JotaPêAh!

O tesouro – O Alquimista

– Você não vai morrer –  disse [o chefe dos salteadores]. – Vai viver e aprender que o homem não pode ser tão estúpido. Aí, neste lugar onde você está, eu também tive um sonho repetido há quase dois anos atrás. Sonhei que devia ir até os campos da Espanha, buscar uma igreja em ruínas onde os pastores costumavam dormir com suas ovelhas, e que tinha um sicômoro crescendo dentro da sacristia, se eu cavasse na raiz deste sicômoro, haveria de encontrar um tesouro escondido. Mas não sou estúpido de cruzar um deserto só porque tive um sonho repetido.

Depois foi embora

O rapaz levantou-se com dificuldade, e olhou mais uma vez para as Pirâmides. As Pirâmides sorriram para ele, e ele sorriu de volta, com o coração repleto de felicidade.

Havia encontrado o tesouro.

Deixe um comentário »

Provérbio árabe – O Alquimista

“Tudo que acontece uma vez, pode nunca mais acontecer. Mas tudo que acontece duas vezes, acontecerá certamente uma terceira vez”.

Deixe um comentário »

A voz do coração – O Alquimista

“Mesmo que eu reclame um pouco, é porque sou um coração de homem, e os corações de homens são assim. Têm medo de realizar seus maiores sonhos, porque acham que não o merecem, ou não vão consegui-los. Nós, os corações, morremos de medo só de pensar em amores que partiram para sempre, em momentos que poderiam ter sido bons e que não foram, em tesouros que poderiam ter sido descobertos e ficaram para sempre escondidos na areia. Porque quando isso acontece, terminamos sofrendo muito”.

Deixe um comentário »

Coração traiçoeiro – O Alquimista

– Então, para que devo escutar meu coração?

– Porque você não vai conseguir jamais mantê-lo calado. E mesmo que finja não escutar o que ele diz, ele estará dentro do seu peito, repetindo sempre o que pensa sobre a vida e o mundo.

– Mesmo que ele seja traiçoeiro?

– A traição é o golpe que você não espera. Se você conhecer bem seu coração, ele jamais conseguirá isto. Porque você conhecerá seus sonhos e seus desejos, e saberá lidar com eles.

“Ninguém consegue fugir do seu coração. Por isso é melhor escutar o que ele fala. Para que jamais venha um golpe que você não espera”.

Deixe um comentário »

Presente e futuro – O Alquimista

“Quando as pessoas me consultam, eu não estou lendo o futuro; estou adivinhando o futuro. Porque o futuro pertence a Deus, e ele só o revela em circunstâncias extraordinárias. E como consigo adivinhar o futuro? Pelos sinais do presente. No presente é que está o segredo; se você prestar atenção no presente, poderá melhorá-lo. E se você melhorar o presente, o que acontecerá depois também será melhor. Esqueça o futuro e viva cada dia de sua vida nos ensinamentos da Lei, e na confiança de que Deus cuida dos seus filhos. Cada dia traz em si a Eternidade”.

Deixe um comentário »

O vento e o deserto – O Alquimista

– Você me falou dos seus sonhos, do velho rei, e do tesouro. Você me falou dos sinais. Então, não tenho medo de nada, porque foram estes sinais que me trouxeram você. Por isso quero que siga em direção ao que veio buscar. Se tiver que esperar o final da guerra, muito bem. Mas se tiver que seguir antes, vá em direção à sua lenda. As dunas mudam com o vento, mas o deserto permanece o mesmo. Assim será com nosso amor.

“Maktub” – disse. “Se eu for parte de sua Lenda, você voltará um dia”.

Deixe um comentário »

Fátima – O Alquimista

Então foi como se o tempo parasse, e a Alma do Mundo surgisse com toda a força diante do rapaz. Quando ele olhou seus olhos negros, seus lábios indecisos entre um sorriso e o silêncio, ele entendeu a parte mais importante e mais sábia da Linguagem que o mundo falava, e que todas as pessoas da terra eram capazes de entender em seus corações.

E isto era chamado de Amor, uma coisa mais antiga que os homens e que o próprio deserto, e que no entanto ressurgia sempre com a mesma força onde quer que dois pares de olhos se cruzassem como se cruzaram aqueles dois pares de olhos diante de um poço.

Os lábios finalmente resolveram dar um sorriso, e aquilo era um sinal, o sinal que ele esperou sem saber durante tanto tempo em sua vida, que tinha buscado nas ovelhas e nos livros, nos cristais e no silêncio do deserto.

Ali estava a pura linguagem do mundo, sem explicações, porque o Universo não precisava de explicações para continuar seu caminho no espaço sem fim. Tudo o que o rapaz entendia naquele momento era que estava diante da mulher de sua vida, e sem nenhuma necessidade de palavras, ela devia saber disso também.

Tinha mais certeza disto do que de qualquer coisa no mundo, mesmo que seus pais, e os pais de seus pais dissessem que era preciso namorar, noivar, conhecer a pessoa e ter dinheiro antes de casar. Quem dizia isto talvez jamais tivesse conhecido a linguagem universal, porque quando se mergulha nela, é fácil entender que sempre existe no mundo uma pessoa que espera a outra, seja no meio de um deserto, seja no meio das grandes cidades.

E quando estas pessoas se cruzam, e seus olhos se encontram, todo o passado e todo o futuro perde qualquer importância, e só existe aquele momento, e aquela certeza incrível de que todas as coisas debaixo do sol foram escritas pela mesma Mão. A Mão que desperta o Amor, e que faz uma alma gêmea para cada pessoa que trabalha, descansa e busca tesouros debaixo do sol. Porque sem isto não haveria qualquer sentido para os sonhos da raça humana.

“Maktub”, pensou o rapaz.

1 Comentário »

O pastor e o mercador – O Alquimista

O rapaz acordou antes do sol nascer. Tinham-se passado onze meses e nove dias desde que ele havia pisado pela primeira vez no continente africano.

Vestiu sua roupa árabe, de linho branco, comprada especialmente para aquele dia. Colocou o lenço na cabeça, fixo por um anel feito de pele de camelo. Calçou as sandálias novas, e desceu sem fazer qualquer ruído.

A cidade ainda dormia…

Depois que acabou de fumar, enfiou a mão num dos bolsos do traje, e ficou alguns instantes contemplando o que havia retirado de lá de dentro.

Havia um grande maço de dinheiro. O suficiente para comprar cento e vinte ovelhas, uma passagem de volta, e uma licença de comércio entre seu país e o país onde estava.

Esperou pacientemente que o velho acordasse e abrisse a loja. Os dois então foram juntos tomar mais chá.

– Vou embora hoje – disse o rapaz. – Tenho dinheiro para comprar minhas ovelhas. Você tem dinheiro para ir à Meca.

O velho não disse nada.

– Peço sua bênção – insistiu o rapaz. – Você me ajudou.

O velho continuou a preparar o chá em silêncio. Depois de um certo tempo, porém, virou-se para o rapaz.

– Tenho orgulho de você – disse. – Você trouxe alma para a minha loja de cristais. Mas sabe que eu não vou à Meca. Como sabe que não voltará a comprar ovelhas.

– Quem lhe disse isto? – perguntou o rapaz, assustado.

– Maktub – disse simplesmente o velho Mercador de Cristais.

E o abençoou.

Deixe um comentário »

%d blogueiros gostam disto: