JotaPêAh!

A Magia Profunda – LFG

em 09/10/2009 15:43:29

Pouco depois, era a própria feiticeira que aparecia no alto da colina, dirigindo-se sem hesitar para junto de Aslam. Os três, que nunca a tinham visto, sentiram um frio na barriga quando a olharam de frente. Alguns animais começaram a rosnar. Embora fizesse um sol magnífico, todos se sentiram gelados de repente. As únicas pessoas que pareciam estar absolutamente à vontade eram Aslam e a própria feiticeira. Estranho espetáculo: um rosto dourado e um rosto nevado… tão perto um do outro. Não que a feiticeira olhasse Aslam bem de frente. A Sra. Castor não deixou de reparar nisso.

– Há um traidor aqui, Aslam! – declarou a feiticeira.

Todos os presentes entenderam. Mas Edmundo, depois da conversa pela manhã e de tudo o mais, não deu bola. Continuou simplesmente a olhar para Aslam. Estava esnobando a feiticeira, e com razão.

– Não foi bem a você que ele ofendeu – disse Aslam.

– Já se esqueceu da Magia Profunda? – perguntou a feiticeira.

– Digamos que sim – replicou Aslam, solenemente. – Fale-nos da Magia Profunda.

– Falar-lhe da Magia Profunda?! Eu?! – disse a feiticeira, numa voz ainda mais aguda. – Falar-lhe do que está escrito nessa Mesa de Pedra aí ao lado? Falar-lhe do que está escrito em letras do tamanho de uma espada, cravadas nas pedras de fogo da Montanha Secreta? Falar-lhe do que está gravado no cetro do Imperador de Além-Mar? Se alguém conhece tão bem quanto eu o poder mágico a que o Imperador sujeitou Nárnia desde o princípio dos tempos, esse alguém é você. Sabe que todo traidor, pela lei, é presa minha, e que tenho direito de matá-lo!

– Ah! – disse o Sr. Castor. – Já estou entendendo por que foi que você se arvorou em rainha… Você era o carrasco-mor do Imperador!

– Calma, Castor, calma – disse Aslam, em voz baixa e arrastada.

– Portanto – continuou a feiticeira, – essa criatura humana me pertence. A vida dela me pertence. Tenho direito ao seu sangue.

– Então venha bebê-lo, se for capaz – disse o Touro que tinha cabeça de homem.

– Débil mental! – disse a feiticeira, com um riso de fúria que era quase um grunhido. – Está tão convencido assim de que o seu senhor me pode privar dos meus direitos pela força? Ele conhece bem demais a Magia Profunda para atrever-se a isso. Sabe que, a não ser que eu receba o sangue a que a lei me dá direito, toda a terra de Nárnia será subvertida e perecerá em água e fogo.

– É verdade! – disse Aslam. – Não posso negá-lo.

– Oh! Aslam! – sussurrou Susana, ao ouvido do Leão. – Não podemos nós… quer dizer, isto é, não vai acontecer nada, não é? Não se pode dar um jeito nessa Magia Profunda?

– Enfrentar o poder mágico do Imperador?

Aslam voltou-se para ela, com o rosto ligeiramente carregado. E ninguém mais tocou naquele assunto.

Edmundo fitou Aslam o tempo todo. Sentia-se sufocado e perguntava a si mesmo se devia dizer alguma coisa: compreendeu que não devia dizer coisa nenhuma, só esperar e cumprir o que lhe fosse ordenado.


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