JotaPêAh!

Do Querido Leitor – Marcha contra expressões velhas

em 03/07/2011 23:30:51

Eu odeio expressões velhas. Odeio. Odeio com todas as minhas forças. Tenho vontade de abandonar tudo e lutar por esta causa. Organizar uma marcha. Acabar com isso de uma vez. Expressões velhas e ultrapassadas, até quando?

Sem querer ofender ninguém, mas parece que toda a população é chegada numa expressão antiga, como se 200 milhões de brasileiros tivessem sido criados por seus tataravós. Vou começar por uma das mais detestáveis: tirar o pai da forca.

Forca? Há quanto não tem não se usa mais forca no Brasil? Qual foi o último pai a ser 0ficialmente enforcado? É de que século a expressão? E por que tanta gente ainda usa ‘tirar o pai da forca’ pra falar de pressa? Com toda essa vida apressada ainda não acharam OUTRA analogia?

E sangraia desatada? Essa é lusitana. Não é possível que ainda digam ‘sangria desatada’.  Tem outra que é abominável, ‘caixa prego’. Nem tenho vontade de falar. Me dá náuseas.

Vire o disco é do tempo do vinil. Ninguém mais vira o disco. Ou ‘caiu a ficha‘. É do tempo o orelhão.A fica era de metal e emperrava na canaleta. Mas acabou. Vamos abolir a ficha, por favor. Bem, a ficha ainda é recente. Suportável.

Há pouco a Carol Snowhite mencionou no Twitter que o pai dela usou a comparação  ‘mais por fora que umbigo de vedete’. Gente, isso é podre., Horrível. Não tem mais vedete. Por que a expressão ficou todos esses anos? Por queeeeeeee? Não deu pra inventar nada pra substituir em todos esses anos?

É como se o brasileiro, tão criativo, não tivesse criado mais NADA há 70, 80, 100 anos. ‘Mais perdido que cachorro que caiu do caminhão de mudança’. ‘Mais confuso que cego em tiroteio’. Sempre as mesmas.

Felizmente a Internet trouxe algumas novidades. Como o ‘aham, senta lá Cláudia’, ‘a última bolacha do pacote’, um alento de novidade nesse oceano de velhices.

Na TV, parece que todo comentarista AMA expressões obsoletas, em todas as áreas. Na economia, só dá isso. Nos esportes, idem. Hoje ouvi um comentarista de tênis que não parava de dizer que o jogador ía ‘liquidar a fatura’. Sério, que pessoa MODERNA diz ‘ele vai liquidar a fatura’?

‘Onde Judas perdeu as botas’, ‘onde o vento feaz a curava’, ele ‘dobrou o cabo da Boa Esperança’. Um saco tudo isso. Ou perguntar ‘quantas primaveras’ você está fazendo para falar quantos anos.

Aqui tem uma lista horrorosa que inclui ‘pode tirar seu cavalinho da chuva’, ‘matando cachorro a grito’.

Eu odeio, mas odeio essas expressões todas, esses clichês, esses chavões.
Se eu pudesse faria um movimento nacional pelo fim dessas velharias.
Porque, né, gente que fica usando essas coisas datadas, não rola. Só ‘dando com um gato morto na cabeça até miar’…

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/2011/07/03/marcha-contra-expressoes-velhas/


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