JotaPêAh!

Aslan’s Meditations (5/11): Conhecer a Cristo

Autora: Hannah Dokupil

Bem vindos a parte 5 da nossa série Construindo Sobre a Rocha, baseada em 2 Pedro 1:5-8.

Para ver os artigos anteriores, clique aqui.

 

Por isso mesmo façam todo o [esforço] possível para juntar a bondade à que vocês têm. À bondade [virtude] juntem o conhecimento e ao conhecimento, o domínio próprio. Ao domínio próprio juntem a perseverança e à perseverança, a devoção a Deus. A essa devoção juntem a amizade cristã e à amizade cristã juntem o amor. Pois são essas as qualidades que vocês precisam ter. Se vocês as tiverem e fizerem com que elas aumentem, serão cada vez mais ativos e produzirão muita coisa boa como resultado do conhecimento que vocês têm do nosso Senhor Jesus Cristo.

O artigo dessa semana é mais curto, focado na palavra conhecimento. É realmente impressionante como Deus tem trabalhado coisas diferentes na minha vida como no artigo dessa semana.

Essa semana tive a oportunidade de viajar para fora do estado para competição de discursos e debates que durou quase a semana inteira.

Discursos e competições de debates são coisas estranhas. Você passa a maior parte da semana se preparando para isso – reescrevendo casos para debates, reescrevendo (ou rascunhando, mesmo) discursos, decorando discursos, e dormindo menos que as pessoas sãs. Então você é levado para dentro da algazarra de dezenas de pessoas com terno e gravata, palestras, debates, e menos tempo para dormir do que na semana anterior.

São o tipo de coisa que te colocam em interessantes estados de humor – hiper cansada, mas absolutamente maravilhada. Mas ao final de cada torneio, estou sempre em uma espécie de reverência com o quanto Deus tem trabalhado durante a semana. Neste torneio, no entanto, eu não fiz tão bem quanto eu esperava. Eu queria colocar em debate, e eu queria ficar entre os três melhores, e eu não consegui.

Mas uma coisa que me surpreendeu grandemente foi o significado do que eu estou aprendendo.  Ou seja – o conhecimento.

Como provavelmente acontece com qualquer coisa que você estude, às vezes é difícil ver “o todo” daquilo que você está estudando. …

Não fazer tão bem quanto tinha planejado me ensinou várias coisas. Primeiro, me ensinou que eu preciso trabalhar mais. Que, se eu quero mais, preciso trabalhar mais. Mas também me ensinou o valor do que estou estudando. Porque eu estou estudando isso. Eu não estou praticando discursos e escrevendo casos para debates para ganhar uma competição. Estou fazendo isso para anunciar o evangelho.

Eu não sei como colocar em palavras o poder e a maravilha do que Deus falou comigo essa semana – que em tudo que faço, meu objetivo é um só. Pregar a Cristo. Que eu possa pregar a Cristo dando uma palestra sobre a palavra recompensa. Que eu possa pregar a Cristo enquanto debato sobre a legitimidade de um governo.

Ele deve crescer, e eu, diminuir.

Assim, o que conhecimento tem a ver com isso, e porque vem depois de virtude?

Semana passada falamos sobre virtude, e como ela se torna a máscara através da qual vemos o mundo. Mas depois aprendemos a ver o mundo através dos olhos de Deus.

1 Pedro 3:15 diz: “Tenham no coração de vocês respeito por Cristo e o tratem como Senhor. Estejam sempre prontos para responder a qualquer pessoa que pedir que expliquem a esperança que vocês têm.’”

Veja. É algo para se ver o mundo de uma certa maneira. Para orientar a sua vida de uma forma que seja agradável a Deus. Mas depois disso, Deus nos chama para uma outra etapa. Para conhecer. Para estudar sua palavra, para saber no que você acredita e porque acredita, e então, anunciar isso.

Romanos 1:16 “Eu não me envergonho do evangelho…”

Leia de novo.

Porque não me envergonho.

Para mim, isso está dizendo para mim que em todos aspectos da minha vida, eu vivo para proclamar meu Salvador.

Mas eu não posso anunciar o que eu não sei – e eu não posso colocar uma máscara para olhar o mundo através dos olhos de que eu não conheço.

É por isso que o conhecimento vem depois na lista.

2 Timóteo 2:15 “Faça todo o possível para conseguir a completa aprovação de Deus, como um trabalhador que não se envergonha do seu trabalho, mas ensina corretamente a verdade do evangelho.”

Eu cresci em um lar cristão, e eu tenho estudo a Bíblia e seus versículos desde que me lembro. E muitas vezes eu me pego pensando “sou como um bom cristão. Olhem todos esses versos que conheço. Olhe o quanto eu sei sobre Jesus”.

O que?

A Bíblia proclama uma e outra vez que Deus, o Seu conhecimento e poder é infinito, insondável e inacessível. Ele é poderoso de maneira que não posso compreender.

No entanto, ele nos chama para sermos santos. Para seguí-lo, conhecê-lo.

Esta semana o artigo foi um pouco menor que nas outras, mas espero que ele o desafie a conhecer mais a Cristo.  Olhe para as coisas que você faz na sua vida e como pode anunciar a Cristo neles.

Conhecer a Cristo e viver para Ele não é necessariamente estar nas ruas conversando com pessoas sobre Cristo (a menos que seja chamado para isso, é claro). Viver Cristo é viver o conhecimento do que Cristo fez por você.

Os personagens de Nárnia – Edmundo, Lúcia, Caspian, Eustáquio, Ripchip, etc. Já reparou como esses personagens orientaram suas vidas de acordo com o que sabiam sobre Aslan. Eles vivem dessa forma. Seus conhecimentos de Aslan caracteriza como suas vidas parecem.

Será que Cristo caracteriza o que sua vida parece?

Fonte: http://www.aslanscountry.com/2011/02/aslans-meditations-know-christ/

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Edmundo ou Eustáquio: qual o pior erro?

Após ter sido curado por Aslam, Eustáquio se encontrou primeiramente com Edmundo e lhe contou o ocorrido. O encontro dos dois personagens foi proposital para Lewis, os dois garotos tinham histórias parecidas, tiveram suas vidas transformadas em Nárnia e era importante que naquele momento só quem realmente experimentou da redenção de Aslam poderia compreender o outro.

Eustáquio estava constrangido pelo que tinha feito anteriormente e pediu desculpas a Edmundo, mas ele lhe respondeu:

— Não tem a menor importância. Cá entre nós, você foi menos chato do que eu na minha primeira viagem a Nárnia. Você apenas foi um pouco boboca, mas eu banquei o traidor.

Estamos então diante de dois personagens de temperamento difícil, que deram trabalho aos outros e levaram um belo susto – o diálogo do traidor com o boboca. Se passaram, de certa forma, como vilões da história… MAS, o que muda tudo, é que tiveram sua história transformada.

Não podemos julgá-los de forma alguma pelos seus atos. A história deles teve começo, meio e fim. Por sorte o fim de um não foi morrer na Mesa de Pedra e o do outro não foi morrer como um dragão guardião de um tesouro.

Para Nárnia e para Aslam, não importa o que fizemos, mas o que somos hoje. Cada um precisou aprender de uma forma, alguns deram mais trabalho, outros já aprenderam facilmente, como foi com Lúcia. O importante é que Aslam está no controle, mesmo quando enfeitiçados por ilhas mágicas ou pelos nossos próprios equívocos, ele sempre nos socorre.

O pior erro não existe, existe sim o grande acerto! E depois de tudo o que passou, Eustáquio acertou muito, tenha a certeza.

Sérgio Fernandes
Publicitário, criador do fã-clube Mundo Nárnia e escritor do livro Manual da Viagem do Peregrino da Alvorada. E-mail: falecom@sergiofernandes.com.br

Fonte: http://www.mundonarnia.com/portal/edmundo-ou-eustaquio-qual-o-pior-erro.html

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Eustáquio: a conversão de um perseguidor

A trajetória de Eustáquio em A Viagem do Peregrino da Alvorada é muito parecida com a da figura bíblica de Paulo de Tarso. Ambos tinham o temperamento forte, perseguiam os que tinham uma fé diferente, o destino lhes deu um susto e acabaram por se tornar defensores daquilo que antes condenavam.

Paulo era um judeu culto, ligado ao grupo dos fariseus – que seguiam rigorosamente as tradições de sua religião e perseguiam um grupo novo que estava surgindo: os cristãos. Em uma dessas missões de perseguição aos cristãos, em Damasco, Jesus apareceu a ele numa luz e lhe disse: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Atos dos Apóstolos 9,1-22). Ele caiu do cavalo, ficou cego e precisou ficar uns dias na cidade até ser socorrido por um dos cristãos que o curou milagrosamente da cegueira. A história bíblica conta que no momento da cura saíram “escamas” de seus olhos. Depois disso, Paulo foi batizado e tornou-se um dos principais propagadores do Cristianismo, levando até o título de apóstolo (o único apóstolo que não conheceu Jesus “pessoalmente”).

Eustáquio era um pseudo-intelectual, gostava de ler livros instrutivos, mas queria mesmo era ver os animais mortos, espetados como peças de coleção. Seu prazer era perseguir os primos, principalmente porque detestava a tal “fé” que tinham em um mundo chamado Nárnia. Coitado! Acabou indo parar em Nárnia com eles e teve dias difíceis em alto-mar – até foi preso como escravo. Mesmo assim, isso não bastou para que melhorasse seu comportamento, permaneceu hostil até o fim, revoltado e fazendo questão de demonstrar seu ódio. Foi em uma das ilhas que o garoto recebeu a lição de sua vida, ao escapar de ajudar o grupo para dormir escondido, ele encontrou um tesouro, quis roubá-lo e transformou-se em um dragão. Quando se arrependeu de tudo o que fez, Aslam lhe socorreu e lhe tirou da condição de dragão, arrancando-lhe com as garras as escamas e o lavando com a água de um poço. Eustáquio mudou radicalmente de comportamento, tornou-se um verdadeiro Filho de Adão e foi herói na história de A Cadeira de Prata, mesmo não chegando a ser oficialmente um rei de Nárnia.

Essas duas histórias nos mostram o caminho de transformação para a vida de muitos – de perseguidor a defensor, de arrogante a misericordioso.  Passa-se pelo extremo do ódio, para o susto e depois a mudança.

Todos nós não nascemos perfeitos, sempre existe algo a ser melhorado – convertido. Alguns precisam passar pela dor de ter de tirar as escamas, outros já descobrem a mudança com mais facilidade e nem chegam a sofrer ou ter de “cair do cavalo”. Independente de como for o seu processo, o importante é chegar ao objetivo de melhorar a cada dia.

E que Aslam nos socorra no momento certo!

Sérgio Fernandes
Publicitário, criador do fã-clube Mundo Nárnia e escritor do livro Manual da Viagem do Peregrino da Alvorada. E-mail: falecom@sergiofernandes.com.br

Fonte: http://www.mundonarnia.com/portal/eustaquio-a-conversao-de-um-perseguidor.html

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Duas imagens de VPA em propaganda

O site japonês da Mitsubshi publicou duas pequenas imagens de Peregrino em uma propaganda de televisões com tecnologia 3D. Uma imagem é do Aslam e uma outra é do navio-título. Além disso, o site também postou um comercial da tal televisão 3D e algumas cenas do filme são mostradas – incluindo o Aslam saindo da tela de um jeito que dá vontade de apertá-lo e o Ripchip pirlimpinpando por toda parte.

VDT01    VDT02     aslam3d

 
Fonte: http://www.mundonarnia.com/portal/duas-imagens-de-vpa-em-propaganda.html
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Alerta sobre a existência de dragões fora de Nárnia

Cuidado: criaturas que cospem fogo não existem somente em Nárnia! Antes mesmo que Eustáquio tivesse se dado mal na Ilha do Dragão, o garoto já manifestava sintomas de “dragonisse”.

O malévolo primo era tão maldoso que sentia prazer em caçoar dos primos, fazia questão em irritá-los em seu período de hospedagem obrigatória em sua casa, os atacava com arrogância e palavras, em sua maioria, tão ofensivas e amargas que lhe saiam como chamas procurando algo a consumir.

Ser transformado em um dragão, para Eustáquio, não foi a grande novidade. Ao ver pelo reflexo o monstro que ele era, o maior choque foi perceber que já havia uma fera lá há mais tempo. Ele viu que sua forma de encarar a vida estava o deformando. E Aslam somente o curou depois dele passar dias na ilha reconhecendo os seus erros.

A lição de hoje: feche a boca e abra os olhos! Deixe esse fogo destruidor que sai de sua boca ser apagado. Não queime as pessoas ao seu redor com sua amargura. Se você está revoltado com algo, procure entender interiormente o que se passa antes de descontar nos outros. Aprenda a domesticar essa fera!

Sérgio Fernandes
Publicitário, criador do fã-clube Mundo Nárnia e escritor do livro Manual da Viagem do Peregrino da Alvorada. E-mail: falecom@sergiofernandes.com.br

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Nárnia: o mundo e o país

Nárnia é o nome tanto de um mundo quanto o de um país pertencente a esse mundo.

O mundo de Nárnia é paralelo ao nosso e pode ser acessado de qualquer lugar ou momento, de maneira imprevisível. Ele tem formato plano, o céu é uma grande cúpula e é banhado por um oceano, que segue até a borda desse mundo, no País de Aslam.

Nárnia também é o nome do principal país desse mundo, seu território vai do Ermo do Lampião, onde Lúcia encontrou-se com o Sr. Tumnus (em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa), até o Palácio de Cair Paravel, na Foz do Grande Rio, onde foram coroados como reis os irmãos Pevensie.

Ao norte de Nárnia, do outro lado do Rio Ruidoso, existe uma região habitada por gigantes. Antes havia uma cidade, mas foi destruída, permanecendo apenas o Castelo de Harfang. Ao sul de Nárnia está localizada a Arquelândia, um país irmão cujos habitantes são descendentes do primeiro rei de Nárnia, o Rei Franco. Logo abaixo, separada por um imenso deserto, fica a Calormânia. Sua capital, Tashbaan, é instalada em uma ilha no litoral. A população deste país possui características próximas aos povos árabes. Existe também, abaixo de Nárnia, um grupo de cavernas que compõem o Reino Profundo e, mais abaixo, um país chamado Bismo.

No oceano do mundo de Nárnia existem diversas ilhas que foram descobertas por Caspian X na viagem com o navio Peregrino da Alvorada. Ao chegar ao extremo, a água do mar torna-se doce e depois um tapete de lírios, até chegar ao País de Aslam, que é uma referência ao Céu — destino final do homem, segundo a fé de Lewis.

(Trecho do livro Manual da Viagem do Peregrino da Alvorada)

Fonte: http://www.mundonarnia.com/portal/narnia-o-mundo-e-o-pais.html

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Novo trailer de A Viagem do Peregrino da Alvorada

Fonte: http://www.mundonarnia.com/portal/veja-agora-o-novo-trailer.html

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Novo pôster de A Viagem do Peregrino da Alvorada

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Os que ficaram em nosso mundo

A família Pevensie

Lúcia, Edmundo, Susana e Pedro aparecem no livro O Leão, a Feiticeira e
o Guarda-roupa sem um sobrenome. Somente depois de se passarem dois
livros, em A Viagem do Peregrino da Alvorada é que aparece o sobrenome
Pevensie.

Pevensey é o nome de um local na costa sudoeste da Inglaterra, com
um castelo medieval por onde passaram importantes personagens da
história inglesa.

Em A Viagem do Peregrino da Alvorada o Sr. Pevensie, pai de nossos
heróis, havia conseguido uma vaga como professor nos Estados Unidos,
durante quatro meses, e levou a esposa e a filha Susana. Pedro estava
com o professor Kirke. Lúcia e Edmundo ficam hospedados na casa dos
tios.

Susana Pevensie é a segunda filha da família Pevensie. É
apenas citada em A Viagem do Peregrino da Alvorada. Ela viveu com seus
irmãos duas aventuras em Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa
e Príncipe Caspian, e, por causa da idade, não voltaria a Nárnia com
seu irmão Pedro.

Pedro Pevensie é o irmão mais velho. Assim como Susana,
Pedro é apenas citado em A Viagem do Peregrino da Alvorada e não
participa da aventura com seus irmãos. Estava se preparando para um
exame e tendo aulas particulares com o professor Kirke.

Professor Kirke

Foi o primeiro humano, junto com a garota Polly Plummer, a chegar em
Nárnia. Digory Kirke aparece na história da criação de Nárnia, em O
Sobrinho do Mago, e depois de adulto é quem acolhe os irmãos Pevensie
durante a Guerra. Um guarda-roupa que fez com o tronco de uma macieira
nascida de uma semente das terras de Nárnia foi o portal de entrada
para Lúcia, Edmundo, Susana e Pedro na aventura de O Leão, a Feiticeira
e o Guarda-roupa. Em A Viagem do Peregrino da Alvorada é apenas citado,
não mora mais em uma mansão no interior, mas em um chalé, e auxilia
Pedro como professor particular.

O nome do personagem e algumas de suas características foram montados
em homenagem ao professor particular de Lewis na adolescência, William
Kirkpatrick.

Tios Alberta e Arnaldo

Pais de Eustáquio Mísero e tios dos irmãos Pevensie. São apenas citados
em A Viagem do Peregrino da Alvorada. Descritos como pessoas modernas,
de ideias abertas e vegetarianos.

Margarida e Ana

Amigas de Lúcia que foram visualizadas por ela enquanto folheava o livro de mágicas de Coriakin.

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Sete coisas que você precisa saber sobre Aslam

Hoje a mensagem do dia traz a você uma lista de informações essenciais sobre o
nosso querido leão Aslam:

(1) Aslam é o único personagem a participar dos
sete livros, porém não foi o primeiro a ser criado. C. S. Lewis certa vez
comentou sobre como surgiu a ideia para criar Aslam: “Eu não sei de onde veio o
Leão ou a que veio, mas uma vez que estava lá, ele puxou consigo toda a
história”.

(2) O Grande Leão não é o governante de Nárnia, sua presença
está num nível superior. O reinado fica por conta dos Filhos de Adão e das
Filhas de Eva (humanos que ele mesmo escolhe).

(3) “Então ele é um tipo
de deus?!” — você pode perguntar. Aslam possui características sobrenaturais – é
um ser divino. Aparece sempre nos momentos mais dramáticos para ajudar as
crianças e os narnianos. E ele também possui um pai, o Imperador de Além Mar.
Essa figura não aparece em nenhuma história, apenas é citado e reverenciado. Em
uma interpretação cristã, Aslam seria o Cristo (chamado na Bíblia também como o
Filho de Deus) e o Imperador de Além Mar seria Deus Pai.

(4) No livro O
Sobrinho do Mago é Aslam quem cria Nárnia e suas criaturas, também é quem a
destrói, em A Última Batalha, e leva todos para o País de Aslam.

(5) Em A
Viagem do Peregrino da Alvorada sua intervenção não é diferente e ele aparece em
diversos momentos e formas:
– para curar Eustáquio da maldição que o tornou
um dragão;
– para quebrar o encanto da Ilha da Água da Morte;
– junto ao
“Feitiço para tornar visíveis as coisas ocultas”;
– como um albatroz para
guiar o navio para longe da Ilha Negra;
– no camarote de Caspian para chamar
a atenção dele quanto à responsabilidade que tinha em seu reino;
– e como um
cordeiro, no final da história.

(6) “Aslan” é uma palavra turca que
significa leão e era usada no nome de alguns reis, nas dinastias Seljúcida e
Otomana. Na Bíblia, Jesus é chamado Leão da tribo de Judá, referenciando sua
soberania sobre os povos.

(7) O leão é também símbolo de força para os
babilônicos e representado em sua arte de forma alada, com asas. Também muito
utilizado na arte heráldica, da simbologia dos brasões, como ícone de força,
coragem e nobresa.

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O poder de criação de Aslam x poder de destruição de Jadis

A Feiticeira Branca era muito poderosa, não somente pela força física e tamanho (por ser descendente de gigantes), mas por conhecer a fundo a magia. Não lhe bastava vir de uma família de reis, Jadis queria um poder que superasse qualquer outra força do universo. Ela encontrou em Aslam um opositor perpétuo e desejava desde o início destruí-lo.

“De repente a feiticeira caminhou ostensivamente na direção do Leão. Este se aproximava, sempre cantando, com passos lentos e pesados. Estava a menos de dez metros. Ela ergueu o braço e arremeteu a barra de ferro bem na sua cabeça.
Ninguém (muito menos Jadis) erraria àquela distancia. A barra acertou o Leão bem entre os olhos e caiu na relva. O Leão continuou a caminhar: seu passo não era nem mais lento nem mais apressado do que antes. Nem mesmo era possível afirmar que fora atingido. Embora não fizesse barulho ao andar, dava para sentir o seu peso, enquanto se aproximava.
A feiticeira deu um berro e correu, desaparecendo entre as árvores.”
O Sobrinho do Mago, capítulo 9

Aslam mostrou-se mais forte do que qualquer coisa que Jadis tivesse enfrentado. Seus antigos opositores foram exterminados pela Palavra Execrável. Agora, de frente a um leão (mesmo forte, não deixava de ser uma mera criatura – segundo o pensamento da Feiticeira), ela estava ameaçada e precisava de alguma forma livrar-se desse adversário.

Depois do sumiço na floresta, Jadis reaparece para tentar Digory quando ele vai buscar uma semente de uma macieira especial para plantar em Nárnia. Por não conseguir vencer o Leão, a Feiticeira agora busca ao menos destruir os seus queridos. Essa perseguição às crianças segue com Edmundo e, para a Feiticeira Verde (no livro A Cadeira de Prata), Rilian – o filho de Caspian.

Jadis adquire também um poder mágico que é a versão contrária ao dom de Aslam. Na criação, Aslam aparece cantando e todo aquele universo e criaturas tomam vida. Em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, ela transforma em pedra qualquer um que a desafia.

Na tradição judaico-cristã, Deus cria o homem do barro e lhe dá vida por meio de seu sopro. É evidente que C. S. Lewis inspirou-se nessa linguagem simbólica para que Nárnia fosse criada a partir do “fôlego” de Aslam. Já o maléfico poder de transformar os narnianos em pedra seria a retirada desse fôlego, que é a presença do grande Leão neles.

Quando Aslam criou Nárnia, fez tudo bom. As criaturas mitológicas presentes, mesmo com temperamentos difíceis, viviam em um ambiente de paz e harmonia. Jadis chegou por acidente àquele mundo e trouxe consigo todo o mal. No período em que ela reinou em Nárnia, quem estava ao seu lado na verdade tinha medo de virar pedra. Ou seja, a Feiticeira não tinha aliados, apenas súditos medrosos.

O que é mal sempre será mal, não dá para se fazer de outra forma. A ausência do fôlego de Aslam representa a morte, virar pedra. Se somos criaturas de base boa, mesmo limitadas, temos o potencial de fazer o bem, não há sentido de buscarmos o caminho do mal.

Não se engane, Jadis não tem interesse em aliados! Ela quer apenas súditos e pode transformar qualquer um em pedra.

Para aplicar à sua vida hoje essa mensagem, independente de sua visão do bem e do mal, reveja de qual lado você está e onde quer chegar. O que apenas lhe digo é que o único destino final para o caminho do mal é tornar-se pedra.

Sérgio Fernandes
Publicitário, criador do fã-clube Mundo Nárnia e escritor do livro Manual da Viagem do Peregrino da Alvorada.
E-mail: falecom@sergiofernandes.com.br

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Encontrando Nárnia em nosso mundo

Lúcia e Edmundo tiveram de ficar na casa dos tios Arnaldo e Alberta durante o tempo em que seus pais (e Susana) foram aos Estados Unidos – o pai tinha conseguido uma vaga de professor por quatro meses. Pedro ficou com o professor Kirke se preparando para um exame.

A nossa história começa numa tarde em que Edmundo e Lúcia aproveitavam juntos alguns minutos preciosos. Como é óbvio, falavam de Nárnia, nome do país secreto deles. Acho que quase todos nós temos um país secreto, que, para a maioria, é apenas um país imaginário. Edmundo e Lúcia eram bem mais felizes: o país secreto deles era verdadeiro. Já tinham até visitado Nárnia duas vezes, de verdade, não sonhando, nem brincando. É claro que tinham conseguido chegar lá por Magia, que é a única maneira de atingir Nárnia. E tinham prometido que lá voltariam algum dia. Assim, você pode imaginar como eles falavam de Nárnia, sempre que podiam.

Naquela tarde, estavam sentados na beira da cama no quarto de Lúcia, olhando para um quadro pendurado na parede — o único quadro de que gostavam em toda a casa.

(…)

— Ficar olhando para um navio de Nárnia sem poder chegar lá é pior ainda! — disse Edmundo.

— Olhar é sempre melhor do que nada — respondeu Lúcia. — E esse aí é um verdadeiro navio de Nárnia.

A Viagem do Peregrino da Alvorada, capítulo 1.

A monotonia da casa dos tios os levava ainda mais a lembrar de Nárnia. Eles sabiam que um dia voltariam para lá, conforme a promessa de Aslam, e o meio de se sentirem mais próximos daquele mundo mágico seria falarem das aventuras que viveram e imaginarem todas aquelas belas coisas que viram.

O quadro na parede, para eles, era de um navio de Nárnia. Contemplaram a pintura indo além da arte estática. Imaginaram para quantos lugares o navio viajou, o quão imenso era aquele mar e como seria a sua tripulação. E assim a magia se concretizou e foram levados para Nárnia…

Estes momentos iniciais da história de A Viagem do Peregrino da Alvorada não poderiam ser encarados por nós como apenas uma introdução feita por C. S. Lewis para explicar aos leitores o que aconteceu após o livro Príncipe Caspian. Eu, particularmente, considero que o primeiro e o último capítulo deveriam “andar no bolso” (ou no coração) de todos os fãs da série. Eles trazem o SEGREDO de Nárnia. As outras centenas de páginas trazem as histórias e mensagens, estes dois capítulos trazem, de forma única, a essência da obra.

Sobre o SEGREDO de Nárnia, pretendo falar ainda no futuro, conforme desenvolvermos mais os assuntos aqui.

O que este capítulo nos revela sobre a essência da obra de Nárnia é que Nárnia pode ser contemplada em nosso mundo.

Edmundo e Lúcia sentiam saudades daquele universo mágico e se consolavam com lembranças. Na língua grega, a palavra lembrança/memória se diz “anámnesis” (uma das variações para a língua portuguesa é a palavra “amnésia”, que é a falta de memória) e o seu sentido vai além do simples ato de se lembrar. Memória quer dizer reviver algo, tornar o ocorrido uma realidade objetiva para este momento. Quando os povos antigos celebravam a memória de algum fato histórico, era como se ele fosse renovado e naquela celebração estivessem experimentando novamente o que aconteceu. Por meio do quadro, um símbolo que lhes permitiu fazer memória, as crianças foram levadas a Nárnia.

O que gostaria de revelar a você hoje, como parte deste SEGREDO de Nárnia, é que podemos realmente encontrá-la em nosso mundo.

Acredito que você já tenha experimentado isso quando viu um lampião em uma praça ou uma estátua de um leão em algum monumento. Se naquela hora você fechasse os olhos, tenho certeza de que ouviria o som de flautas e cascos de faunos dançando ou um rugido.

Não se trata de “loucura” de fã, mas Lewis criou Nárnia com um sentido. E ele não escreveu à toa que tal experiência poderia ser vivida em nosso mundo.

Procure um lampião em sua cidade… Feche os olhos… E escute a voz de Aslam. Ele deve ter algo muito pessoal a lhe dizer.

Por Sérgio Fernandes
Publicitário, criador do fã-clube Mundo Nárnia e escritor do livro Manual da Viagem do Peregrino da Alvorada.
E-mail: falecom@sergiofernandes.com.br

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Aslam e o mar

“Tão altas quanto o meu espírito.
Ainda que, talvez, tão pequenas quanto a minha estatura.
Por que não haveríamos de chegar ao extremo oriental do mundo?
Que poderíamos encontrar lá? Espero encontrar o próprio país de Aslam!
É sempre do Oriente, através do mar, que o Grande Leão vem encontrar-se conosco.

Onde o céu e o mar se encontram,
Onde as ondas se adoçam,
Não duvide, Ripchip,
Que no Leste absoluto está
Tudo o que procura encontrar.”

Ripchip, em As Crônicas de Nárnia – A Viagem do Peregrino da Alvorada.

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O Leão e o dragão – VPA

Olhei e vi a última coisa que esperava ver: um enorme leão avançando para mim. E era estranho porque, apesar de não haver lua, por onde o leão passava havia luar.

Foi chegando, chegando. E eu, apavorado. Você talvez pense que eu, sendo um dragão, poderia derrubar a fera com a maior facilidade. Mas não era esse tipo de medo. Não temia que me comesse, mas tinha medo dele… não sei se está entendendo o que quero dizer… Chegou pertinho de mim e me olhou nos olhos. Fechei os meus, mas não adiantou nada, porque ele me disse que o seguisse…

– Falava?

– Agora que você está me perguntando, não sei mais. Mas, de qualquer maneira, dizia coisas. E eu sabia que tinha de fazer o que me dizia, porque me levantei e o segui. Levou-me por um caminho muito comprido, para o interior das montanhas. E o halo sempre lá envolvendo-o. Finalmente chegamos ao alto de uma montanha que eu nunca vira antes, no cimo da qual havia um jardim. No meio do jardim havia uma nascente de água. Vi que era uma nascente porque a água brotava do fundo, mas era muito maior do que a maioria das nascentes – parecia uma grande piscina redonda, para a qual se descia em degraus de mármore.

Nunca tinha visto água tão clara e achei que se me banhasse ali talvez passasse a dor na pata. Mas o leão me disse para tirar a roupa primeiro. Para dizer a verdade, não sei se falou em voz alta ou não. Ia responder que não tinha roupa, quando me lembrei que os dragões são, de certo modo, parecidos com as serpentes, e estas largam a pele. “Sem dúvida alguma é o que ele quer”, pensei.

Assim, comecei a esfregar-me, e as escamas começaram a cair de todos os lados. Raspei ainda mais fundo e, em vez de caírem as escamas, começou a cair a pele toda, inteirinha, como depois de uma doença ou como a casca de uma banana. Num minuto, ou dois, fiquei sem pele. Estava lá no chão, meio repugnante. Era uma sensação maravilhosa. Comecei a descer à fonte para o banho. Quando ia enfiando os pés na água, vi que estavam rugosos e cheios de escamas como antes.
“Está bem”, pensei, “estou vendo que tenho outra camada debaixo da primeira e também tenho de tirá-la”. Esfreguei-me de novo no chão e mais uma vez a pele se descolou e saiu; deixei-a então ao lado da outra e desci de novo para o banho. E aí aconteceu exatamente a mesma coisa. Pensava: “Deus do céu! Quantas peles terei de despir?” Como estava louco para molhar a pata, esfreguei-me pela terceira vez e tirei uma terceira pele. Mas ao olhar-me na água vi que estava na mesma.

Então o leão disse (mas não sei se falou): “Eu tiro a sua pele”. Tinha muito medo daquelas garras, mas, ao mesmo tempo, estava louco para ver-me livre daquilo. Por isso me deitei de costas e deixei que ele tirasse a minha pele. A primeira unhada que me deu foi tão funda que julguei ter me atingido o coração. E quando começou a tirar-me a pele senti a pior dor da minha vida. A única coisa que me fazia agüentar era o prazer de sentir que me tirava a pele. É como quem tira um espinho de um lugar dolorido. Dói pra valer, mas é bom ver o espinho sair.

– Estou entendendo – disse Edmundo.

– Tirou-me aquela coisa horrível, como eu achava que tinha feito das outras vezes, e lá estava ela sobre a relva, muito mais dura e escura do que as outras. E ali estava eu também, macio e delicado como um frango depenado e muito menor do que antes. Nessa altura agarrou-me – não gostei muito, pois estava todo sensível sem a pele – e atirou-me dentro da água. A princípio ardeu muito, mas em seguida foi uma delícia. Quando comecei a nadar, reparei que a dor do braço havia desaparecido completamente. Compreendi a razão. Tinha voltado a ser gente. Você vai me achar um cretino se disser o que senti quando vi os meus braços. Não são mais musculosos do que os de Caspian, eu sei que não são muito musculosos, nem se podem comparar com os de Caspian, mas morri de alegria ao vê-los. Depois de certo tempo, o leão me tirou da água e vestiu-me.

– Como?… Com as patas?

– Não me lembro muito bem. Sei lá, mas me vestiu com uma roupa nova, esta aqui. É por isso que eu digo: acho que foi um sonho.

– Não, não foi sonho, não – disse Edmundo.

– Por quê?

– Primeiro: a roupa nova serve de prova. Segundo: você deixou de ser dragão… Acho que você viu Aslam.

– Aslam! – exclamou Eustáquio. -Já ouvi falar nesse nome uma porção de vezes, desde que estou no Peregrino. Tinha a impressão – não sei por quê – de que o odiava. Mas eu odiava tudo. Aliás, quero pedir-lhe desculpas. Acho que me comportei muito mal.

– Não tem a menor importância. Cá para nós, você foi menos chato do que eu na minha primeira viagem a Nárnia. Você apenas foi um pouco boboca, mas eu banquei o traidor.

– Bem, então não se fala mais nisso. Mas… quem é Aslam? Você o conhece?

– Ele, pelo menos, me conhece. É o grande Leão, filho do Imperador de Além-mar. Salvou a mim e a Nárnia. Nós todos o vimos. Lúcia sempre o vê. Pode ser que tenhamos chegado ao país de Aslam.

Nenhum dos dois falou durante algum tempo. Desaparecera a última estrela. Não viam o sol, mas sabiam que este surgia, pois tanto o céu quanto a baía em frente se tingiam de cor-de-rosa.

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Magia ainda mais profunda

O sol dera a tudo uma aparência tão diferente, alterando de tal maneira as cores e as sombras, que por um momento não repararam na coisa de fato importante. Até que viram. A Mesa de Pedra estava partida em duas por uma grande fenda, que ia de lado a lado. E de Aslam, nem sombra.

– Oh! Oh! Oh! – gritaram as meninas, correndo para a mesa.

– Isso é demais! Podiam ao menos ter deixado o corpo em paz.

– Mas que coisa é essa? Ainda será magia?

– Magia, sim! – disse uma voz forte, pertinho delas. – Ainda é magia.

Olharam. Iluminado pelo sol nascente, maior do que antes, Aslam sacudia a juba (pelo visto, tinha voltado a crescer).

– Aslam! Aslam! – exclamaram as meninas, espantadas, olhando para ele, ao mesmo tempo as sustadas e felizes.

– Você não está morto?

– Agora, não.

– Mas você não é… um… um…? – Susana, trêmula, não teve a coragem de usar a palavra “fantasma”.

Aslam abaixou a cabeça dourada e lambeu-lhe a testa. O calor de seu bafo era de criatura viva.

– Pareço um fantasma?

– Não! Você está vivo! Oh, Aslam! – gritou Lúcia, e as duas meninas atiraram-se sobre ele com mil beijos.

– Mas explique tudo isso, por favor – disse Susana, ao recuperar um pouco da calma.

– Explico: a feiticeira pode conhecer a Magia Profunda, mas não sabe que há outra magia ainda mais profunda. O que ela sabe não vai além da aurora do tempo. Mas, se tivesse sido capaz de ver um pouco mais longe, de penetrar na escuridão e no silêncio que reinam antes da aurora do tempo, teria aprendido outro sortilégio. Saberia que, se uma vítima voluntária, inocente de traição, fosse executada no lugar de um traidor, a mesa estalaria e a própria morte começaria a andar para trás…

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A vitória da Feiticeira

Logo que acabaram de amarrar Aslam à Mesa de Pedra (mas tão amarrado que mais parecia um novelo), fez-se silêncio. Quatro bruxas, aos quatro cantos da mesa, erguiam seus fachos. A feiticeira desnudou os braços, como fizera na noite anterior com Edmundo. Depois, começou a afiar o facão. Quando o brilho do facho caiu sobre ele, Susana e Lúcia acharam que o facão era de pedra e não de aço, e tinha uma forma esquisita e nada agradável.

Por fim a feiticeira aproximou-se. Parou junto da cabeça do Leão. Seu rosto vibrava e contorcia-se de ódio. O dele, sempre calmo, olhava para o céu, com uma expressão que não era nem de ira, nem de medo, um pouco triste apenas. Um momento antes de desferir o golpe, a feiticeira inclinou-se e disse, vibrando com a voz:

– Quem venceu, afinal? Louco! Pensava com isso poder redimir a traição da criatura humana?!

Vou matá-lo, no lugar do humano, como combinamos, para sossegar a Magia Profunda. Mas, quando estiver morto, poderei matá-lo também.

Quem me impedirá? Quem poderá arrancá-lo de minhas mãos? Compreenda que você me entregou Nárnia para sempre, que perdeu a própria vida sem ter salvo a vida da criatura humana. Consciente disso, desespere e morra.

As meninas não chegaram a ver exatamente este último momento. Tinham tapado os olhos.

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A Magia Profunda – LFG

Pouco depois, era a própria feiticeira que aparecia no alto da colina, dirigindo-se sem hesitar para junto de Aslam. Os três, que nunca a tinham visto, sentiram um frio na barriga quando a olharam de frente. Alguns animais começaram a rosnar. Embora fizesse um sol magnífico, todos se sentiram gelados de repente. As únicas pessoas que pareciam estar absolutamente à vontade eram Aslam e a própria feiticeira. Estranho espetáculo: um rosto dourado e um rosto nevado… tão perto um do outro. Não que a feiticeira olhasse Aslam bem de frente. A Sra. Castor não deixou de reparar nisso.

– Há um traidor aqui, Aslam! – declarou a feiticeira.

Todos os presentes entenderam. Mas Edmundo, depois da conversa pela manhã e de tudo o mais, não deu bola. Continuou simplesmente a olhar para Aslam. Estava esnobando a feiticeira, e com razão.

– Não foi bem a você que ele ofendeu – disse Aslam.

– Já se esqueceu da Magia Profunda? – perguntou a feiticeira.

– Digamos que sim – replicou Aslam, solenemente. – Fale-nos da Magia Profunda.

– Falar-lhe da Magia Profunda?! Eu?! – disse a feiticeira, numa voz ainda mais aguda. – Falar-lhe do que está escrito nessa Mesa de Pedra aí ao lado? Falar-lhe do que está escrito em letras do tamanho de uma espada, cravadas nas pedras de fogo da Montanha Secreta? Falar-lhe do que está gravado no cetro do Imperador de Além-Mar? Se alguém conhece tão bem quanto eu o poder mágico a que o Imperador sujeitou Nárnia desde o princípio dos tempos, esse alguém é você. Sabe que todo traidor, pela lei, é presa minha, e que tenho direito de matá-lo!

– Ah! – disse o Sr. Castor. – Já estou entendendo por que foi que você se arvorou em rainha… Você era o carrasco-mor do Imperador!

– Calma, Castor, calma – disse Aslam, em voz baixa e arrastada.

– Portanto – continuou a feiticeira, – essa criatura humana me pertence. A vida dela me pertence. Tenho direito ao seu sangue.

– Então venha bebê-lo, se for capaz – disse o Touro que tinha cabeça de homem.

– Débil mental! – disse a feiticeira, com um riso de fúria que era quase um grunhido. – Está tão convencido assim de que o seu senhor me pode privar dos meus direitos pela força? Ele conhece bem demais a Magia Profunda para atrever-se a isso. Sabe que, a não ser que eu receba o sangue a que a lei me dá direito, toda a terra de Nárnia será subvertida e perecerá em água e fogo.

– É verdade! – disse Aslam. – Não posso negá-lo.

– Oh! Aslam! – sussurrou Susana, ao ouvido do Leão. – Não podemos nós… quer dizer, isto é, não vai acontecer nada, não é? Não se pode dar um jeito nessa Magia Profunda?

– Enfrentar o poder mágico do Imperador?

Aslam voltou-se para ela, com o rosto ligeiramente carregado. E ninguém mais tocou naquele assunto.

Edmundo fitou Aslam o tempo todo. Sentia-se sufocado e perguntava a si mesmo se devia dizer alguma coisa: compreendeu que não devia dizer coisa nenhuma, só esperar e cumprir o que lhe fosse ordenado.

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As estátuas – LFG

Aproximou-se cautelosamente e olhou o pátio, onde um espetáculo inesperado quase lhe fez parar o coração. Junto dos portões, batido de luar, viu um leão imenso, agachado como se fosse pular. Com os joelhos trêmulos, Edmundo permaneceu na sombra, sem poder avançar ou recuar. Ficou tanto tempo imóvel, que seus dentes teriam começado a bater de frio, se já não batessem de medo. Não sei dizer realmente quanto tempo passou; para Edmundo pareceram horas.

A certa altura, começou a imaginar por que motivo o leão estaria tão quieto: não se mexera um centímetro desde que o vira. Chegou um pouco mais perto, tendo o cuidado, tanto quanto possível, de conservar-se na sombra. Foi aí que, pela posição do leão, concluiu que não podia ter sido visto. “E se ele virar a cabeça?” – pensou. Na realidade, o leão olhava atento para outra pessoa, nada mais, nada menos que um anãozinho, de costas, a pouca distância.

– Ah! Quando se lançar para cima do anãozinho, eu saio correndo!

Mas o tempo passava, e o leão e o anãozinho continuavam imóveis. Até que, finalmente, Edmundo se lembrou do que ouvira dizer sobre a Feiticeira Branca, que transformava os seres vivos em estátuas de pedra. Aquele leão talvez fosse de pedra… Reparou também que o dorso e a cabeça do leão estavam cobertos de neve. Sem dúvida: era uma estátua. Nenhum ser vivo deixaria que a neve o cobrisse daquela maneira. Muito devagar, com o coração a saltar do peito, encaminhou-se para o leão, mas não ousou tocá-lo. Só depois de muito tempo, num movimento rápido, estendeu a mão e viu que era pedra fria. Tinha sentido medo de uma estátua!

Foi um alívio imenso, tanto que, apesar do frio, se sentiu envolvido por uma onda de calor, ao mesmo tempo que teve uma idéia que lhe pareceu maravilhosa: “Provavelmente… é o grande Aslam, de quem todos falam. Já foi apanhado e virou pedra. Aqui está o fim de todos os belos sonhos daqueles lá. Bacana! E ainda há quem tenha medo de Aslam!”

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Quem é Aslam? – LFG

– Aslam?! – exclamou o Sr. Castor. – Então não sabem? Aslam é o rei. É o verdadeiro Senhor dos Bosques, embora já há muito esteja ausente. Desde o tempo do meu pai e do meu avô. Agora chegou a notícia de que vai voltar. Neste momento mesmo está em Nárnia. Ele dará um jeito na Feiticeira Branca, não se preocupem. Ele, e não vocês, meus filhos, há de salvar o Sr. Tumnus.

– E se ela transformar também ele numa estátua de pedra? – perguntou Edmundo.

– Deixe com ele, Filho de Adão. Não é tão fácil assim! – respondeu o Sr. Castor, caindo na gargalhada. – Transformar ASLAM em pedra? Se ela conseguir manter-se em pé diante dele, olhá-lo cara a cara, já é caso para dar-lhe os parabéns. Não, não. Ele vem botar tudo nos eixos. Assim diz um velho poema que costumamos cantar:

O mal será bem quando Aslam chegar,

Ao seu rugido, a dor fugirá,

Nos seus dentes, o inverno morrerá,

Na sua juba, a flor há de voltar.

– Quando vocês virem Aslam, hão de entender tudo.

– E chegaremos a vê-lo, um dia? – perguntou Susana.

– Mas é claro, Filha de Eva; foi para isso que eu os trouxe até aqui. Vou guiá-los até ele.

– E ele é um homem? – perguntou Lúcia.

– Aslam, um homem! – disse o Sr. Castor, muito sério. – Não, não. Não lhes disse eu que ele é o Rei dos Bosques, filho do grande Imperador de Além-Mar? Então não sabem quem é o rei dos animais? Aslam é um leão… o Leão, o grande Leão!

– Ah! – exclamou Susana. – Estava achando que era um homem. E ele… é de confiança? Vou morrer de medo de ser apresentada a um leão.

– Ah, isso vai, meu anjo, sem dúvida – disse a Sra. Castor. – Porque, se alguém chegar na frente de Aslam sem sentir medo, ou é o mais valente de todos ou então é um completo tolo.

– Mas ele é tão perigoso assim? – perguntou Lúcia.

– Perigoso? – disse o Sr. Castor. – Então não ou viu o que Sra. Castor acabou de dizer? Quem foi que disse que ele não era perigoso? Claro que é, perigosíssimo. Mas acontece que é bom. Ele é REI, disse e repito.

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A chegada de Aslam – LFG

– Dizem que Aslam está a caminho; talvez até já tenha chegado.

E aí aconteceu uma coisa muito engraçada. As crianças ainda não tinham ouvido falar de Aslam, mas no momento em que o castor pronunciou esse nome, todos se sentiram diferentes. Talvez isso já tenha acontecido a você em sonho, quando alguém lhe diz qualquer coisa que você não entende mas que, no sonho, parece ter um profundo significado – o qual pode transformar o sonho em pesadelo ou em algo maravilhoso, tão maravilhoso que você gostaria de sonhar sempre o mesmo sonho.

Foi o que aconteceu. Ao ouvirem o nome de Aslam, os meninos sentiram que dentro deles algo vibrava intensamente. Para Edmundo, foi uma sensação de horror e mistério. Pedro sentiu-se de repente cheio de coragem. Para Susana foi como se um aroma delicioso ou uma linda ária musical pairasse no ar. Lúcia sentiu-se como quem acorda na primeira manhã de férias ou no princípio da primavera.

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A bondade dourada – SM

De repente (nunca souberam como aconteceu), foi como se a face de Aslam se tornasse um mar de ouro no qual flutuavam; inexprimível força e ternura passavam por eles e por dentro deles; e sentiram que jamais na vida haviam sido realmente felizes, bons ou sábios, nem mesmo vivos e despertos, até aquele momento. A lembrança desse instante permaneceu com eles para sempre; enquanto viveram, se alguma vez se sentiam tristes, amedrontados ou irados, a lembrança daquela bondade dourada retornava, dando-lhes a certeza de que tudo estava bem. E sabiam que podiam encontrá-la ali perto, numa esquina ou atrás de uma porta.

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Fora do ar – SM

Mas não posso dizer isso a este velho pecador, como também não posso consolá-lo; ele mesmo se colocou fora do alcance da minha voz. Se eu lhe falasse, ouviria apenas rosnados e rugidos. Oh, Filhos de Adão, com que esperteza vocês se defendem daquilo que lhes pode fazer o bem! Mas eu lhe ofertarei a única dádiva que é capaz de receber.

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A lágrima do Leão

Até aquele instante, só olhara para as patas do Leão; agora, com o desespero, olhou-o nos olhos. O que viu o surpreendeu mais do que qualquer outra coisa. Pois a face castanha estava inclinada perto do seu próprio rosto e (maravilha das maravilhas) grandes lágrimas brilhavam nos olhos do Leão. Eram lágrimas tão grandes e tão brilhantes, comparadas às de Digory, que por um instante sentiu que o Leão sofria por sua mãe mais do que ele próprio.

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O leão

– Silêncio! – bradou o cocheiro.

No escuro, finalmente, alguma coisa começava a acontecer. Uma voz cantava. Muito longe. Nem mesmo era possível precisar a direção de onde vinha. Parecia vir de todas as direções, e Digory chegou a pensar que vinha do fundo da terra. Certas notas pareciam a voz da própria terra. O canto não tinha palavras. Nem chegava a ser um canto. De qualquer forma, era o mais belo som que ele já ouvira. Tão bonito que chegava a ser quase insuportável.

– Meu Deus! – exclamou o cocheiro. – Não é uma beleza?

E duas coisas maravilhosas aconteceram ao mesmo tempo.

Uma: outras vozes reuniram-se à primeira, e era impossível contá-las. Vozes harmonizadas à primeira, mais agudas, vibrantes, argênteas.

Outra: a escuridão em cima cintilava de estrelas. Elas não chegaram devagar, uma por uma, como fazem nas noites de verão. Um momento antes, nada havia lá em cima, só a escuridão; num segundo, milhares e milhares de pontos de luz saltaram, estrelas isoladas, constelações, planetas, muito mais reluzentes e maiores do que em nosso mundo. Não havia nuvens. As novas estrelas e as novas vozes surgiram exatamente ao mesmo tempo. Se você tivesse visto e ouvido aquilo, tal como Digory, teria tido a certeza de que eram as estrelas que estavam cantando e que fora a Primeira Voz, a voz profunda, que as fizera aparecer e cantar.

– Louvado seja! – disse o cocheiro. – Se eu soubesse que existiam coisas assim, teria sido um homem muito melhor.

A Voz na terra estava agora mais alta e triunfante, mas as vozes no céu, depois de entoar com ela por algum tempo, tornaram-se mais suaves.

Longe, perto da linha do horizonte, o céu se acinzentava. Movia-se uma aragem leve e refrescante. O céu naquele ponto tornava-se gradualmente mais pálido. Já se viam formas de colinas recortadas contra ele. E a Voz continuava a cantar.

A luminosidade agora já era suficiente para que se vissem. O cocheiro e as crianças estavam de boca aberta e olhos acesos: bebiam o som, o som que parecia lembrar-lhes alguma coisa. Mas a feiticeira olhava como se, de algum modo, entendesse mais daquela música do que ninguém. De boca fechada, lábios contraídos, punhos cerrados, desde que a canção começara, sentia que aquele mundo se enchia de uma magia diferente da sua, e mais forte. E ela a detestava. Teria, se pudesse, esmagado aquele mundo, todos os mundos, só para interromper o canto.

O céu do oriente passou de branco para rosa, e de rosa para dourado. A voz subiu, subiu, até que todo o ar vibrou com ela. E quando atingiu o mais potente e glorioso som que já havia produzido, o sol nasceu.

A terra tinha muitas cores – cores novas, quentes e brilhantes, que faziam a gente exaltar… Até que se visse o próprio Cantor. Então, todo o resto seria esquecido.

Era um Leão. Enorme, peludo e luminoso, ele estava de frente para o sol que nascia. Com a boca aberta em pleno canto, ali estava ele, a menos de trezentos metros de distância.

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O início

O que aqui se conta aconteceu há muitos anos, quando vovô ainda era menino. É uma história da maior importância, pois explica como começaram as idas e vindas entre o nosso mundo e a terra de Nárnia.

Naqueles tempos, Sherlock Holmes ainda vivia em Londres e as escolas eram ainda piores que as de hoje. Mas os doces e os salgadinhos eram muito melhores e mais baratos; só não conto para não dar água na boca de ninguém.

…………….

O Leão abriu a boca, mas não produziu nenhum som: estava soprando, um sopro prolongado e cálido. O sopro parecia balançar os animais todos, como o vento balança uma fileira de árvores. Lá em cima, além do véu de céu azul que as esconde, as estrelas cantaram novamente: uma música pura, gelada, difícil. Depois, vindo do céu ou do próprio Leão, surgiu um clarão feito fogo (mas que não queimou nada). As duas crianças sentiram o sangue gelar-lhes nas veias. A voz mais profunda e selvagem que jamais haviam escutado estava dizendo:

– Nárnia, Nárnia, desperte! Ame! Pense! Fale! Que as árvores caminhem! Que os animais falem! Que as águas sejam divinas!

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