Barulhos estranhos no céu assustam pessoas de todo o mundo

Fonte: http://www.tecmundo.com.br/curiosidade/17933-barulhos-estranhos-no-ceu-assustam-pessoas-de-todo-o-mundo.htm

Sons muito peculiares e de procedência desconhecida estão sendo ouvidos em várias partes do mundo nos últimos dias. Vídeos hospedados no YouTube mostram diversas versões desse som (inclusive aqui no Brasil) e que, se forem reais, são mesmo assustadores.

Uma das primeiras ocorrência desses sons ocorreu na Ucrânia, em meados de 2011. Durante a tarde, um barulho muito estranho poderia ser ouvido de diversos pontos de Kiev, sem ninguém saber confirmar qual a procedência. Outras demonstrações do fenômeno podem ser ouvidas em vídeos gravados na Bielorrússia, nos Estados Unidos, na Malásia, Dinamarca, entre outros.

Os sons normalmente são metálicos e trazem a sensação de serem provenientes de alguma grande máquina. Testemunhas afirmam que o som é tão alto que inclusive as janelas passam a vibrar com a frequência das ondas sonoras.

Grandes indústrias e trânsito? Experimentos militares como o famoso HAARP? Prenúncios de 2012 ou de uma grande invasão alienígena? Um viral para o filme “Cloverfield 2” ou simplesmente uma grande farsa? Muito está sendo discutido a respeito, mas ninguém chegou a uma conclusão definitiva ainda.

Caso queira saber mais, a página StrangeSoundinTheSky.com traz uma grande coletânea de tudo o que já foi encontrado a respeito do estranho fenômeno.

Anúncios

Feliz ano bissexto!

Fonte: http://g1.globo.com/platb/observatoriog1/2011/12/31/feliz-ano-bissexto/

 

O ano de 2012 será um ano bissexto, que é um ano com 366 dias, um dia a mais que os anos comuns. Mas, por que isso acontece?

A motivação é astronômica. Aliás, a construção de calendários é uma das mais antigas atividades astronômicas. Introduzir um dia a mais em determinados anos faz com que o ano terrestre continue compatível com o ano astronômico. É assim.

A Terra completa uma órbita em torno do Sol em 365 dias, 5 horas e 48 minutos aproximadamente, o chamado ano solar. Então, em um ano com 365 dias, a Terra não fecha uma órbita completa, ainda faltam quase 6 horas para isso acontecer. Isso significa que logo no primeiro dia do ano seguinte, em um determinado horário, a Terra estará 6 horas “atrasada” em sua trajetória no espaço em relação ao mesmo evento do ano anterior. A cada quatro anos, esse atraso soma quase um dia.

Como consequência, a cada quatro anos um evento estará um dia defasado deste mesmo evento há quatro anos atrás. Por exemplo, o início das estações: o outono no hemisfério sul seria “comemorado” no dia 21 de março, mas se deixássemos de corrigir esse efeito por, digamos  100 anos, o equinócio astronômico ocorreria somente lá pelo meio de abril!

Essa correção começou a ocorrer já na época de Júlio César no ano 45 a.C., mas era feita de maneira errada. Nessa época, um dia era inserido a cada três anos, em um calendário conhecido como Juliano. Mais tarde, no ano 8 d.C. o imperador César Augusto impôs uma nova correção ao calendário, estabelecendo que a inclusão de um novo dia deveria se fazer a cada quatro anos. Além disso, fevereiro passou a ter 28 dias (tinha 29) e o senado romano trocou o nome do mês de Sextilius para Augustus (que hoje é o mês de agosto) em homenagem ao imperador. Esse mês passou a ter 31 dias (incorporando o dia retirado de fevereiro) e por isso até hoje a alternância entre meses com 30 e 31 dias (excetuando fevereiro) falha com os meses de julho e agosto. Julho em homenagem a Júlio César tem 31 dias então agosto em homenagem a César Augusto não poderia ser mais curto. Este calendário passou a ser chamado de calendário Augustiano e vigorou entre os anos 45 d.C. e 1581.

Entretanto, em 1582 o papa Gregório XIII modificou o calendário Augustiano de modo a ajustar o calendário para conciliar a páscoa cristã com o equinócio de primavera (no hemisfério norte) que ocorre no dia 21 de março. Um estudo encomendado pelo papa mostrou que seria necessário retirar dez dias do ano de 1582 e isso foi feito no mês de outubro. Neste ano, o dia 15 de outubro sucedeu imediatamente o dia 04, isto é, os dez dias entre 04 e 15 de outubro foram suprimidos e não existe nenhum registro histórico com data em algum desses dias. Após essas correções, as regras para se definir um ano bissexto ficaram estabelecidas da seguinte maneira: a cada 4 anos há um ano bissexto, com a inserção de um dia ao final de fevereiro deixando-o com 29 dias; a cada 100 anos o ano não será bissexto, mas a cada 400 anos o ano é bissexto.

Esse novo calendário ficou conhecido como Gregoriano e é adotado por um grande número de países, mas não todos. Os cristãos ortodoxos, por exemplo não efetuaram as correções introduzidas em 1582 e hoje a defasagem entre os calendários é de 14 dias.

Falando em calendários, hoje há vários estudos e tentativas de se estabelecer um único e permanente calendário. Permanente ou estável, como os pesquisadores preferem dizer. Neste calendário, uma data em particular cai no mesmo dia da semana para o resto da vida. Por exemplo, o Natal de 2012 cairá em um domingo, em um calendário permanente (ou estável) ele ficaria no domingo para sempre.

O último desses calendários foi proposto há pouco meses pelo astrofísico Richard Henry e pelo economista Steve Hanke, ambos da John Hopkins University e chama-se calendário Hanke-Henry. A proposta é já começar a ser implantado no ano que vem e como meta, pretendem que o mundo todo o esteja usando em 2017.

Este calendário põe o dia primeiro de janeiro num domingo para sempre. Mais do que isso, haveria uma sequência de dois meses com 30 dias, sucedido por outro com 31. Assim teríamos, janeiro e fevereiro com 30 seguido de março com 31 dias e assim sucessivamente; abril e maio (30) seguido de junho (31) e etc. Para compatibilizar esse calendário com o calendário astronômico (aquelas 6 horas que eu mencionei lá em cima), um mês “extra” com 7 dias seria introduzido a cada 5-6 anos.

Diferente de outras tentativas de se reformar o calendário, esse deve ser um sucesso, segundo seus proponentes. Isso porque ele não quebra o ciclo de 7 dias por semana, considerado sagrado por Henry e Henke. Mas por que um calendário desses?

A motivação é puramente econômica, as indústrias poderiam planejar com antecedência seus investimentos e férias de funcionários, por exemplo, durante anos a fio. Os governos poderiam fixar os calendários escolares com relação aos feriados, que seriam sempre no mesmo dia da semana. A economia de empresas e países seria imensa com esse novo calendário.

Mas e daí? Se você nasceu no dia 31 de janeiro, ficará sem data para comemorar. Na melhor das hipóteses, poderá usar o dia 30, seguindo a lógica que nasceu no último dia de janeiro. E isso vai acontecer para o resto da sua vida em uma segunda feira sem graça. Natal e Ano Novo sempre aos domingos para você ir trabalhar logo na segunda feira.  A cada 5-6 anos um mês extra com 7 dias, para quê? Para trabalhar mais? Tudo isso para as empresas se organizarem melhor e faturarem mais? Tô fora! Prefiro o bom e velho calendário Gregoriano, com suas datas “móveis”.

7 mitos e verdades sobre quedas de avião

Fonte: http://www.tecmundo.com.br/mito-ou-verdade/13725-7-mitos-e-verdades-sobre-quedas-de-aviao.htm

 

Muita gente tem medo de voar. Algumas são até famosas, como é o caso de Jennifer Aniston, David Bowie, Britney Spears e Lars von Trier. Até mesmo o escritor de ficção científica Isaac Asimov sofria desse mal.

Mas a verdade é que, apesar de acidentes aéreos serem trágicos e de ganharem muito destaque nas páginas dos jornais, eles não são tão fáceis de acontecer. Arnold Barnett, um professor de 60 anos do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), chegou à conclusão de que as chances de uma pessoa morrer durante um voo é de uma em 90 milhões. Isso quer dizer que você pode voar pelos próximos 250 mil anos sem sofrer um acidente.

Mas se essa estimativa ainda não convenceu, confira a lista que preparamos com mitos e verdades sobre quedas de avião.

1. Turbulência pode derrubar o avião

Não há como negar que turbulências podem ser muito assustadoras. Afinal, a cerca de 10 mil metros de altura, a última coisa que gostaríamos que acontecesse é sentir aqueles chacoalhões violentos, que dão a impressão de que a aeronave se espatifará em breve.

Mas não há o que temer. Quando passar por isso, por mais assustadora que seja a turbulência, tenha em mente que elas dificilmente causam acidentes aéreos. Na verdade, é praticamente impossível que apenas a turbulência seja capaz de derrubar a aeronave.

Também não há razão para se preocupar com a integridade das asas do avião. Ao contrário do que muita gente acredita, essas asas são fabricadas para enfrentar forças muito maiores do que as das turbulências encaradas pelos pilotos.

Obviamente, a situação também não é para desleixo. Em caso de turbulência, lembre-se de permanecer sentado e, com isso, evitar tombos e ferimentos dentro da aeronave.

2. Celular pode causar acidente aéreo

Este é mito comum e muita gente já deve ter ouvido que usar o celular durante o voo pode causar interferências nos equipamentos de navegação presentes na cabine do avião. Em teoria, isso pode mesmo acontecer. Porém, de acordo com testes feitos até o momento, as possibilidades de um acidente causado pelo celular de um passageiro são quase nulas.

O assunto já foi tema até mesmo do programa Caçadores de Mitos, do Discovery Chanel. Durante os testes com diversos equipamentos e frequências, nenhuma interferência foi percebida na cabine. Ou seja, mito detonado.

Porém, como temos lançamentos de aparelhos novos a cada mês e testar um a um seria muito caro, acaba-se por proibir o uso. Além disso, as agências reguladoras tendem a banir tudo o que pode aumentar o risco de acidentes. E como, em teoria, uma interferência pode ocorrer, acaba sendo mais seguro (e barato) manter a proibição.

Entretanto, o mundo já vem percebendo mudanças. Companhias como Emirates Airlines, AeroMobile, OnAir e outras já permitem o uso de celulares. No Brasil, a TAM também possibilita a utilização de celulares e modems 3G durante os voos.

3. Não abra esta porta!

De vez em quando, vemos nos principais jornais alguns casos de passageiros desesperados que tentam abrir a porta da aeronave durante o voo. Há pânico, histeria e muitos gritos, mas a porta não abre. E isso se deve à forma como a porta da aeronave é construída.

Para começar, depois de fechada, a porta possui extremidades maiores do que a abertura, o que torna mais difícil alguém abri-la por acidente ou com pouco esforço. Além disso, assim que a aeronave começa a taxiar, a pressurização dentro da cabine sela a porta fechada e a torna ainda mais difícil de ser aberta.

Obviamente, isso não significa que ela não abrirá em hipótese alguma. Em 1989, por exemplo, nove passageiros foram sugados para fora de um voo sobre o Pacífico por causa de um defeito no mecanismo elétrico de trava da porta, que se abriu em pleno voo. Desde então, esse mecanismo foi reformulado. Mas, no geral, pode ficar tranquilo: as chances de a porta se abrir são praticamente nulas.

4. E se o avião for atingido por um raio?

Tecnicamente, um raio pode, sim, derrubar um avião. Mas as chances disso acontecer são extremamente raras. O último acidente desse tipo registrado foi em 1967, quando um raio causou a explosão do tanque de combustível e, desde então, as técnicas de proteção foram aperfeiçoadas.

A fuselagem de um avião funciona como uma gaiola de Faraday,  protegendo não só os equipamentos eletrônicos no interior da aeronave, mas também a tripulação e os passageiros. Outro fator que deve tranquilizar o passageiro é a bateria de testes pela qual todo avião recém-construído passa, certificando sua proteção contra raios.

Em resumo: por mais que seja possível, é mais provável alguém ganhar na loteria do que ter o avião derrubado por um raio.

5. Acidentes aéreos são sempre fatais

Existem muitos sobreviventes de desastres aéreos que não deixam esse mito persistir. Além de acidentes desse tipo serem difíceis de acontecer, existe mais uma estatística a favor do passageiro: há 95,5% de chances de sobrevivência a uma queda de avião.

Uma pesquisa realizada pela National Transportation Safety Board analisou todos os acidentes ocorridos durante o período de 1983 a 2000. Das 53,4 mil pessoas envolvidas em desastres aéreos, 51,2 mil sobreviveram.

Por incrível que pareça, a maior ameaça em uma situação de perigo mora dentro de nós. Muitas vezes, por acreditarem que não é possível escapar de uma queda de avião, muitas pessoas desistem de tentar se salvar em situações de emergência.

6. Posição de queda ajuda?

Em pousos emergenciais, seja em terra ou m água, o passageiro deve adotar a posição de queda (ou de impacto), conhecida em inglês como brace position. E é claro que existem alguns mitos relacionados a esse procedimento.

Há quem diga que a posição serve apenas para conservar melhor a arcada dentária das vítimas, facilitando assim a identificação dos corpos após a queda. Outros conspiracionistas alegam que a brace position só tem utilidade para aumentar o risco de morte, o que pouparia empresas de seguro de pagarem tratamentos médicos caros e longos.

Mas a verdade é que a posição de impacto já salvou muitas vidas. E um dos casos mais recentes foi o do voo US Airways 1549, que fez um pouso forçado em pleno rio Hudson, em Manhattan. Na ocasião, todos respeitaram a posição de queda e as 155 pessoas a bordo sobreviveram sem ferimentos graves.

7. Triângulo das Bermudas

O Triângulo das Bermudas é uma área com mais de 1 milhão de km² situada no Oceano Atlântico, entre as ilhas Bermudas, Porto Rico, Fort Lauderdale e as Bahamas. Essa região se tornou popular depois dos desaparecimentos de aviões, navios e barcos de passeio. Há quem diga que esses “sumiços” são frutos do trabalho de extraterrestres, monstros marinhos, redemoinhos mortais e outros fenômenos inexplicáveis.

Porém, há uma causa bastante concreta e que quase ninguém cita: mares tropicais com péssimas condições climáticas. Essa é provavelmente a resposta por trás desses desaparecimentos. E se levarmos em conta as estatísticas, não há evidências de que sumam mais embarcações e aviões nos Triângulo das Bermudas do que em outras regiões.

Mundo perdido é descoberto debaixo da Antártida

Fonte: http://www.gizmodo.com.br/conteudo/mundo-perdido-e-descoberto-debaixo-da-antartida/

 

Esta descoberta é incrível, parece saída de um livro de Júlio Verne: cientistas da Universidade de Oxford, Universidade de Southampton, do Centro Nacional de Oceanografia e do British Antarctic Survey descobriram um “mundo perdido” cheio de espécies desconhecidas debaixo da Antártida, a leste da Cadeia Scotia de montanhas submersas no continente gelado.

Pesquisadores usaram um veículo submarino operado remotamente (ROV) para explorar as profundezas da Cadeia Scotia, cheia de fontes hidrotermais – fissuras de onde sai água aquecida – que podem chegar a 382 graus Celsius. Eles descobriram um admirável mundo novo repleto de espécies desconhecidas. De acordo com o líder do projeto, professor Alex Rogers do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford, estas criaturas brancas parecidas com aliens alimentam-se das substâncias químicas ejetadas pelas fontes hidrotermais:

Fontes hidrotermais são o lar de animais não encontrados em qualquer outro lugar do planeta, que obtêm sua energia não do Sol, e sim quebrando substâncias químicas como o sulfeto de hidrogênio. A primeira investigação dessas fontes em particular, no Oceano Antártico… revelou um “mundo perdido” quente e escuro no qual prosperam grandes comunidades de organismos marinhos antes desconhecidos.

Os pesquisadores – que publicaram recentemente suas descobertas na seção de biologia da Public Library of Science, uma organização de cientistas e sem fins lucrativos – ficaram impressionados em encontrar tantas espécies nunca antes vistas, e em quantidades tão grandes. Foram descobertas colônias inteiras de caranguejos yeti, anêmonas, estrelas do mar predadoras com sete braços e polvos pálidos, todos em cima das fontes hidrotermais, se empilhando uns em cima dos outros, a quase 2.400m de profundidade no Oceano Antártico.

Eles também estão surpresos que não encontraram nenhum dos vermes tubulares e mexilhões geralmente encontrados em fontes hidrotermais no mundo todo. Este é um ecossistema novo e complicado, que leva os cientistas a acreditar que a variedade de organismos ao redor de outras fontes deve ser bem maior do que se imaginava. [PLoS Biology e University of Oxford]

Lei acaba com a diferença entre trabalho na empresa e remoto

Original: http://computerworld.uol.com.br/carreira/2011/12/29/lei-acaba-com-a-diferenca-entre-trabalho-na-empresa-e-remoto/

A Lei 12.551, sancionada no meio de dezembro, alterou o artigo sexto da CLT para equiparar os efeitos jurídicos do trabalho exercido por meios telemáticos e informatizados ao exercido por meios pessoais e diretos. Significa que, no Brasil, deixa de haver distinção entre trabalho na empresa, em casa ou a distância. A lei é uma tentativa de acompanhar o avanço da tecnologia e o aumento da preocupação com qualidade de vida. Agora, oficialmente, não importa mais o local de trabalho, mas se o trabalhador executa a tarefa determinada pela empresa.

O funcionário com carteira assinada que trabalha longe do escritório passa a ter os mesmos direitos dos outros, como hora extra, adicional noturno e assistência em caso de acidente de trabalho. O controle das horas e a supervisão do trabalho podem ser feitos por meios eletrônicos.

Desde o dia 15 de dezembro, data de publicação da Lei 12.551, o artigo sexto da CLT passa a ter a seguinte redação:

“Art. 6o Não se distingue entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador, o executado no domicílio do empregado e o realizado a distância, desde que estejam caracterizados os pressupostos da relação de emprego.

Parágrafo único. Os meios telemáticos e informatizados de comando, controle e supervisão se equiparam, para fins de subordinação jurídica, aos meios pessoais e diretos de comando, controle e supervisão do trabalho alheio.”

A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico

Original: http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/11/dura-vida-dos-ateus-em-um-brasil-cada-vez-mais-evangelico.html

O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada…”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.

– Você é evangélico? – ela perguntou.
– Sou! – ele respondeu, animado.
– De que igreja?
– Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
– Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
– Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
– Legal.
– De que religião você é?
– Eu não tenho religião. Sou ateia.
– Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
– Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
– Deus me livre!
– Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
– (riso nervoso).
– Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
– Por que as boas ações não salvam.
– Não?
– Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
– Mas eu não quero ser salva.
– Deus me livre!
– Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
– Acho que você é espírita.
– Não, já disse a você. Sou ateia.
– É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
– Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
– É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto…

O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal.)

Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:

– Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.
– Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.
Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa. 

 

A parábola do taxista me faz pensar em como a vida dos ateus poderá ser dura num Brasil cada vez mais evangélico – ou cada vez mais neopentecostal, já que é esta a característica das igrejas evangélicas que mais crescem. O catolicismo – no mundo contemporâneo, bem sublinhado – mantém uma relação de tolerância com o ateísmo. Por várias razões. Entre elas, a de que é possível ser católico – e não praticante. O fato de você não frequentar a igreja nem pagar o dízimo não chama maior atenção no Brasil católico nem condena ninguém ao inferno. Outra razão importante é que o catolicismo está disseminado na cultura, entrelaçado a uma forma de ver o mundo que influencia inclusive os ateus. Ser ateu num país de maioria católica nunca ameaçou a convivência entre os vizinhos. Ou entre taxistas e passageiros.

Já com os evangélicos neopentecostais, caso das inúmeras igrejas que se multiplicam com nomes cada vez mais imaginativos pelas esquinas das grandes e das pequenas cidades, pelos sertões e pela floresta amazônica, o caso é diferente. E não faço aqui nenhum juízo de valor sobre a fé católica ou a dos neopentecostais. Cada um tem o direito de professar a fé que quiser – assim como a sua não fé. Meu interesse é tentar compreender como essa porção cada vez mais numerosa do país está mudando o modo de ver o mundo e o modo de se relacionar com a cultura. Está mudando a forma de ser brasileiro.

Por que os ateus são uma ameaça às novas denominações evangélicas? Porque as neopentecostais – e não falo aqui nenhuma novidade – são constituídas no modo capitalista. Regidas, portanto, pelas leis de mercado. Por isso, nessas novas igrejas, não há como ser um evangélico não praticante. É possível, como o taxista exemplifica muito bem, pular de uma para outra, como um consumidor diante de vitrines que tentam seduzi-lo a entrar na loja pelo brilho de suas ofertas. Essa dificuldade de “fidelizar um fiel”, ao gerir a igreja como um modelo de negócio, obriga as neopentecostais a uma disputa de mercado cada vez mais agressiva e também a buscar fatias ainda inexploradas. É preciso que os fiéis estejam dentro das igrejas – e elas estão sempre de portas abertas – para consumir um dos muitos produtos milagrosos ou para serem consumidos por doações em dinheiro ou em espécie. O templo é um shopping da fé, com as vantagens e as desvantagens que isso implica.

É também por essa razão que a Igreja Católica, que em períodos de sua longa história atraiu fiéis com ossos de santos e passes para o céu, vive hoje o dilema de ser ameaçada pela vulgaridade das relações capitalistas numa fé de mercado. Dilema que procura resolver de uma maneira bastante inteligente, ao manter a salvo a tradição que tem lhe garantido poder e influência há dois mil anos, mas ao mesmo tempo estimular sua versão de mercado, encarnada pelos carismáticos. Como uma espécie de vanguarda, que contém o avanço das tropas “inimigas” lá na frente sem comprometer a integridade do exército que se mantém mais atrás, padres pop star como Marcelo Rossi e movimentos como a Canção Nova têm sido estratégicos para reduzir a sangria de fiéis para as neopentecostais. Não fosse esse tipo de abordagem mais agressiva e possivelmente já existiria uma porção ainda maior de evangélicos no país.

Tudo indica que a parábola do taxista se tornará cada vez mais frequente nas ruas do Brasil – em novas e ferozes versões. Afinal, não há nada mais ameaçador para o mercado do que quem está fora do mercado por convicção. E quem está fora do mercado da fé? Os ateus. É possível convencer um católico, um espírita ou um umbandista a mudar de religião. Mas é bem mais difícil – quando não impossível – converter um ateu. Para quem não acredita na existência de Deus, qualquer produto religioso, seja ele material, como um travesseiro que cura doenças, ou subjetivo, como o conforto da vida eterna, não tem qualquer apelo. Seria como vender gelo para um esquimó.

Tenho muitos amigos ateus. E eles me contam que têm evitado se apresentar dessa maneira porque a reação é cada vez mais hostil. Por enquanto, a reação é como a do taxista: “Deus me livre!”. Mas percebem que o cerco se aperta e, a qualquer momento, temem que alguém possa empunhar um punhado de dentes de alho diante deles ou iniciar um exorcismo ali mesmo, no sinal fechado ou na padaria da esquina. Acuados, têm preferido declarar-se “agnósticos”. Com sorte, parte dos crentes pode ficar em dúvida e pensar que é alguma igreja nova.

Já conhecia a “Bola de Neve” (ou “Bola de Neve Church, para os íntimos”, como diz o seu site), mas nunca tinha ouvido falar da “Novidade de Vida”. Busquei o site da igreja na internet. Na página de abertura, me deparei com uma preleção intitulada: “O perigo da tolerância”. O texto fala sobre as famílias, afirma que Deus não é tolerante e incita os fiéis a não tolerar o que não venha de Deus. Tolerar “coisas erradas” é o mesmo que “criar demônios de estimação”. Entre as muitas frases exemplares, uma se destaca: “Hoje em dia, o mal da sociedade tem sido a Tolerância (em negrito e em maiúscula)”. Deus me livre!, um ateu talvez tenha vontade de dizer. Mas nem esse conforto lhe resta.

Ainda que o crescimento evangélico no Brasil venha sendo investigado tanto pela academia como pelo jornalismo, é pouco para a profundidade das mudanças que tem trazido à vida cotidiana do país. As transformações no modo de ser brasileiro talvez sejam maiores do que possa parecer à primeira vista. Talvez estejam alterando o “homem cordial” – não no sentido estrito conferido por Sérgio Buarque de Holanda, mas no sentido atribuído pelo senso comum.

Me arriscaria a dizer que a liberdade de credo – e, portanto, também de não credo – determinada pela Constituição está sendo solapada na prática do dia a dia. Não deixa de ser curioso que, no século XXI, ser ateu volte a ter um conteúdo revolucionário. Mas, depois que Sarah Sheeva, uma das filhas de Pepeu Gomes e Baby do Brasil, passou a pastorear mulheres virgens – ou com vontade de voltar a ser – em busca de príncipes encantados, na “Igreja Celular Internacional”, nada mais me surpreende.

Se Deus existe, que nos livre de sermos obrigados a acreditar nele.

A vítima é a culpada?

 

Original: http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2011/11/24/a-vitima-e-a-culpada/

imageO filme Confiar, dirigido por David Schwimmer (ele mesmo, o Ross do seriado Friends) não é exatamente novo. Estreou no Brasil no final de agosto, mas só fui assistir no último final de semana. Na trama, Annie, uma menina de 14 anos, é estuprada por um homem que conhece na internet. A adolescente acredita conversar com um menino da mesma idade, e só descobre que o namorado virtual era vinte anos mais velho quando, apaixonada, resolve se encontrar com ele escondida dos pais.

Mais do que o problema da pedofilia pela internet, o filme retrata com muita sensibilidade todo o drama que cerca não só a vítima, mas todos que convivem com ela. Por estar apaixonada por seu agressor, Annie demora a aceitar que foi vítima de um estupro, o que deixa seu pai transtornado e abala toda a estrutura familiar.

Uma das cenas que mais chama a atenção é quando o pai de Annie, vivido por Clive Owen, resolve desabafar e contar o problema para um amigo do trabalho. Num primeiro momento, o colega se mostra surpreso e solidário, mas quando o personagem conta como o estupro tinha acontecido, o amigo comenta algo como “Ah? Foi assim? Então menos mal, achei que ela tivesse sido atacada”.

Não é raro ver no mundo real a mesma reação. Ver pessoas invertendo os papéis e colocando as vítimas de abuso sexual como responsáveis pelo crime que sofreram. Recentemente, vi a notícia de que uma funcionária de uma empresa teria sido estuprada por oito colegas de trabalho. Não contentes em estuprá-la, ainda filmaram e mostraram para outros funcionários. Eles alegaram que ela estava bêbada e consentiu. Segundo a polícia, o vídeo mostra a mulher desfalecida, sem condições de decidir qualquer coisa.

Aí aparecem os comentários “Mas ela precisava ter bebido tanto?” “Precisava ter saído sozinha com oito homens?” Não sei. Talvez ela pudesse ter evitado essa situação? Talvez. Mas, honestamente, não acho que nenhum desses argumentos justifique um crime tão covarde e hediondo. Aliás, nada justifica. E você? O que acha?

Ah, pra quem se interessou pelo filme, este é o trailer oficial legendado.

Comentário da matéria:

  • Magdiel Lima 26/11/2011 | 15:49

    Concordo em partes, mas convenhamos que essa juventude está desvirtuada. Não acho certo o termo ‘estupro’, o tempo passou e continuam vendo os jovens e adolescentes como seres de total inocência. Tanto no caso da pedofilia, quanto no tráfico, homicídios e etc.
    Adolescentes, jovens? Sim. Mas imprudentes e inconsequentes também. Não é preciso ter mais de 18 para se ter caráter.

  •  

    Sheila24/11/2011 | 10:14

    Deu muita vontade de ver o filme! "Não", significa "não". E o silêncio – como no caso da mulher que estava completamente inconsciente – não significa "sim". Muito menos quando covardemente atacada por vários homens. Infelizmente comentários e questionamentos aparecem mas temos que nos firmar no fato de que é absurdo se achar que, seja de qual forma foi cometido, o estupro é aceitável!