JotaPêAh!

Encontro da Sílvia com o Raul – Caminho das Índias

em 15/11/2009 19:28:48

-Sílvia?
-Raul?
-Me escuta! Sílvia, calma!
-Raul? Não, espera aí.
-Se você acha que eu sou o bandido da sua história, está aí seu marido.
-Espera aí. Espera aí. O que que está acontecendo? Espera aí. Espera aí, pelo amor de Deus. Não é possível. Não é possível! Eu não estou louca! Eu não estou louca. Eu vi ele morto. Não é possível, eu não estou louca. O que que está acontecendo? Eu chorei, eu me desesperei, você estava morto.
-Sílvia, eu não tenho nenhuma justificativa pra o que eu fiz. Nenhuma.
-Não, nem tenta justificar, Raul. Nem tenta justificar. Eu preciso saber…eu preciso saber como você fez isso. Meu Deus do céu! A única coisa que eu preciso é ter certeza da minha sanidade. Eu vi você morto. Você estava morto.
-Aparentemente morto.
-Foi uma simulação.
-Simulação? Simulação?
-Confessa tudo, Raul.
-Não. Espera aí. Espera aí. Então…aquele dia que você passou o dia dizendo que estava com um pressentimento que ia morrer…aquela conversa estranha…você estava preparando isso, Raul?

-Espera aí, meu Deus do céu. Agora que eu estou entendendo, meu Deus. Meu Deus, eu ali preocupada com você, comovida com você, Raul, querendo mandar você pra um analista, e você frio, manipulando tudo, era tudo calculado, Raul?

-Como é que você simulou isso, como? Como? Eu vi. Eu vi.

-A Ivone…tem alguma coisa a ver com isso.
-Foi ela. Ela foi a cabeça de tudo.
-Então era ela, meu Deus. Meu Deus do céu. Era ela. A amante que ela estava me ajundando a identificar era ela mesma. Você é um canalha, Raul. Canalha. Meu Deus do céu, você é um canalha. Como é que você fez isso comigo, Raul? Hein? Como é que você fez isso comigo? Se você não queria mais o casamento, porque é que você não pediu o divórcio? Eu querendo o divórcio e você não aceitava. Se você queria uma amante, porque você não foi procurar longe? Tinha que ser a minha melhor amiga? Dentro da minha casa. Pra que Raul? Pra me humilhar, é isso?
-Eu estava confuso demais, Sílvia…
-Quem estava confusa era eu, quem estava confusa era eu, Raul.
-Não era você. O problema nunca foi você. Foi a minha vida inteira Sílvia. Eu sempre tive essa sensação de fracasso.
-Fosse pra um analista, Raul. Fosse resolver isso num divã de um analista, e não dilacerando a minha vida, porque eu não tenho culpa se você é um fraco.
-Eu não estou culpando você.
-Mas foi a minha vida que você destruiu. A minha vida e a da sua filha, Raul. Não adianta fazer essa cara de coitado, porque eu não tenho a menor pena de você. Olha, eu não sei, Raul, o que te aconteceu, mas seja o que for, foi bem merecido.
-Sílvia…
-A sua filha está aqui…atrás das grades, Raul. Foi você que fez isso. Foi você que jogou a sua filha na cadeia, foi você que fez ela se envolver com bandidagem, foi você Raul.
-Eu sei, eu sei, eu me culpo por isso, eu me culpo!
-Se culpa coisa nenhuma, se culpa porque está aqui, porque foi pego, porque se você não tivesse sido pego, Raul, você não estava nem um pouco preocupado. Você é um egoísta. Egoísta e cínico.
-Sílvia, o que eu fiz é indefensável, mas eu estou arrependido, Sílvia. Só queria que você ouvisse, eu estou arrependido. Se eu pudesse voltar atrás nada disso teria acontecido.
-Agora eu quero saber de tudo. Eu quero saber, agora eu quero saber de tudo. De todos os podres, de todas as vezes que eu fui enganada, que eu fui traída, que eu fui feita de idiota dentro da minha própria casa. Meu Deus do céu, a gente não imagina que as pessoas são capazes de fazer coisas que a gente não é capaz de fazer. Eu achei que eu conhecia você tão bem, Raul. Vinte anos de convivência. Eu podia duvidar de tudo, Raul, menos da sua sinceridade, do seu amor por nós. Meu Deus do céu…eu vivi  vinte anos com um estranho.
-Eu não quero me eximir de culpa. Eu nao vou me eximir de culpa…mas se eu não tivesse conhecido ela…
-Se o seu caráter depende de quem você conheça, da proposta que te façam, Raul, então você não tem caráter nenhum. Você é pior que ela. A família era sua, Raul. O compromisso era seu, não dela.
-Eu só queria que você ouvisse…que eu … eu tenho…
-Meu Deus do céu…aquela armação…aquela armação de me tirar de casa…de tirar a Júlia de casa…a Ivone me telefonando, dizendo que estava embarcando, que precisava que eu assinasse o papel…meu Deus do céu…

-Pra mim você está morto, Raul. Eu preferia que você tivesse morrido de verdade.
-Um dia, eu queria que você me escutasse…me desse a chance de explicar pra você minhas razões…erradas eu sei, erradas eu sei, mas..
-Você não tem mais nenhuma chance comigo, Raul. A melhor coisa que você pode fazer por mim e por sua filha hoje, é morrer de verdade.


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