JotaPêAh!

A donzela pastora

em 03/09/2010 13:25:23
“Navegaram a manhã toda em águas baixas, com o fundo do mar coberto de
capim. Perto do meio-dia, Lúcia viu um grande cardume volteando por
entre a erva. Comiam com vontade e moviam-se na mesma direção. “Como um
rebanho de ovelhas”, pensou Lúcia. De repente viu, entre os peixes, uma
donzela do mar, mais ou menos da sua idade, calma e solitária, com uma
espécie de cajado na mão. Lúcia teve a certeza de que era uma pastora –
uma pastora de peixes e que o cardume era um rebanho pastando. Estavam
perto da superfície. No instante em que a menina se elevava na água
pouco funda, Lúcia inclinou-se na beira do navio. A menina olhou para
cima e fixou atentamente o rosto de Lúcia. A pastora mergulhou depois e
Lúcia nunca mais a viu. Não parecia assustada, nem zangada, como os
outros habitantes do mar. Lúcia simpatizara com ela, e a simpatia
parecera recíproca. Tinham ficado amigas num minuto. Seria difícil um
novo encontro, mas se isto acontecesse correriam uma para outra de
braços abertos.” (A Viagem do Peregrino da Alvorada, Capítulo 16)

No extremo Oriente, próximo ao País de Aslam, o navio Peregrino da
Alvorada navegou por cima do Povo do Mar. Eles são habitantes de uma
cidade construída em um monte dentro do Mar Derradeiro. Não usavam
roupas, sua pele era de tom marfim antigo e o cabelo púrpura escuro.
Tinham o costume de caçar nas florestas das profundezas.

Lúcia encontrou essa donzela pastora, que cuidava de um cardume de
peixes com um cajado nas mãos. O encontro foi rápido, mas a duas se
simpatizaram.

Existe uma provável inspiração de C. S. Lewis para a criação deste povo
com base no mito da Atlântida, de uma nação submersa, e no mito das
sereias. Lorde Drinian, inclusive, tem receios de que seus marinheiros
sejam enfeitiçados.

Já a donzela pastora poderia vir de uma história ouvida por Lewis
quando criança, de um mito originário de sua cidade natal, Belfast, na
Irlanda. Conta-se que uma jovem, chamada Liban, ficou presa com o seu
cão em uma caverna submarina durante um ano, após uma enchente que
aniquilou o seu povo. Ela rezou aos deuses que a transformassem em
peixe para que pudesse sair daquele lugar. E assim aconteceu: ela
tornou-se um salmão da cintura para baixo e o seu cão uma lontra.
Libian livrou-se da prisão, mas continuou como sereia por 300 anos, até
que encontrou um padre que a ouviu cantando e pediu que a tirasse da
água. Ele a ajudou, depois a batizou com o nome de Murgen e lhe deu a
escolha de viver mais 300 anos de vida ou entrar imediatamente no Céu.
Murgen escolheu a segunda opção. Mesmo sendo uma lenda, em alguns
almanaques antigos e no santoral católico irlandês aparecem referências
a Santa Murgen.

Fonte: MundoNarnia.com
 


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