JotaPêAh!

Bate-boca na avenida

Mais uma cena daquelas que só a neurose urbana é capaz de produzir.
Aconteceu
na Avenida José de Alencar. O motorista de um Fusca confundiu-se e
parou no meio da via. Ele não percebeu que o sinal que estava fechado
era só para quem entraria à esquerda. Um engano comum.
Uma enorme
caminhonete importada, destas que mais parecem um tanque de guerra,
parou atrás do tal Fusca e abriu a buzina, na tentativa de fazê-lo
seguir em frente, já que o sinal estava aberto para quem desejava ir
reto. Eu parei atrás dos dois.
Como o motorista do Fusca parecia não
estar entendendo o recado, o cidadão da caminhonete colocou o corpo para
fora da janela e começou a gesticular e a insultar o proprietário do
carro da frente. Eu logo vi que aquilo não ia acabar bem.
Ofendido, o
motorista do Fusca desceu para tirar satisfações. O sujeito da
caminhonete, intimidado, preferiu permanecer dentro do carro. Batendo na
reluzente lataria da caminhonete, o proprietário do Fusquinha desafiava
seu oponente a sair para a rua e enfrentá-lo. Enquanto isso, uma fila
de carros se formava.
Foi então que entrou em cena uma terceira
personagem: a mulher do motorista do Fusquinha. Talvez acostumada com os
escândalos do marido, a mulher começou a gritar para que ele voltasse
para o carro, para que fossem embora dali. Sem dar ouvidos à esposa, o
marido continuava esbravejando e batendo na caminhonete.
Inconformada
com aquela situação ridícula e cansada de pedir ao marido que lhe
ouvisse, a mulher tomou uma atitude extrema: passou para o volante do
Fusca, ligou o motor e partiu, deixando o marido brigão no meio da
avenida, de boca aberta! O motorista da caminhonete aproveitou o caminho
livre e também se foi!
Quando passei pelo marido abandonado, pensei
em perguntar se ele precisava de um táxi, mas achei melhor ficar quieto.
 

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Endurecer sem perder a ternura – TaxiTramas

Estava ocorrendo uma manifestação em frente à prefeitura. Em cima de um
caminhão de som, uma dirigente sindical desancava os governantes locais.
Cerca de cento e poucos gatos-pingados agitavam bandeiras e aplaudiam.
Eu estava no ponto da Rua Uruguai, a poucos metros, observando a
movimentação.
Uma conhecida casa de prostituição de Porto Alegre está
usando um velho ônibus, com um sistema de som potente, para divulgar
uma nova filial que está abrindo na Zona Sul da cidade. Esse ônibus
parou no sinal fechado bem perto da tal manifestação. Dentro do ônibus,
umas moças desinibidas dançavam ao som de uma música estridente. O som
do ônibus abafava o do caminhão do sindicato. Tremenda bagunça sonora.
O
que se passou, então, foi hilário.
Os manifestantes, já meio
cansados daquela lengalenga política, viraram-se todos para o ônibus,
para admirar as meninas que rebolavam ao som de Madonna. Empolgada com a
inesperada plateia, uma das garotas chegou a abrir a blusa!
Sobre o
caminhão do sindicato, os organizadores até que tentaram manter o nível
da manifestação. A sindicalista que estava ao microfone, porém, resolveu
apelar. Passou a insultar as garotas do ônibus, que estariam, segundo
ela, “expondo-se feito pedaços de carne em um açougue” – coisa feia.
Foi
aí que aconteceu o fato mais curioso de toda aquela cena já absurda.
Quem estava nas imediações do protesto, na terça-feira passada, talvez,
tenha notado o que notei: A maioria dos manifestantes (notadamente os
homens) passou a xingar a sindicalista, num claro e constrangedor apoio
às companheiras prostitutas!
Aconteceu tudo muito rápido. O tempo de
um fechar e abrir de sinaleira. Tão logo o ônibus partiu, a manifestação
foi retomada, mas já sem o ímpeto anterior. Nunca a frase de Che
Guevara se aplicou tão bem: “Hay que endurecer, pero sin perder la
ternura jamás”.
 

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Ensaio sobre a traição – TaxiTramas

A passageira embarcou e perguntou se o identificador do telefone celular
poderia se enganar. Antes mesmo que eu respondesse, ela pediu que
tocasse para o Motel Ninho de Amor, que ficava do outro lado da cidade.
No
caminho, ela explicou que o marido havia viajado e teria marcado o
retorno para aquela manhã. Acontece que ele tinha acabado de ligar para o
celular dela, avisando que iria se atrasar, que chegaria em casa só por
volta do meio-dia. Depois que desligou o aparelho, a mulher lembrou que
não tinha nada para comer em casa. Assim, verificou o número de onde o
marido havia ligado e telefonou pra ele. Uma moça atendeu:
– Motel
Ninho de Amor, bom dia!
Deixei a esposa indignada na portaria do tal
motel, armando o maior barraco!

Em episódio semelhante, meu
colega Kiko foi pegar uma corrida em um motel. Logo que embarcou, a
passageira pediu que Kiko ligasse para o celular dela, pois não estava
localizando o aparelho. Como o telefone não tocou na sua bolsa, ela
concluiu que havia perdido o celular.
Quando já estava chegando ao
destino da corrida, um carro importado cortou a frente do táxi. De
dentro do veículo, saiu o marido da mulher, indignado, revólver em
punho. Ele estava seguindo a esposa desde a saída do motel. Depois de
concluir que Kiko era só um taxista fazendo seu trabalho, o homem pagou a
corrida e puxou a mulher, pelos cabelos, para dentro do seu carro
importado, dizendo que a mataria!
No outro dia, a mulher ligou para o
Kiko (o número dele havia ficado na memória) para se desculpar.
Explicou que havia perdido o telefone no táxi que a levou para o motel.
Quando o marido ligou para ela, o taxista informou que a passageira
havia perdido aquele telefone no seu táxi. O marido, então, perguntou
onde ele havia deixado a mulher. Ingênuo, o outro taxista deu o endereço
do motel…
Pelo menos, ela estava viva para pedir desculpa.
 

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As histórias que me contam

Todos os dias, meus passageiros me contam histórias curiosas de suas
profissões.
Um deles me disse que é gerente de um grande
supermercado da capital. Ele contou que, certa feita, chegou um gringo
com cara de poucos amigos, com uma rapadura na mão, mandando chamar o
gerente – pelo visto, seria mais um cliente insatisfeito. Quando
perguntou no que poderia ser útil, o gringo puxou uma faca enorme da
cintura. Todos se afastaram!
O homem, então, pegou a faca, partiu um
pedaço da rapadura e ordenou que o gerente provasse. Meu passageiro,
apavorado, disse que colocou a rapadura na boca por alguns instantes e
logo cuspiu fora. Com cara de nojo, ordenou que o produto fosse trocado
ou o dinheiro devolvido imediatamente ao cliente, pois a rapadura estava
mesmo horrível. Ao que o gringo exclamou, indignado:
– Como assim,
horrível? Esta rapadura é fabricada por mim, eu vim aqui vendê-la para o
supermercado!

Ele também contou o caso de uma idosa que
pretendia processar o supermercado pela morte do seu cachorrinho.
Acontece que a velhinha costumava ir às compras com seu pequeno
cãozinho. Quando entrava na loja, ela colocava o bicho em uma sacola.
O
problema aconteceu quando o supermercado, para evitar furtos, passou a
colocar as sacolas dentro de um saco plástico lacrado. Quando acabou as
compras, a velhinha descobriu que seu cachorro havia morrido asfixiado!
Segundo meu passageiro, foi o maior reboliço.
Sugeri ao gerente que
seguisse meu exemplo e escrevesse um livro. O título poderia ser
Supertramas – diário de um supermercado.

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Mais uma de motel

O passageiro chegou ao ponto e embarcou no meu táxi, no banco de trás.
Com a discrição de quem está fazendo algo errado, não deu o destino da
corrida, apenas foi ordenando que dobrasse à esquerda ou à direita.
Quando estávamos passando por um motel, ele pediu que eu entrasse.

Na portaria, a menina passou-lhe a chave do quarto 55 e perguntou se
alguém viria encontrá-lo. Ele disse que sim. Disse que informaria sua
acompanhante pelo telefone. Ela o procuraria pelo número do quarto.
Depois de deixá-lo no quarto 55, voltei para meu ponto, que não fica
muito longe do motel.
Quando cheguei novamente na ponta, uma
passageira embarcou. Ela apenas ordenou que eu fosse tocando em frente,
sem dizer onde ia. De imediato, relacionei com a última corrida. Será
que eu estava levando a amante do passageiro anterior? A cada nova
coordenada que a mulher me passava, minha suspeita se confirmava. Até
que, chegando perto do motel, ela mandou entrar. Bingo!
Acontece
que a mulher passou a corrida toda brigando com o celular, que estava
sem sinal. Por isso, ela não tinha conseguido falar com seu amante. Na
portaria do motel, percebi que já não era a mesma recepcionista da
corrida anterior. E agora?
Minha passageira não sabia informar em
que quarto seu namorado estava, a nova recepcionista também não, e eu
tinha a informação. Então, resolvi intervir.
Assim que informei
que o homem que ela procurava estava no quarto 55, a mulher tomou um
susto. Olhou-me com cara de braba. Afinal, quem eu estava pensando que
era?
Eu aguardei uns segundos, curtindo aquele momento
desconcertante, depois expliquei toda a coincidência. A recepcionista
ligou para o quarto 55 e confirmou o que eu estava dizendo. Só então
minha passageira relaxou.
No fim, ela acabou achando graça e me
agradecendo. Não tem por quê. 

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