JotaPêAh!

Eu quero, eu faço, eu consigo

em 14/06/2011 22:37:55

O mundo taí pra todo mundo, é só pegar e usar. E porque ele está disponível pra quem quiser, não vale ficar reclamando do que o outro faz para obter o que deseja. Vai lá e faça também. Do seu jeito. Estamos todos aqui, seguindo o mesmo plano, querer-fazer-conseguir, cada um com seu método e suas ferramentas.

Imagine que uma pessoa queira conseguir tudo de graça, essa é a meta que ela tem. Ela quer ser bonita, quer ser rica, quer ser famosa. Esse é o querer. O que ela faz em seguida? Ela puxa o saco de quem pode lhe dar poder, elogia as pessoas que podem oferecer bens materiais, ajuda a quem pode oferecer serviços. E com isso ela consegue tudo. Quem tem poder dá poder pra ela, quem recebe o elogio dá presentes, quem foi ajudado troca por serviços. Tudo de graça. Está certo ou errado? Ela é uma oportunista? Resposta: não tem certo ou errado, ela quis, ela fez, ela conseguiu. Ela puxou o saco de poderosos que, enfim, querem ter o saco puxado, elogiou gente que se sentiu grata e a presenteou, ajudou por interesse sem fazer mal a ninguém. Errado é você só ficar com inveja do que ela conseguiu e querer questionar os métodos que ela usou, principalmente se você não foi lesado com as atitudes da pessoa.

Outra pessoa decide que vai trocar favores sexuais por poder. Ela investe tudo no próprio corpo, na beleza física, seduz algumas pessoas e consegue benefícios materiais. Isso é certo ou errado? Nem um nem outro. Isso pode servir ou não pra você, mas se serve pra ela, o método usado não é da conta de mais ninguém.

O mundo é como ele é, funciona do jeito que está estabelecido e, sim, é possível trabalhar para mudar alguns aspectos. Mas não se muda a coletividade, a cultura. E nem faz sentido condenar as pessoas por agirem por interesses próprios. Estamos todos fazendo o mesmo, de formas diferentes.

Talvez você tenha uma bagagem moral que exclui totalmente a possibilidade de usar seu corpo para conquistar coisas. Sou da mesma natureza. Mas tem gente que pode e faz. E nem por isso deixa de ser uma boa pessoa. Minha opção como mãe também não é essa. Crio meus filhos para que eles sejam esforçados, honestos e mereçam suas conquistas. Mas isso sou eu. Outras mães procuram casamentos para suas filhas com homens ricos. Conheci uma mãe que investia todo seu dinheiro na beleza da filha, na esperança de que ela conquistasse um marido rico que ajudasse a salvar a família da pobreza. Quem vai poder dizer que a mãe estava errada? Essa era a única luz que ela via no final do túnel e ia atrás dessa luminosidade para clarear sua vida.

Já fui muito menos tolerante do que sou hoje, já condenei internamente muita gente por seus métodos, caso eu discordasse delas. Hoje vejo as coisas de outra forma. Não condeno, apenas observo, compreendo e faço opções. Eu poderia, por exemplo, raspar careca, deixar os cabelos brancos, fazer uma tatuagem na perna, como poderia botar silicone, fazer plástica, me encher de botox. Todas as opções estão no mercado, é só escolher ou não. E lembrar que tudo, mas tudo mesmo, tem um preço, uma consequência.
É só isso que existe, causas e efeitos, sementes e frutos. Simples assim. Até o que parece bom, até as dádivas têm um preço a pagar. Num exemplo bem simplório e tolo, cito meu email do gmail, que tem meu nome, rosana. Muita gente me faz a mesma pergunta, como consegui, por que tenho um email tão simples. Muita gente diz que eu tive sorte, que queria ter um assim também. Eu também achava. Até que comecei a receber centenas de emails de outras rosanas de todo o mundo que usam meu endereço como "segunda opção", listas de avisos de emails que não são meus, cadastros de pessoas que preenchem com o primeiro email que lembram (o meu), tornando minha vida com minha linda arrobinha um inferno. É a vida. Se você tem algo que todo mundo quer e nem poucos têm, seja um endereço, uma Ferrari, um programa na TV ou olhos azuis, prepare-se para a cobiça.

Hoje eu sei mais ou menos o que eu quero. Quero ver minha família toda bem, com saúde, quero viver de escrever, quero que as pessoas gostem e se beneficiem das palavras que escrevo, das palestras que dou. Quero ser compreendida, aceita, admirada e querida. E para conseguir o que quero, procuro fazer o meu melhor, cuidando dos que amo, assumindo compromissos com as pessoas a minha volta. Tento ser correta e justa, mesmo vendo tanta injustiça a minha volta. Não sou do tipo que faz tudo para conquistar o que quero, sou cheia de regras éticas e morais, não sinto prazer em ser oportunista, não tenho vocação para puxar saco e tenho muita dificuldade de fazer o jogo social de faz deconta, em que o personagem diz amar todo mundo, adorar todo mundo e não dá nem o endereço quando convida o outro pra tomar "café em sua casa". E porque não faço muitas concessões, meu caminho é sempre mais difícil, a jornada mais lenta. Mas eu me sinto bem assim, durmo bem no travesseiro, não me sinto culpada, nem arrependida, não tenho vergonha de mim.

Ontem, num daqueles momentos em que a gente fica em dúvida se está realmente agindo certo ao manter a ética, minha filha chegou pra mim depois de terminar de ler meu novo livro e disse que tinha muito orgulho de ter a mim como mãe, que tinha muita admiração por meu jeito de escrever e que era muito grata a meu marido e a mim pela forma com que ela foi criada. Choramos juntas, nos abraçamos de felicidade e eu pensei que o caminho da verdade, do coração, pode ser mais demorado, mas é o que oferece as paisagens mais deslumbrantes pra nossa alma.

 

Fonte: http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/2011/06/08/eu-quero-eu-faco-eu-consigo/


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