos e escrevendo casos para debates para ganhar uma competição. Estou fazendo isso para anunciar o evangelho.

Eu não sei como colocar em palavras o poder e a maravilha do que Deus falou comigo essa semana – que em tudo que faço, meu objetivo é um só. Pregar a Cristo. Que eu possa pregar a Cristo dando uma palestra sobre a palavra recompensa. Que eu possa pregar a Cristo enquanto debato sobre a legitimidade de um governo.

Ele deve crescer, e eu, diminuir.

Assim, o que conhecimento tem a ver com isso, e porque vem depois de virtude?

Semana passada falamos sobre virtude, e como ela se torna a máscara através da qual vemos o mundo. Mas depois aprendemos a ver o mundo através dos olhos de Deus.

1 Pedro 3:15 diz: “Tenham no coração de vocês respeito por Cristo e o tratem como Senhor. Estejam sempre prontos para responder a qualquer pessoa que pedir que expliquem a esperança que vocês têm.’”

Veja. É algo para se ver o mundo de uma certa maneira. Para orientar a sua vida de uma forma que seja agradável a Deus. Mas depois disso, Deus nos chama para uma outra etapa. Para conhecer. Para estudar sua palavra, para saber no que você acredita e porque acredita, e então, anunciar isso.

Romanos 1:16 “Eu não me envergonho do evangelho…”

Leia de novo.

Porque não me envergonho.

Para mim, isso está dizendo para mim que em todos aspectos da minha vida, eu vivo para proclamar meu Salvador.

Mas eu não posso anunciar o que eu não sei – e eu não posso colocar uma máscara para olhar o mundo através dos olhos de que eu não conheço.

É por isso que o conhecimento vem depois na lista.

2 Timóteo 2:15 “Faça todo o possível para conseguir a completa aprovação de Deus, como um trabalhador que não se envergonha do seu trabalho, mas ensina corretamente a verdade do evangelho.”

Eu cresci em um lar cristão, e eu tenho estudo a Bíblia e seus versículos desde que me lembro. E muitas vezes eu me pego pensando “sou como um bom cristão. Olhem todos esses versos que conheço. Olhe o quanto eu sei sobre Jesus”.

O que?

A Bíblia proclama uma e outra vez que Deus, o Seu conhecimento e poder é infinito, insondável e inacessível. Ele é poderoso de maneira que não posso compreender.

No entanto, ele nos chama para sermos santos. Para seguí-lo, conhecê-lo.

Esta semana o artigo foi um pouco menor que nas outras, mas espero que ele o desafie a conhecer mais a Cristo.  Olhe para as coisas que você faz na sua vida e como pode anunciar a Cristo neles.

Conhecer a Cristo e viver para Ele não é necessariamente estar nas ruas conversando com pessoas sobre Cristo (a menos que seja chamado para isso, é claro). Viver Cristo é viver o conhecimento do que Cristo fez por você.

Os personagens de Nárnia – Edmundo, Lúcia, Caspian, Eustáquio, Ripchip, etc. Já reparou como esses personagens orientaram suas vidas de acordo com o que sabiam sobre Aslan. Eles vivem dessa forma. Seus conhecimentos de Aslan caracteriza como suas vidas parecem.

Será que Cristo caracteriza o que sua vida parece?

Fonte: http://www.aslanscountry.com/2011/02/aslans-meditations-know-christ/

Anúncios

O fim do mundo–VPA

Ripchip era a única pessoa a bordo, além de Lúcia, Edmundo e Drinian, que notara o Povo do Mar. Mergulhou mal vira o rei agitar o tridente, pois lhe parecera uma espécie de ameaça ou desafio, e quisera tirar o caso a limpo. Com a excitação de descobrir que a água não era salgada, esquecera-se do que ia fazer e, antes de lembrar-se do Povo do Mar, Drinian e Lúcia tinham pedido a ele que não contasse nada do que vira.

Navegaram a manhã toda em águas baixas, com o fundo do mar coberto de capim. Perto do meio-dia, Lúcia viu um grande cardume volteando por entre a erva. Comiam com vontade e moviam-se na mesma direção. “Como um rebanho de ovelhas”, pensou Lúcia. De repente viu, entre os peixes, uma donzela do mar, mais ou menos da sua idade, calma e solitária, com uma espécie de cajado na mão. Lúcia teve a certeza de que era uma pastora – uma pastora de peixes – e que o cardume era um rebanho pastando. Estavam perto da superfície. No instante em que a menina se elevava na água pouco funda, Lúcia inclinou-se na beira do navio. A menina olhou para cima e fixou atentamente o rosto de Lúcia. A pastora mergulhou depois e Lúcia nunca mais a viu. Não parecia assustada, nem zangada, como os outros habitantes do mar. Lúcia simpatizara com ela, e a simpatia parecera recíproca. Tinham ficado amigas num minuto. Seria difícil um novo encontro, mas se isto acontecesse correriam uma para outra de braços abertos.

O Peregrino ia sendo levado para o Oriente por um mar sem ondas, sem sombra de vento ou de espuma na quilha. A luz era cada vez mais brilhante. Ninguém dormia ou comia, mas tiravam do mar baldes de água brilhante, mais forte do que o vinho e mais úmida e líquida do que a água comum, bebendo-a em grandes goles, em silêncio.

Dois marinheiros, que começaram a viagem já com certa idade, iam ficando cada vez mais novos. Todos a bordo estavam muito alegres e animados, mas uma animação silenciosa. Falavam às vezes, mas apenas por murmúrios. Apossara-se deles a placidez daquele mar derradeiro.

Um dia Caspian perguntou a Drinian:

– O que está vendo aí em frente?

– Tudo branco.

– É também o que vejo. Não faço idéia do que seja.

– Se estivéssemos numa latitude alta, diria que era gelo. Mas aqui não pode ser. Em todo o caso, acho melhor pôr os homens ao remo e agüentar o barco contra a corrente. Não podemos ir contra aquilo com esta velocidade.

Começaram a navegar lentamente. A brancura não desvendou seu mistério quando se aproximaram. Se era uma terra, devia ser uma terra muito estranha, pois parecia tão macia quanto a água e no mesmo nível desta.

Perto, Drinian virou o navio para o sul, de modo que ficasse com ele atravessado na corrente, e remou um pouco ao longo da orla branca de espuma. Descobriram que a corrente tinha apenas uns vinte metros de largura e que o resto do mar estava tão calmo quanto um lago. A tripulação alegrou-se imensamente com isso, pois todos pensavam que seria bem difícil a viagem de regresso ao país de Ramandu, remando contra a corrente durante o caminho todo.

Isso explicava por que a pastora desaparecera tão rapidamente. Não estava na corrente; se estivesse, teria se deslocado para leste com a mesma velocidade do navio. Mas ninguém conseguira ainda compreender o que era a coisa branca. Baixaram o bote e resolveram investigar. Os que ficaram a bordo do Peregrino viram o bote cortar pelo meio da brancura e ouviram as vozes dos tripulantes na água em calmaria. Houve uma pausa, enquanto Rinelfo, na proa do bote, lançava o prumo. Depois regressaram.

Apinharam-se todos na amurada, curiosos:

– São lírios! – gritou Rinelfo. – Como num tanque de jardim.

Lúcia ergueu os braços úmidos, cheios de pétalas brancas e de largas folhas espalmadas.

– Qual é a profundidade, Rinelfo? – perguntou Drinian.

– Aí é que está, capitão. Ainda é muito fundo.

– Não podem ser lírios, pelo menos não aquilo que chamamos de lírios – resmungou Eustáquio.

Provavelmente não eram, mas pareciam. Conferenciaram e lançaram o Peregrino na corrente, começando a deslizar para leste, pelo Lago dos Lírios ou Mar de Prata, e aí começou a parte mais estranha da viagem. O oceano largo que haviam deixado nada mais era do que uma estreita fita azul perdendo-se no horizonte.

O mar parecia o Ártico e, se os olhos não tivessem se tornado tão agudos como os das águias, seria impossível suportar a visão daquela brancura, especialmente de manhã cedo. E a brancura, às tardes, fazia durar mais a luz do dia. Os lírios pareciam não ter fim. Dias e dias, elevava-se daquelas léguas de flores um odor que Lúcia achava quase impossível descrever: doce, sim, mas não estonteante, nem extremamente perfumado, um odor fresco, selvagem, solitário. Parecia entrar no cérebro e dar a sensação de que se pode galgar montanhas ou brigar com elefantes. Dizia:

– Sinto que não posso mais agüentar isso e, no entanto, não quero que acabe.

Fizeram muitas sondagens, mas só alguns dias mais tarde a água se tornou menos funda. A profundidade foi então diminuindo. Até que um dia tiveram de sair da corrente e avançar a passo de caracol para sondarem o caminho por onde seguiam. Tornou-se claro que o Peregrino não podia navegar mais para o Oriente, e só devido a manobras hábeis conseguiram evitar que encalhasse.

– Desçam o bote – gritou Caspian. – Depois chamem os homens cá para cima.

– Que vai fazer? – perguntou Eustáquio a Edmundo em voz baixa. – Ele está com uma expressão esquisita.

– Acho que estamos todos com a mesma expressão – respondeu Edmundo.

Juntaram-se a Caspian na popa, e toda a tripulação reuniu-se na base da escada para ouvir a palavra do rei.

– Amigos – disse Caspian. – Chegamos ao fim da nossa missão. Encontramos os sete fidalgos e, como Sir Ripchip jurou não voltar, sem dúvida que acharão acordados os fidalgos da ilha de Ramandu. Entrego-lhe, lorde Drinian, este navio, com a recomendação de navegarem com a maior velocidade possível para Nárnia e de não pararem na Ilha da Água da Morte. Recomende a Trumpkin, meu regente, que dê a todos os meus companheiros de viagem as recompensas que lhes prometi. São bem merecidas. Se eu nunca mais voltar, é meu desejo que o regente, o Mestre Cornelius, Caça-trufas, o Texugo, e o lorde Drinian escolham um rei para Nárnia.

– Senhor – interrompeu Drinian –, vai abdicar?

– Vou com Ripchip ver o Fim do Mundo.

Um murmúrio abafado de desagrado brotou entre os marinheiros.

– Levaremos o bote – disse Caspian. – Não precisam dele nestes mares tão calmos e podem fazer outro na terra de Ramandu.

– Caspian – disse Edmundo, rápida e gravemente –, não pode fazer isso!

– Não pode, senhor, não pode! – confirmou Drinian.

– Não posso? – disse Caspian, com dureza, parecendo por um instante seu tio Miraz.

– Perdão, Majestade – disse Rinelfo, lá embaixo no convés –, mas se algum de nós fizesse o mesmo isto se chamaria desertar.

– Você está abusando demais dos seus grandes serviços, Rinelfo – disse Caspian.

– Senhor, ele tem razão – disse Drinian.

– Pela juba de Aslam! Achava que eram todos meus súditos e não meus chefes!

– Não sou seu súdito – falou Edmundo. – E também sou de opinião de que não pode fazer isso.

– Outra vez não pode! – exclamou Caspian. – Afinal, o que querem dizer com não pode?

– Se me permite, Majestade – interveio Ripchip, curvando-se numa profunda reverência –, queremos dizer que não fará. Não pode lançar-se em aventuras como qualquer um. Se Vossa Majestade não nos atender, os homens mais fiéis ver-se-ão obrigados a desarmá-lo e prendê-lo, até que recobre o bom senso.

– De acordo – disse Edmundo. – Como Ulisses quando quis chegar perto das sereias.

A mão de Caspian já segurava a espada quando Lúcia disse:

– Prometeu à filha de Ramandu que voltaria… Caspian deteve-se. Depois gritou para todo o navio:

– Ganharam! A questão está encerrada. Voltaremos todos. Puxem outra vez o bote.

– Senhor – disse Ripchip –, não voltaremos todos. Como já expliquei antes…

– Silêncio! – trovejou Caspian. -Já recebi minhas lições. Não há ninguém que faça calar esse rato?

– Vossa Majestade prometeu ser um bom rei para todos os Animais Falantes de Nárnia – disse Ripchip.

– Para os Animais Falantes, sim. Não para os animais que falam o tempo todo.

Precipitou-se pela escada enraivecido, batendo com a porta do camarote. Mais tarde, deram com ele completamente mudado. Estava pálido e tinha lágrimas nos olhos.

– Não valeu a pena ter-me irritado tanto. Aslam falou comigo. Não quero dizer que esteve aqui, nem caberia no meu camarote. Mas aquela cabeça de leão ali na parede tomou vida e falou comigo. Foi terrível com aqueles olhos. Não estava muito zangado, apenas a princípio um pouco severo. Foi horrível de qualquer modo. Disse… Oh! Não podia ter dito coisa que doesse mais! Vocês vão continuar: Rip, Edmundo, Lúcia, Eustáquio. Tenho de voltar, sozinho. Haverá coisa pior do que isso?

– Meu bom Caspian – disse Lúcia –, você sabia que mais cedo ou mais tarde teríamos de voltar para o nosso mundo…

– Mas nunca pensei que fosse tão cedo – suspirou Caspian.

– Vai sentir-se melhor quando estiver na terra de Ramandu – disse a garota.

Caspian animou-se um pouco mais, porém a separação era dura para ambas as partes e não insisto em descrevê-la.

Cerca de duas horas mais tarde, bem aprovisionados (apesar de acharem que não precisariam comer ou beber), e levando a bordo o bote de Ripchip, o bote maior afastou-se do Peregrino pelo tapete de lírios.

O Peregrino desfraldou todas as suas bandeiras e dependurou todos os escudos, em honra à partida dos amigos. Antes de perdê-lo de vista, viram-no voltar-se e dirigir-se lentamente para o Ocidente.

Lúcia derramou algumas lágrimas, mas não sentiu tanto quanto você pode pensar. A luz, o silêncio, o odor inebriante do Mar de Prata, a própria solidão eram muito emocionantes.

Não precisavam remar, pois a corrente os impelia continuamente. Nenhum deles comeu ou bebeu. Durante toda aquela noite e no dia seguinte foram arrastados para o Oriente. Na manhã do terceiro dia – aquela claridade seria insuportável para nós, mesmo com óculos escuros – viram a maravilha. Era como se entre eles e o céu se erguesse uma parede cinzento-esverdeada, tremente, vaporosa.

Depois nasceu o sol, e seus primeiros raios, vistos através da parede, transformaram-se num deslumbrante arco-íris. Compreenderam que a parede era de fato uma enorme onda caindo sem cessar, sempre no mesmo lugar, e produzindo a mesma sensação de quando se olha da beira de uma cachoeira. Parecia ter seiscentos metros de altura, e a corrente os fazia deslizar rapidamente na direção dela.

Fortalecidos pelas águas do Mar Derradeiro, agora podiam fitar o sol nascente e distinguir coisas além dele. A oriente, além do sol, viam uma cadeia de montanhas, tão altas que seus cumes não eram visíveis. Deviam normalmente estar cobertas de gelo, mas eram verdes e quentes, com cascatas e florestas.

De súbito soprou uma brisa, franjando de espuma o alto da onda e enrugando a quietude das águas. Durou um segundo só, mas nenhuma das crianças jamais se esqueceu. Trouxe-lhes ao mesmo tempo um aroma e um som musical. Edmundo e Eustáquio nunca mais quiseram tocar no assunto. Lúcia apenas podia articular:

– Era de cortar o coração.

– Por quê? – perguntei eu. – Era assim tão triste?

– Triste nada!

Nenhum dos que se encontravam no bote duvidava de estar vendo, além do Fim do Mundo, a terra de Aslam.

No mesmo momento, com um ruído cavo, o bote encalhou. Não havia fundura suficiente.

– Daqui em diante – falou Ripchip – continuo sozinho.

Nem sequer tentaram impedi-lo, pois sentiam que parecia estar tudo destinado de antemão ou que já acontecera anteriormente. Ajudaram-no a descer o bote pequenino. Então, puxou a espada:

– Não preciso mais dela! – E lançou-a para o mar de lírios. Ao cair, ficou virada para cima, com o punho aparecendo sobre a água. Despediu-se deles, tentando parecer triste, mas estremecia de felicidade. Lúcia, pela primeira e última vez, fez o que sempre desejou fazer: tomou Rip nos braços e o acariciou. Depois, depressa, o rato pulou para o botezinho e saiu remando, ajudado pela corrente, muito escuro entre o branco dos lírios. O bote foi andando cada vez mais rápido, até que entrou triunfalmente por uma onda. Durante um escasso segundo viram Ripchip no topo da onda, depois desapareceu. Desde então ninguém mais ouviu nada sobre Ripchip, o Rato. Acredito que tenha chegado são e salvo ao país de Aslam e que lá vive até hoje.

Quando o sol nasceu, desvaneceu-se a visão das montanhas. As crianças saíram do bote e começaram a patinhar para o sul, com a parede de água à esquerda. Não sabiam por que fizeram assim; era o destino. Apesar de a bordo do Peregrino se sentirem muito crescidos, agora tinham a sensação contrária e davam-se as mãos entre os lírios.

Nunca se sentiram tão cansados. A água estava morna e era cada vez menos funda. Por fim, caminhavam na areia e depois na relva – por uma extensa planície de relva rasteira e bela, que se estendia em todas as direções, quase no mesmo nível do Mar de Prata.

Como sempre acontece em uma planura sem árvores, parecia que o céu se juntava com a relva, lá longe. Quando avançaram mais, tiveram a estranha sensação de que, pelo menos ali, o céu descia de fato e unia-se à terra – em uma parede muito azul, muito brilhante, mas real e concreta, parecendo vidro. Depois tiveram a certeza total. Estavam agora muito perto. Entre eles e a base do céu havia algo tão branco que, até mesmo com seus olhos de águia, dificilmente poderiam fitar. Continuaram e viram que era um cordeiro.

– Venham almoçar – disse o Cordeiro na sua voz doce e meiga.

Notaram que ardia sobre a relva uma fogueira, na qual se fritava peixe. Sentaram-se e comeram, sentindo fome pela primeira vez desde muitos dias. E aquela comida era a melhor de todas as que haviam provado.

– Por favor, Cordeiro – disse Lúcia –, é este o caminho para o país de Aslam?

– Para vocês, não – respondeu o Cordeiro. – Para vocês, o caminho de Aslam está no seu próprio mundo.

– No nosso mundo também há uma entrada para o país de Aslam? – perguntou Edmundo.

– Em todos os mundos há um caminho para o meu país – falou o Cordeiro. E, enquanto ele falava, sua brancura de neve transformou-se em ouro quente, modificando-se também sua forma. E ali estava o próprio Aslam, erguendo-se acima deles e irradiando luz de sua juba.

– Aslam! – exclamou Lúcia. – Ensine para nós como poderemos entrar no seu país partindo do nosso mundo.

– Irei ensinando pouco a pouco. Não direi se é longe ou perto. Só direi que fica do lado de lá de um rio. Mas nada temam, pois sou eu o grande Construtor da Ponte. Venham. Vou abrir uma porta no céu para enviá-los ao mundo de vocês.

– Por favor, Aslam – disse Lúcia –, antes de partirmos, pode dizer-nos quando voltaremos a Nárnia? Por favor, gostaria que não demorasse…

– Minha querida – respondeu Aslam muito docemente –, você e seu irmão não voltarão mais a Nárnia.

– Aslam! – exclamaram ambos, entristecidos.

– Já são muito crescidos. Têm de chegar mais perto do próprio mundo em que vivem.

– Nosso mundo é Nárnia – soluçou Lúcia. – Como poderemos viver sem vê-lo?

– Você há de encontrar-me, querida – disse Aslam.

– Está também em nosso mundo? – perguntou Edmundo.

– Estou. Mas tenho outro nome. Têm de aprender a conhecer-me por esse nome. Foi por isso que os levei a Nárnia, para que, conhecendo-me um pouco, venham a conhecer-me melhor.

– E Eustáquio voltará lá? – indagou Lúcia.

– Criança! – disse Aslam. – Para que deseja saber mais? Venha, vou abrir a porta no céu.

No mesmo instante, abriu-se uma fenda na parede azul, como se uma cortina fosse rasgada, e uma luz impressionante brotou do lado de lá do céu, e sentiram a juba e um beijo de Aslam na testa. E encontraram-se no quarto dos fundos da casa da tia Alberta.

Só falta falar de duas coisas. Uma: Caspian e os seus homens chegaram a salvo à Ilha da Estrela, onde os quatro fidalgos já tinham acordado. Foram todos para Nárnia, e Caspian casou-se com a filha de Ramandu, que se tornou uma grande rainha, mãe e avó de grandes reis. Outra: de volta ao nosso mundo, toda gente começou a dizer que Eustáquio estava melhorando muito e que não parecia o mesmo rapaz. Todos gostaram disso, menos a tia Alberta. Ela achava que Eustáquio se tornara um garoto muito comum e enfadonho, talvez devido à influência dos primos.

Fim do Vol. V

Nárnia: o mundo e o país

Nárnia é o nome tanto de um mundo quanto o de um país pertencente a esse mundo.

O mundo de Nárnia é paralelo ao nosso e pode ser acessado de qualquer lugar ou momento, de maneira imprevisível. Ele tem formato plano, o céu é uma grande cúpula e é banhado por um oceano, que segue até a borda desse mundo, no País de Aslam.

Nárnia também é o nome do principal país desse mundo, seu território vai do Ermo do Lampião, onde Lúcia encontrou-se com o Sr. Tumnus (em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa), até o Palácio de Cair Paravel, na Foz do Grande Rio, onde foram coroados como reis os irmãos Pevensie.

Ao norte de Nárnia, do outro lado do Rio Ruidoso, existe uma região habitada por gigantes. Antes havia uma cidade, mas foi destruída, permanecendo apenas o Castelo de Harfang. Ao sul de Nárnia está localizada a Arquelândia, um país irmão cujos habitantes são descendentes do primeiro rei de Nárnia, o Rei Franco. Logo abaixo, separada por um imenso deserto, fica a Calormânia. Sua capital, Tashbaan, é instalada em uma ilha no litoral. A população deste país possui características próximas aos povos árabes. Existe também, abaixo de Nárnia, um grupo de cavernas que compõem o Reino Profundo e, mais abaixo, um país chamado Bismo.

No oceano do mundo de Nárnia existem diversas ilhas que foram descobertas por Caspian X na viagem com o navio Peregrino da Alvorada. Ao chegar ao extremo, a água do mar torna-se doce e depois um tapete de lírios, até chegar ao País de Aslam, que é uma referência ao Céu — destino final do homem, segundo a fé de Lewis.

(Trecho do livro Manual da Viagem do Peregrino da Alvorada)

Fonte: http://www.mundonarnia.com/portal/narnia-o-mundo-e-o-pais.html

Os que ficaram em nosso mundo

A família Pevensie

Lúcia, Edmundo, Susana e Pedro aparecem no livro O Leão, a Feiticeira e
o Guarda-roupa sem um sobrenome. Somente depois de se passarem dois
livros, em A Viagem do Peregrino da Alvorada é que aparece o sobrenome
Pevensie.

Pevensey é o nome de um local na costa sudoeste da Inglaterra, com
um castelo medieval por onde passaram importantes personagens da
história inglesa.

Em A Viagem do Peregrino da Alvorada o Sr. Pevensie, pai de nossos
heróis, havia conseguido uma vaga como professor nos Estados Unidos,
durante quatro meses, e levou a esposa e a filha Susana. Pedro estava
com o professor Kirke. Lúcia e Edmundo ficam hospedados na casa dos
tios.

Susana Pevensie é a segunda filha da família Pevensie. É
apenas citada em A Viagem do Peregrino da Alvorada. Ela viveu com seus
irmãos duas aventuras em Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa
e Príncipe Caspian, e, por causa da idade, não voltaria a Nárnia com
seu irmão Pedro.

Pedro Pevensie é o irmão mais velho. Assim como Susana,
Pedro é apenas citado em A Viagem do Peregrino da Alvorada e não
participa da aventura com seus irmãos. Estava se preparando para um
exame e tendo aulas particulares com o professor Kirke.

Professor Kirke

Foi o primeiro humano, junto com a garota Polly Plummer, a chegar em
Nárnia. Digory Kirke aparece na história da criação de Nárnia, em O
Sobrinho do Mago, e depois de adulto é quem acolhe os irmãos Pevensie
durante a Guerra. Um guarda-roupa que fez com o tronco de uma macieira
nascida de uma semente das terras de Nárnia foi o portal de entrada
para Lúcia, Edmundo, Susana e Pedro na aventura de O Leão, a Feiticeira
e o Guarda-roupa. Em A Viagem do Peregrino da Alvorada é apenas citado,
não mora mais em uma mansão no interior, mas em um chalé, e auxilia
Pedro como professor particular.

O nome do personagem e algumas de suas características foram montados
em homenagem ao professor particular de Lewis na adolescência, William
Kirkpatrick.

Tios Alberta e Arnaldo

Pais de Eustáquio Mísero e tios dos irmãos Pevensie. São apenas citados
em A Viagem do Peregrino da Alvorada. Descritos como pessoas modernas,
de ideias abertas e vegetarianos.

Margarida e Ana

Amigas de Lúcia que foram visualizadas por ela enquanto folheava o livro de mágicas de Coriakin.

Visite MundoNarnia.com em: http://meu.mundonarnia.com/?xg_source=msg_mes_network
 

Sete coisas que você precisa saber sobre Aslam

Hoje a mensagem do dia traz a você uma lista de informações essenciais sobre o
nosso querido leão Aslam:

(1) Aslam é o único personagem a participar dos
sete livros, porém não foi o primeiro a ser criado. C. S. Lewis certa vez
comentou sobre como surgiu a ideia para criar Aslam: “Eu não sei de onde veio o
Leão ou a que veio, mas uma vez que estava lá, ele puxou consigo toda a
história”.

(2) O Grande Leão não é o governante de Nárnia, sua presença
está num nível superior. O reinado fica por conta dos Filhos de Adão e das
Filhas de Eva (humanos que ele mesmo escolhe).

(3) “Então ele é um tipo
de deus?!” — você pode perguntar. Aslam possui características sobrenaturais – é
um ser divino. Aparece sempre nos momentos mais dramáticos para ajudar as
crianças e os narnianos. E ele também possui um pai, o Imperador de Além Mar.
Essa figura não aparece em nenhuma história, apenas é citado e reverenciado. Em
uma interpretação cristã, Aslam seria o Cristo (chamado na Bíblia também como o
Filho de Deus) e o Imperador de Além Mar seria Deus Pai.

(4) No livro O
Sobrinho do Mago é Aslam quem cria Nárnia e suas criaturas, também é quem a
destrói, em A Última Batalha, e leva todos para o País de Aslam.

(5) Em A
Viagem do Peregrino da Alvorada sua intervenção não é diferente e ele aparece em
diversos momentos e formas:
– para curar Eustáquio da maldição que o tornou
um dragão;
– para quebrar o encanto da Ilha da Água da Morte;
– junto ao
“Feitiço para tornar visíveis as coisas ocultas”;
– como um albatroz para
guiar o navio para longe da Ilha Negra;
– no camarote de Caspian para chamar
a atenção dele quanto à responsabilidade que tinha em seu reino;
– e como um
cordeiro, no final da história.

(6) “Aslan” é uma palavra turca que
significa leão e era usada no nome de alguns reis, nas dinastias Seljúcida e
Otomana. Na Bíblia, Jesus é chamado Leão da tribo de Judá, referenciando sua
soberania sobre os povos.

(7) O leão é também símbolo de força para os
babilônicos e representado em sua arte de forma alada, com asas. Também muito
utilizado na arte heráldica, da simbologia dos brasões, como ícone de força,
coragem e nobresa.

Visite MundoNarnia.com em: http://meu.mundonarnia.com/?xg_source=msg_mes_network

O poder de criação de Aslam x poder de destruição de Jadis

A Feiticeira Branca era muito poderosa, não somente pela força física e tamanho (por ser descendente de gigantes), mas por conhecer a fundo a magia. Não lhe bastava vir de uma família de reis, Jadis queria um poder que superasse qualquer outra força do universo. Ela encontrou em Aslam um opositor perpétuo e desejava desde o início destruí-lo.

“De repente a feiticeira caminhou ostensivamente na direção do Leão. Este se aproximava, sempre cantando, com passos lentos e pesados. Estava a menos de dez metros. Ela ergueu o braço e arremeteu a barra de ferro bem na sua cabeça.
Ninguém (muito menos Jadis) erraria àquela distancia. A barra acertou o Leão bem entre os olhos e caiu na relva. O Leão continuou a caminhar: seu passo não era nem mais lento nem mais apressado do que antes. Nem mesmo era possível afirmar que fora atingido. Embora não fizesse barulho ao andar, dava para sentir o seu peso, enquanto se aproximava.
A feiticeira deu um berro e correu, desaparecendo entre as árvores.”
O Sobrinho do Mago, capítulo 9

Aslam mostrou-se mais forte do que qualquer coisa que Jadis tivesse enfrentado. Seus antigos opositores foram exterminados pela Palavra Execrável. Agora, de frente a um leão (mesmo forte, não deixava de ser uma mera criatura – segundo o pensamento da Feiticeira), ela estava ameaçada e precisava de alguma forma livrar-se desse adversário.

Depois do sumiço na floresta, Jadis reaparece para tentar Digory quando ele vai buscar uma semente de uma macieira especial para plantar em Nárnia. Por não conseguir vencer o Leão, a Feiticeira agora busca ao menos destruir os seus queridos. Essa perseguição às crianças segue com Edmundo e, para a Feiticeira Verde (no livro A Cadeira de Prata), Rilian – o filho de Caspian.

Jadis adquire também um poder mágico que é a versão contrária ao dom de Aslam. Na criação, Aslam aparece cantando e todo aquele universo e criaturas tomam vida. Em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, ela transforma em pedra qualquer um que a desafia.

Na tradição judaico-cristã, Deus cria o homem do barro e lhe dá vida por meio de seu sopro. É evidente que C. S. Lewis inspirou-se nessa linguagem simbólica para que Nárnia fosse criada a partir do “fôlego” de Aslam. Já o maléfico poder de transformar os narnianos em pedra seria a retirada desse fôlego, que é a presença do grande Leão neles.

Quando Aslam criou Nárnia, fez tudo bom. As criaturas mitológicas presentes, mesmo com temperamentos difíceis, viviam em um ambiente de paz e harmonia. Jadis chegou por acidente àquele mundo e trouxe consigo todo o mal. No período em que ela reinou em Nárnia, quem estava ao seu lado na verdade tinha medo de virar pedra. Ou seja, a Feiticeira não tinha aliados, apenas súditos medrosos.

O que é mal sempre será mal, não dá para se fazer de outra forma. A ausência do fôlego de Aslam representa a morte, virar pedra. Se somos criaturas de base boa, mesmo limitadas, temos o potencial de fazer o bem, não há sentido de buscarmos o caminho do mal.

Não se engane, Jadis não tem interesse em aliados! Ela quer apenas súditos e pode transformar qualquer um em pedra.

Para aplicar à sua vida hoje essa mensagem, independente de sua visão do bem e do mal, reveja de qual lado você está e onde quer chegar. O que apenas lhe digo é que o único destino final para o caminho do mal é tornar-se pedra.

Sérgio Fernandes
Publicitário, criador do fã-clube Mundo Nárnia e escritor do livro Manual da Viagem do Peregrino da Alvorada.
E-mail: falecom@sergiofernandes.com.br