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Dicionário de língua morta há 2 mil anos é completado após 90 anos de pesquisas

em 22/06/2011 15:19:50

Após nove décadas de pesquisas, o dicionário de uma língua que deixou de ser falada há quase 2 mil anos foi finalmente completado, com o lançamento de seu último volume.

O dicionário de assírio – ao lado do babilônico, um dos dois dialetos da língua acádia, falada na Mesopotâmia antiga – tem 21 volumes e é enciclopédico em seu alcance.

Volumes inteiros são dedicados a uma única letra, e a obra traz referências extensivas a fontes originais da língua.  “Este é um momento heroico e significativo na história”, declarou Irving Finkel, do departamento de Oriente Médio do Museu Britânico e que nos anos 1970 participou por três anos do projeto The Chicago Assyrian Dictionary.

O projeto, lançado pelo Instituto Oriental da Universidade de Chicago em 1921, envolveu quase uma centena de pesquisadores que catalogaram registros e referências num trabalho que gerou mais de dois milhões cartões de indexação de registros.

Para o professor Matthew W. Stolper, do Instituto Oriental, o trabalho de pesquisa para o dicionário era “muitas vezes tedioso”, mas ao mesmo tempo “fascinante e recompensador”.

“É como olhar por uma janela um momento de milhares de anos no passado”, disse ele.

Tábuas de argila e pedra
O dicionário foi compilado por meio do estudo de textos escritos em tábuas de argila e pedra descobertas na área da antiga Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, na região onde hoje está o Iraque e partes da Síria e da Turquia.

Os textos analisados, com assuntos que incluem documentos científicos, médicos e legais, cartas de amor, literatura e mensagens aos deuses, compreendem um período de 2.500 anos.

“É uma coisa milagrosa. Podemos agora ler as palavras de poetas, filósofos, mágicos e astrônomos como se eles estivessem nos escrevendo em inglês”, afirma Finkel.

“Quando começaram a escavar no Iraque em 1850, encontraram muitas inscrições no solo e em paredes dos palácios, mas ninguém podia entender uma palavra daquilo, porque a língua estava extinta”, observa.

Para a editora do dicionário, Martha Roth, o mais impressionante no estudo não foram as diferenças, mas as semelhanças entre aquela época e hoje.

“Em vez de encontrar um mundo estranho, encontramos um mundo muito familiar”, diz ela, sobre os textos de pessoas preocupadas com suas relações pessoais, com amor, emoções, poder e questões práticas como irrigação e uso da terra.

Avanço da civilização
Gregos, romanos e egípcios são muito mais proeminentes tanto na consciência popular quanto nos currículos acadêmicos hoje em dia.

Mas no século 19, era a Mesopotâmia que fascinava os estudiosos – em parte porque os pesquisadores tentavam descobrir provas para algumas das histórias da Bíblia, mas também por causa do avanço daquela civilização.

“Muito da história de como as pessoas deixaram de ser apenas humanos para ser civilizados aconteceu na Mesopotâmia”, diz Stolper.

Vários grandes avanços teriam tido lá sua origem e a Mesopotâmia é apontada como um dos três ou quatro lugares no mundo onde a escrita apareceu.

Segundo Finkel, a escrita cuneiforme, usada tanto no dialeto assírio quanto no babilônico, foi usada pela primeira vez pela língua suméria e teria sido uma inspiração para os hieróglifos egípcios.

Obra em andamento
Apesar da grandiosidade do projeto, os pesquisadores envolvidos no dicionário fazem questão de enfatizar suas limitações.

Eles ainda desconhecem o significado de muitas palavras e dizem que a publicação permanecerá como uma obra em andamento conforme novas descobertas forem sendo feitas.

O dicionário inteiro foi colocado à venda por US$ 1.995 (cerca de R$ 3.175), mas também foi disponibilizado de graça em uma versão online.

 

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/bbc/2011/06/14/dicionario-de-lingua-morta-ha-2-mil-anos-e-completado-apos-90-anos-de-pesquisas.jhtm


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