JotaPêAh!

Encontrando Nárnia em nosso mundo

em 08/09/2010 16:29:12
Lúcia e Edmundo tiveram de ficar na casa dos tios Arnaldo e Alberta durante o tempo em que seus pais (e Susana) foram aos Estados Unidos – o pai tinha conseguido uma vaga de professor por quatro meses. Pedro ficou com o professor Kirke se preparando para um exame.

A nossa história começa numa tarde em que Edmundo e Lúcia aproveitavam juntos alguns minutos preciosos. Como é óbvio, falavam de Nárnia, nome do país secreto deles. Acho que quase todos nós temos um país secreto, que, para a maioria, é apenas um país imaginário. Edmundo e Lúcia eram bem mais felizes: o país secreto deles era verdadeiro. Já tinham até visitado Nárnia duas vezes, de verdade, não sonhando, nem brincando. É claro que tinham conseguido chegar lá por Magia, que é a única maneira de atingir Nárnia. E tinham prometido que lá voltariam algum dia. Assim, você pode imaginar como eles falavam de Nárnia, sempre que podiam.

Naquela tarde, estavam sentados na beira da cama no quarto de Lúcia, olhando para um quadro pendurado na parede — o único quadro de que gostavam em toda a casa.

(…)

— Ficar olhando para um navio de Nárnia sem poder chegar lá é pior ainda! — disse Edmundo.

— Olhar é sempre melhor do que nada — respondeu Lúcia. — E esse aí é um verdadeiro navio de Nárnia.

A Viagem do Peregrino da Alvorada, capítulo 1.

A monotonia da casa dos tios os levava ainda mais a lembrar de Nárnia. Eles sabiam que um dia voltariam para lá, conforme a promessa de Aslam, e o meio de se sentirem mais próximos daquele mundo mágico seria falarem das aventuras que viveram e imaginarem todas aquelas belas coisas que viram.

O quadro na parede, para eles, era de um navio de Nárnia. Contemplaram a pintura indo além da arte estática. Imaginaram para quantos lugares o navio viajou, o quão imenso era aquele mar e como seria a sua tripulação. E assim a magia se concretizou e foram levados para Nárnia…

Estes momentos iniciais da história de A Viagem do Peregrino da Alvorada não poderiam ser encarados por nós como apenas uma introdução feita por C. S. Lewis para explicar aos leitores o que aconteceu após o livro Príncipe Caspian. Eu, particularmente, considero que o primeiro e o último capítulo deveriam “andar no bolso” (ou no coração) de todos os fãs da série. Eles trazem o SEGREDO de Nárnia. As outras centenas de páginas trazem as histórias e mensagens, estes dois capítulos trazem, de forma única, a essência da obra.

Sobre o SEGREDO de Nárnia, pretendo falar ainda no futuro, conforme desenvolvermos mais os assuntos aqui.

O que este capítulo nos revela sobre a essência da obra de Nárnia é que Nárnia pode ser contemplada em nosso mundo.

Edmundo e Lúcia sentiam saudades daquele universo mágico e se consolavam com lembranças. Na língua grega, a palavra lembrança/memória se diz “anámnesis” (uma das variações para a língua portuguesa é a palavra “amnésia”, que é a falta de memória) e o seu sentido vai além do simples ato de se lembrar. Memória quer dizer reviver algo, tornar o ocorrido uma realidade objetiva para este momento. Quando os povos antigos celebravam a memória de algum fato histórico, era como se ele fosse renovado e naquela celebração estivessem experimentando novamente o que aconteceu. Por meio do quadro, um símbolo que lhes permitiu fazer memória, as crianças foram levadas a Nárnia.

O que gostaria de revelar a você hoje, como parte deste SEGREDO de Nárnia, é que podemos realmente encontrá-la em nosso mundo.

Acredito que você já tenha experimentado isso quando viu um lampião em uma praça ou uma estátua de um leão em algum monumento. Se naquela hora você fechasse os olhos, tenho certeza de que ouviria o som de flautas e cascos de faunos dançando ou um rugido.

Não se trata de “loucura” de fã, mas Lewis criou Nárnia com um sentido. E ele não escreveu à toa que tal experiência poderia ser vivida em nosso mundo.

Procure um lampião em sua cidade… Feche os olhos… E escute a voz de Aslam. Ele deve ter algo muito pessoal a lhe dizer.

Por Sérgio Fernandes
Publicitário, criador do fã-clube Mundo Nárnia e escritor do livro Manual da Viagem do Peregrino da Alvorada.
E-mail: falecom@sergiofernandes.com.br


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: