JotaPêAh!

Por que os bandidos matam?–Da reportagem da VEJA, 17/11/2010

em 19/12/2010 23:30:01

“Matei um cara que foi puxar o freio de mão durante um assalto. Você não sabe se ele vai puxar uma arma. Na dúvida, você atira. Teve outro, no Paraná, que tentou reagir. Tive que atirar nele. Matei um monte. Tinha a sensação de que, se eu não matasse e desse as costas, aguém ia matar. Perdi o controle. Se o cara não parasse o carro ou não botasse a mão na cabeça, já estourava ali mesmo.”

“Fui roubar uma malote no banco, mas teve reação. Pegamos 263.000 reais da empresária. Cheguei dizendo: ‘Perdeu, perdeu!’. Segurei o malote e já ia embora. Só que a gente não sabia que tinha um policial à paisaa fazendo escolta no carro de trás. Ele começou a atirar e acertou meu parceiro. No momento em que alguém reage, é a minha vida que fica em risco. então, antes ele do que eu. Dei dois tiros. Não tem como me arrepender da morte de um cara que tentou me matar. Estou preso, mas estou vivo.

“Matei porque o dono da casa que a gente foi assaltar apontou uma arma para mim. Eu tinha mandado ele abrir o cofre. Estava com um revólver apontado para a cabeça da filha dele, de sete anos. Era aniversário da menina. a festa tinha uns setenta convidados; nós rendemos todos. Quando ele abriu o cofre, pegou um revólver que estava escondido ali do lado, em uma estante, e apontou para mim. Joguei a menina no chão e atirei na hora. Ele caiu morto. Preferiu morrer do que perder o patrimônio.

“Eu estava desarmado, mas acabei matando porque ele me atacou. Eu tinha rendido o cara saindo da casa dele. Coloquei a mão por baixo da blusa, como se tivesse uma arma. Entramos no carro dele. Mandei ele dirigir até um lugar que eu conhecia bem. Peguei o dinheiro e saí do carro, mas ele percebeu que eu não estava armado e veio atrás de mim, correndo. Levei vários socos, mas consegui agarrar ele pelo pescoço. Dei um mata-leão e só parei quando ele parou de se debater. Só me arrependo porque fui preso. Não pelo fato de ele estar morto.

“Matei dois numa briga usando uma faca de açougueiro. Melhor a mãe deles chorar do que a minha. De manhã, tinha acertado uma facada num rapaz que tinha atirado no meu primo. Mais tarde, fui tomar uma cerveja num bar e um amigo dele me deu um murro na cara. Perguntei: ‘Tu vai querer mesmo briga?’. Ele respondeu que sim. Então, fui lá, segurei o cabelo dele e dei três facadas no peito e um na garganta. Um amigo meu tentou me segurar. Na raiva, fiquei cego. Dei mais três facadas e matei ele, também. Só depois fui ver quem era. Ele só conseguiu falar: ‘Rapaz, você me matou’. Desse eu me arrependo; do outro, não.”

“Matei a amante do meu marido porque não aguentei ser traída pela segunda vez. No mesmo dia que eu descobri que eles tinham um caso, ela me falou que estava grávida. Traição ainda vai, mas com gravidez? Pedi para ela deixar meu casamento em paz. Ela concordou, mas depois começou a me ligar para me infernizar. Quando descobri que os dois tinham se encontrado de novo, fui até a casa dela com uma faca. Pensei em desistir quando conversei com a mãe dela, mas a atitude arrogante dela me tirou do sério. Eu disse que a gente precisava ter uma conversa particular. Entramos no elevador e eu dei dezessete facadas nela. Acertei o pulmão, o coração e o pescoço. Estava sem pensamento, só minha mão se movimentava. Fiquei lavada de sangue. Antes eu dizia que faria tudo de novo, mas agora me arrependo: a liberdade é linda.”

“Esfaqueei meu marido e matei minha melhor amiga porque descobri que os dois tinham um caso. Fiz isso para lavar minha honra. Cheguei em casa e peguei ela com ele na minha cama. Fui para o bar na hora, desolada. Quando voltei para casa, ele estava só, chorando aquele choro falso. Fiquei com muita raiva. Dei seis facadas nele, mas ele não morreu. Saí de lá e fui para uma festa, onde encontrei a menina. Dei duas facadas nela. Ela implorou, mas eu deixei o ódio falar mais alto. Assisti a ela agonizar. Senti prazer em ver ela se debatendo. Hoje, vejo que não valeu a pena. Não sou uma assassina.”

“Este rapaz que eu matei não pagou a droga  que pegou de mim para vender. Ele me devia 900 reais. Fui receber o dinheiro e ele disse que não ia pagar. Por ser mulher, ele deve ter pensado que eu não ia fazer nada. Efetuei três disparos na cabeça dele. Quando ele estava no chã caído, ainda dei mais três pedradas na cabeça. Eu saí de mim. Via o sangue dele e queria ver mais. Depois, fui tomar uma cerveja. Acho que fiz isso para comemorar, me santi satisfeita quando vi que ele estava morto. No crime, se você aperta o gatilho, tem que matar. Senão, a pessoa vem e te mata depois.”

“Nunca parei para contar quantos já matei. Acho que foram nove. Com meus 13 anos de idade fiz um assalto numa lotérica e ganhei 7.000 reais. Também comecei amatar por encomenda, a convite de um amigo do meu tio. Só não matava crianças. A vida para mim era um objeto sem valor. Matar alguém era um serviço que eu fazia como outro qualquer. Eu ganhava bem: de 7.000 a 12.000 reais, que dividia com este amigo do meu tio. Meu trabalho era disparar e verificar se a pessoa morreu. Hoje, eu me arrependo. Não quero voltar para o crime. Você não sabe como é estar sozinho e lembrar do cheiro de um corpo que você queimou para apagar vestígios de um crime.”


4 respostas para “Por que os bandidos matam?–Da reportagem da VEJA, 17/11/2010

  1. Giuliana disse:

    Eduardo perdão se me expressei mal, mas a maioria dos entrevistados eram de baixa renda e isso não é coincidência, certo?. O caso que você diz é o da mulher que matou a amante do marido? Enfim, mas dizer que Deus mata homens e mulheres por motivos que desafiam a razão é absurdo. Culpar a Deus ou o diabo por escolhas humanas é muita irresponsabilidade para ser publicada. Porque já que o autor quis entrar no cristianismo e na religião, tinha que, no mínimo, estudar MUITO do assunto para entender, por exemplo, por que Deus aceitou o presente de Abel e não de Caim, como ele cita… Mas enfim, continuo com a opinião de que ninguém nasce bandido ou pra ser bandido, ninguém nasce ruim.. Contudo, a nossa sociedade é corrupta e desigual. Os maiores bandidos estão de terno e gravata em Brasília, mas estes não são divulgados, nem entrevistados na reportagem.

  2. Eduardo Ventura disse:

    Achei muito boa a reportagem!!! Sou ex policial e essa materia é muito importante para que as pessoas saibam que nunca devem reagir a um assalto!
    E respondendo a Giuliana,tinha também um advogado que assassinou a um promotor.. ele tbm n teve oportunidades??
    O ser humano é muito pior que os animais. Mas devemos lembrar que nenhum é tao bom qnto todos nós juntos. Nós devemos fazer a diferença!!!
    obs: li essa reportagem ontem,achei em uma gaveta!

  3. Giuliana disse:

    Achei a matéria um lixo.Não sei como descrever pior.Ele inicia citando um mandamento de Deus mais não tem conhecimento nenhum sobre cristianismo. Como se fosse Deus que criasse esse tipo de caráter nas pessoas.Odiei demais.
    Uma pessoa que nasce num ambiente extremamente forte, com baladas perdidas, excluído da sociedade e condições precárias de vida só pensa em sobreviver e não viver.A maioria dos assassinos entrevistados estavam roubando porque não tiveram as mesmas chances do que uma pessoa rica ou “sociável” teve de crescer com uma boa educação, saudável e com oportunidades para conseguir dinheiro. Obviamente que isso não justifica matar, mais vai dizer isso para aquela pessoa que vive agressiva, visando o roubo perfeito e a vítima reage.
    Fico indignada porque ninguém nasce ruim ou bandido.Infelizmente o meio está determinando o homem, não deveria, mas está. As pessoas precisam entender que essas ruindades acontecem devido à indiferença que existe atualmente entre o tratamento que é dado para cada classe social .Na reportagem, não vimos nenhuma pessoa rica sendo entrevistada, isso não é uma critica, mas um ponto de vista que precisa ser analisado, pois não é uma coincidência, é um fato.
    Se é para querer entender a mente de loucos, entrevistasse sóciopatas. Aquelas eram pessoas comuns que arruinaram suas vidas, alguns por motivos medíocres, porém a maioria por sobrevivência.

    • leticia disse:

      eu concordo com o comentario porque fiquei impressionada com as palavras da matéria… é realmente muito gritante o que falam e totalmente sem nexo, sem fundamento …. espero que alguém possa reaver esse tipo de ridicularização

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