JotaPêAh!

O que Nárnia é para a literatura e para a vida

em 08/09/2010 16:21:11
No verão de 1948, C. S. Lewis comentou vagamente para Chad Walsh, um
amigo americano que estava lhe fazendo uma visita, que havia começado a
escrever um livro para crianças semelhante aos de E. Nesbit. 

Edith Nesbit (1858-1924) foi uma escritora inglesa que publicou mais de
60 livros infantis e é considerada a primeira autora moderna. Ela
conseguiu reverter uma “moda literária” da época, trazida por sucessos
como os de Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas), que de certa
forma apresentavam enredos extremamente ingênuos. Não por culpa
exclusiva de Carroll, mas praticamente tudo o que era publicado na
época oferecia mundos imaginários tão fantasiosos que caiam na
inutilidade, sem oferecer algo prático ao aprendizado das crianças.

Lewis não queria de forma alguma que suas obras formassem um público
alienado. Ele teve uma infância muito difícil, perdeu a mãe cedo,
sofreu nos internatos que passou, mas foi maduro o suficiente para que,
de forma alguma, usasse das obras de ficção e de seu talento criativo
para alimentar algum tipo de fuga da realidade.

O elemento mágico mantinham-se essencial para ele, mas era importante
que sempre levasse uma lição a ser aplicada em nosso mundo.

Nárnia foi criada com os melhores elementos de contos de fadas e
épicos, com uma mistura única de figuras como o Papai Noel, animais
falantes e seres mitológicos. Portais mágicos levavam crianças para
aquele mundo, elas eram protagonistas de grandes conquistas e lideravam
reinos. Porém, a exemplo dos irmãos Pevensies, a viagem mágica tinha um
sentido: era para que aprendessem a viver no mundo real.

“–— Já são muito crescidos. Têm de chegar mais perto do próprio mundo em que vivem.” Resposta de Aslam à Lúcia sobre não voltarem mais à Nárnia.(A Viagem do Peregrino da Alvorada, capítulo 16)

Este é o objetivo da série e como criador do fã-clube Mundo Nárnia, não
tenho a intenção de ferir os objetivos originais de Lewis e tornar
nosso trabalho aqui algo alienante. Cada um de nós em sua fase de vida,
sejam crianças ou adultos, devemos compreender o que é fantasia e o
quanto devemos ser maduros para perceber que Nárnia nos leva para uma
posição diferente quanto aos desafios do mundo.

Se você leu os sete ou apenas um livro de série, viajou por aventuras
fantásticas e com certeza percebeu que, mesmo com saudades de Aslam, do
Ripchip e do Sr. Tumnus, a vida aqui fora segue seu rumo. Aslam já nos
avisou que estamos grandinhos, não fomos à Nárnia para ficarmos mimados
ou retrocedermos. Nosso período de reis nos ensinou todas as virtudes
necessárias para sermos majestades aqui fora.

Venha, vamos atravessar juntos a fenda na parede azul! O mundo real precisa de nós para fazermos a diferença!

…..
Sérgio Fernandes
Publicitário, criador do fã-clube Mundo Nárnia e escritor do livro Manual da Viagem do Peregrino da Alvorada.
E-mail: falecom@sergiofernandes.com.br


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